Casos de dengue em Divinópolis chegam a 233

Maria Tereza Oliveira

A cada semana, quando os números dos casos de dengue em Divinópolis são atualizados, é constatado um aumento assustador. Na semana passada, de acordo com os dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES), eram 209 registros. Porém, ontem, a Prefeitura revelou que já são 233 notificações e 69 confirmações.

Mesmo com os números altos, a situação não é considerada epidemia, todavia, são suficientes para deixar a população preocupada.

De acordo com o Município, os números são atualizados. Em uma semana, houve um aumento de 24 ocorrências de dengue na cidade.

Triplo de 2018

Se comparar os casos de 2019 com o do ano passado, a história fica ainda mais dramática. Enquanto ao longo dos 12 meses de 2018 foram confirmados 77 casos da doença, nos três primeiros deste ano já são 233, sendo 69 já confirmados.

Embora o verão esteja chegando ao fim, a preocupação com a dengue ainda continua. No ano passado, por exemplo, foram registrados casos de dengue em todos os meses. Março é tradicionalmente um mês mais chuvoso e, consequentemente, mais propício para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.

Por enquanto, fevereiro está na liderança dos números com 163 notificações. Em comparação com 2018, no mês houve apenas seis ocorrências. No ano passado, março e abril lideraram os casos de dengue na cidade, com 11 notificações cada.

Prevenção

O contraste entre os números de ocorrências de um ano para o outro apontam para um comportamento: as pessoas teriam relaxado na prevenção.

Apesar de ser um assunto comentado e debatido constantemente, a prevenção muitas vezes é deixada de lado, o que facilita a proliferação do mosquito.

De acordo com o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), 38,6% dos focos foram encontrados em baldes, latas e recipientes de plásticos e pneus.  Pratos e vasos de plantas, pingadeiras, bebedouros de animais e planta aquática respondem por 26,4% do total de focos encontrados. Ralo, caixa de passagem, sanitário em desuso e fonte ornamental totalizaram 19,3%. Já caixa d’água, tanque, poço, tambor e manilha são 14,9%. Outros 0,8% estavam em depósitos naturais, como bromélia.   

A Vigilância em Saúde ressalta que é importante lembrar de ações simples, como tampar caixas d’águas, deixar garrafas com a boca para baixo e, se o terreno for propenso ao acúmulo de água, realizar a limpeza e drenar o líquido.

Outras medidas de prevenção incluem limpar bem piscinas, aquários, calhas e acumuladores de água. Colocar areia em vasos de plantas também ajudar a evitar o acúmulo de água e, consequentemente, um foco da dengue.

De acordo com a Prefeitura, o bairro com mais ocorrências é o Rancho Alegre.

Relaxamento

Uma das principais razões para o alastramento da doença são os focos de dengue. Por isso, a ação de prevenção por parte da própria população tem papel indispensável.

Os cuidados e atenção para água parada em recipientes são essenciais para combater o mosquito transmissor, não só da dengue, como também da zika, chikungunya e febre amarela.

Mesmo com todas as campanhas de conscientização, muitas pessoas se descuidam, acabam criando ambientes propícios para a proliferação do mosquito e, consequentemente, para o aumento dos casos.

Por este motivo, a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) aposta na ajuda da comunidade, não apenas para manter suas residências sem focos, mas também para denunciar situações de água parada para que a equipe realize o trabalho de limpeza e notifique os proprietários.

Para denunciar, basta ligar no disque dengue: (37) 3221-3722, ou pelo aplicativo AppDivinópolis, disponível para Android e iOS.

Por bem ou por mal

Com o aumento alarmante de casos, a fiscalização também se intensificou. O secretário de saúde, Amarildo Sousa, revelou no início do ano, que o Ministério Público (MP) deu o aval para que, ao visitar os imóveis, os agentes tenham autoridade para fazer seu trabalho, mesmo que o proprietário se recuse.

— Em alguns casos, teremos de usar a força policial — esclareceu.

Medidas

Para combater a dengue, o Município realizou diversas ações. Tão logo a situação preocupante foi detectada, ainda em janeiro, Semusa anunciou medidas para combater o mosquito Aedes aegypti.

No início do ano, a pasta alertou para a possibilidade de uma epidemia na cidade, devido ao cenário parecido. Dentre as mudanças, estava o adiantamento do “Dia D” de abril para fevereiro. A intensificação de mutirões de limpeza e a aplicação também estiveram nas ações de combate a dengue.

Conforme informou à reportagem, a Prefeitura aposta na visitação de agentes de saúde nas residências, mutirões, blitz educativa, bloqueio e fumacê.

Aerosystem

As ações de controle do mosquito da dengue em Lagoa da Prata, há 107,6 km de Divinópolis, receberam o reforço de uma nova tecnologia para combate ao vetor: o Aerosystem. O equipamento de aplicação espacial é utilizado para eliminar as fêmeas do inseto dentro das residências e consiste na aplicação de inseticida, o permetrina.

Em Divinópolis, a tecnologia ainda não foi utilizada, conforme informou o Município, o Estado prioriza o uso do produto para os municípios que tiveram confirmação por Chikungunya.

O método utilizado pela primeira vez na região Ampliada Oeste pulveriza o inseticida dentro do domicílio. Para uma melhor utilização e eficácia do produto, as janelas devem estar fechadas e o morador aguardar por 30 minutos do lado de fora da residência.

Chikungunya no Estado

Em relação à Febre Chikungunya, Minas Gerais registrou 640 casos prováveis da doença. Em 2019, até o momento, não houve registro de óbitos suspeitos da doença. Mais informações no Boletim Epidemiológico do Estado.

Apesar dos números exorbitantes de dengue, o município ainda não tem casos de chikungunya, nem de zika vírus.

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