Casa do povo, e não da ‘mãe Joana’

Bob Clementino 

Nas minhas assessorias a prefeitos, deputados, vereadores, presidentes da Câmara Municipal e sindicato, sempre tive que repetir a expressão popular  para algumas pessoas que queriam fazer o que  bem entendesse: “aqui é a casa do povo, mas não é a “casa da mãe Joana””. Há uma tendência por parte de muita gente achar que a Prefeitura, a Câmara Municipal e sindicatos, por serem chamados de “casa do povo” permitem comportamento livre ou sem censura. É um pensamento errado. São casas do povo, mas com regras de condutas e respeito por parte de quem ali transita.

Cachorros e periquitos

Pela última vez, suponho, pretendo falar do imbróglio envolvendo o presidente da Câmara Municipal de Divinópolis, Rodrigo Kaboja (PSD),
e o vereador Matheus  Costa (CDN). Matheus  denunciou que Kaboja usou veículo da Câmara e se serviu de dois assessores para buscar um cão em sua residência, em função de consulta, e o deixou preso por quatro horas na casa de máquina do ar-condicionado da Câmara.  De acordo com o denunciante, o cão latiu desesperadamente por horas a fio. Em revide, Kaboja publicou nas redes sociais, um vídeo de Tite, assessor de Matheus, desfilando nos corredores da Câmara com um periquito na gaiola. Comentários dão conta de que o periquito também ficou por mais ou menos
quatro horas no gabinete do vereador Matheus Costa. É necessário que ambos os vereadores saibam: que a Câmara não é a “casa da mãe Joana”.  Depois  de investigações, é dever que esses dois parlamentares reparem as despesas que a hospedagem do periquito e do cão causaram à Câmara
Municipal.

Copasa e a despoluição dos riachos

A Copasa está construindo, nas ruas que margeiam o rio Itapecerica,   interceptores que não permitirão que os esgotos caiam no rio e que os
conduzirão para a grande Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) em obra no local chamado de “Cachoeira do Caixão”, no bairro Candelária.

Riacho: esgoto a céu aberto

Há meses alerto aqui que não é justo nem legal que a Copasa, porque construiu os interceptores, tenha o direito de cobrar dos usuários 90% do valor da água na conta mensal do consumidor. A lógica é que não adianta a empresa construir os interceptores às margens do rio, se os riachos continuam a poluí-lo. É preciso que a Copasa construa os interceptores de esgotos em todas as margens dos riachos, que formam esgotos a céu aberto em Divinópolis.
Essa é uma boa pauta para  candidatos a prefeito e a vereador explorarem,
porque atinge o bolso do eleitor.

 
Mais do nunca PPP

Os desafios impostos pela pandemia vão abalar a economia no Governo Bolsonaro, com reflexos nos estados e municípios. Por isso, a reconstrução do país, mais do que nunca, vai passar pela Parceria Público-Privada (PPP). Essas parcerias constituem um modelo de financiamento e/ou de concessão em que  o investidor
privado divide com o poder público os riscos de um investimento.

Desafio aos candidatos a prefeito

Na Prefeitura, o ex-prefeito Demetrius Pereira demonstrou por ações que tinha credibilidade com o empresariado. Por diversas vezes empresários foram parceiros de seu governo, sem contrapartidas por parte da Prefeitura. Prova maior foi a compra do terreno onde hoje está construída a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), que teve apoio de vários empresários. E, nestes tempos de pandemia pela covid-19, entendo que o prefeito de Divinópolis a ser eleito em 2020 há de ter esta mesma credibilidade, uma vez que o isolamento social horizontal, com fechamento do comércio, indústrias e
prestação de serviço, vai reduzir e muito o já deficitário orçamento municipal.

Qual?

Qual candidato a prefeito de Divinópolis terá a credibilidade para assumir a reconstrução social e urbana do Município? Qual tem a capacidade e as condições de liderar as articulações com o Estado e com a iniciativa privada para recolocar Divinópolis nos trilhos do
desenvolvimento? Lembremos que, há muitos governos, a situação em Divinópolis, não se modifica: ou se fazem obras ou se pagam salários em dia. As duas coisas, simultaneamente, têm sido impossível de tocar. Com o isolamento social parando a economia, o desafio será maior.

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