Cartório de Registro tem recorde de certidões de óbitos em abril

Foram 230 publicações nos primeiros 26 dias em Divinópolis, número 125% maior do que o mesmo período do ano passado

Bruno Bueno

O Agora trouxe na última semana uma matéria com os dados de que somente o mês de abril registrou mais mortes por covid do que todo o ano de 2020 em Divinópolis. Apenas durante os 26 dias do quarto mês de 2021, a cidade teve 119 óbitos confirmados, 18 a mais do que foi registrado entre março e dezembro do ano passado. 

O impacto dos números também chegou ao Cartório de Registros Civil e Pessoas Naturais de Divinópolis que confirmou, na tarde de ontem, um recorde de certidões de óbitos emitidas no mês de abril, que já conta com 230 publicações nos primeiros 26 dias. Para se ter uma ideia, no mesmo período do ano passado, durante o começo da pandemia, a repartição pública registrou 102 certidões. Os números apresentam aumento de 125%.

Segundo o responsável pelo Cartório, Eduardo Matar, responsável pela divulgação dos dados, o aumento do número de óbitos acontece por conta do novo pico da doença na cidade.

— Não se pode afirmar que todos os óbitos vieram por covid-19, mas o aumento com toda certeza acontece por conta do recorde de mortes da doença na cidade — disse.

Uma das funcionárias que atualizou os números ao Agora afirma que o grande número de mortes assusta até mesmo quem já trabalha com certidões de óbitos.

— Um livro de certidões de óbitos é preenchido quando se registra 200 mortes. Antes da pandemia, nós publicávamos um a cada três meses, quatro meses. Em abril, completamos um livro em 20 dias. É assustador —  afirmou.

Levantamento

Com apoio do cartório, o Agora fez um levantamento do número de certidões de óbitos publicadas em Divinópolis nos primeiros quatro meses de 2020 e 2021.

2020

Janeiro - 101

Fevereiro - 97

Março - 111

Abril - 102

Total dos primeiros quatro meses de 2020 - 411 certidões de óbitos

2021

Janeiro - 153 (aumento de 52%)

Fevereiro - 118 (aumento de 22%)

Março - 132 (aumento de 19%)

Abril (26 dias) - 230 (aumento de 125%)

Total dos primeiros quatro meses de 2021 - 633 certidões de óbitos

Mais números 

Ampliando o levantamento para o Estado, a Associação dos Cartórios de Registro Civil do Brasil apontou, em pesquisa feita nas últimas semanas, uma enorme subnotificação de casos da doença no país. Representantes da entidade alertaram que no mês de março as notificações de síndrome respiratória aguda grave nos atestados de óbito subiram consideravelmente. Vale ressaltar que a doença não entra como estatística de covid-19 nos cartórios.

Apesar da possível subnotificação, o número de mortes por coronavírus correspondeu a 43% do total em Minas no mês de março. Em julho do ano passado, o índice era de 18%.

Sete mortes

Acrescentando aos tristes números registrados pelo Cartório, a Prefeitura  confirmou, na tarde de ontem, mais sete mortes em decorrência do coronavírus na cidade.

Uma mulher de 72 anos, portadora de diabetes mellitus, hipertensão arterial e hipotireoidismo foi a primeira morte confirmada. Além dela, outra, de 67 anos, portadora de doença cardiovascular crônica, também faleceu. 

A Prefeitura ainda confirmou o óbito de mais duas mulheres após complicações da doença. As duas, de 41 e 53 anos, são portadoras de doença cardiovascular crônica e imunodeficiência. A última também era obesa.

Outros três homens também morreram depois de contraírem o vírus. O primeiro, de 56 anos, era  portador de diabetes mellitus, hipertensão arterial e pneumopatia crônica. Os outros dois, de 69 e 71 anos, tinham doença cardiovascular crônica.

Com os registros, Divinópolis alcançou a marca de 331 óbitos pela doença, sendo 175 homens e 156 mulheres. Outras três mortes estão em investigação. Vale ressaltar que dos mais de 300 óbitos confirmados, 119 foram registrados somente no mês de abril.

Casos

A Prefeitura também confirmou, por meio do boletim epidemiológico, o registro de mais 715 casos suspeitos da doença entre a última sexta-feira, 23, e ontem. A cidade tem 58.037 notificações de suspeitas. A taxa de testagem, no entanto, é de apenas 22,86%. Assim, dos 58.037 casos suspeitos, somente 13.273 foram testados: 11.070 confirmados, 2.197 casos descartados e seis em análise.

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