Carta ao povo de Deus

Maria Cândida - Rotativa 

DOM JOSÉ CARLOS DE SOUZA CAMPOS, BISPO DIOCESANO DE DIVINÓPOLIS, Divinópolis, 15 de novembro, festa da democracia brasileira e memória de Santo Alberto Magno, de 2020.

Amado povo de Deus da Diocese de Divinópolis: diáconos, sacerdotes, religiosas(os), consagradas(os), lideranças leigas, irmãs e irmãos,

  Passaram-se oito meses desde que nossa vida pessoal e social, pastoral e litúrgica sofreu um grande e difícil achatamento e uma inevitável limitação. Não poderíamos ter agido na contramão do cuidado e do enfrentamento. Tivemos um comportamento bastante homogêneo. Agradeço-lhes por isso, já que pesava sobre a cabeça do bispo a decisão sobre o que fazer diante das muitas variações que tivemos na nossa Grande Casa de 25 municípios. Soubemos enfrentar juntos e em comunhão este tempo amargo. Foram muitas cobranças, reclamações, insistências da parte de grupos de fiéis e de segmentos da sociedade, mas julgo ter feito o mais sensato que minha consciência pastoral, minha responsabilidade de liderança religiosa e o bom senso sugeriram-me.

 Agora, com vidas que tombaram na pandemia e que serão recordadas na memória viva da fé e com nossas comunidades e grupos abalados e enfraquecidos no dinamismo da missão, precisamos ir retomando gradativamente o “novo cotidiano” (julgo que a palavra “cotidiano” é mais dinâmica e rica que a palavra “normal”). Faremos isso sem imaginar que tudo já passou e que a pandemia tenha acabado e sem dispensar as cautelas e recomendações, que talvez fiquem quase como aprendizado da pandemia para a vida que segue.

A partir do primeiro domingo do Advento, 28 e 29 de novembro de 2020, início de um novo tempo e novo ano litúrgico, começaremos também nosso caminho de retomada mais ampla das atividades pastorais. As atividades litúrgico-celebrativas estejam debaixo das proporções permitidas pelo espaço-distanciamento possível e das medidas de cuidado, segundo as instruções anteriores (higienização, distanciamento, máscara). Devem ser retomadas as Celebrações da Eucaristia ou da Palavra nas comunidades rurais ou periféricas das paróquias, a não ser que a comunidade, por circunstâncias sérias, opte por esperar um pouco mais. 

Onde não houver determinação municipal em contrário, as reuniões das pastorais e movimentos, os grupos de oração e de terço, os grupos da novena de Natal, os diversos conselhos das comunidades e demais organismos eclesiais podem retomar suas atividades segundo os critérios de quantidade de pessoas e local disponível. Faça-se uma escala de participação se o grupo for muito grande. Também para algumas atividades podem ser usados os espaços externos que possuímos próximos das Igrejas e dos centros pastorais.Evitem-se aglomerações fechadas e de risco, bem como as confraternizações,que põem muitas pessoas próximas e por um tempo longo. Os portadores de fatores de risco estão dispensados ainda da presença física aos encontros. Onde for possível, opte-se pelo encontro híbrido, ou seja, presencial e virtual ao mesmo tempo, para favorecer os que podem acompanhar a distância. Contudo, ainda não se retome a catequese presencial semanal, nem para a Comunhão Eucarística nem para a Crisma, mas retomem-se as preparações de pais e padrinhos para o Batismo e a preparação de noivos para o Matrimônio, seja na modalidade virtual ou presencial em pequenos grupos (recordar aos noivos a necessidade do contrato civil prévio como documento integrante do processo para a celebração do Sacramento do Matrimônio na Igreja, devendo-se pedir ao bispo a devida licença para dispensar o casal, de modo temporário ou definitivo, da realização do contrato civil).Se as preparações forem presenciais, atenham-se à proporção entre ambiente e número de participantes.

A palavra primordial é: vamos nos cuidar. Ninguém brinque com a pandemia nem com a vida nem com morte. Ninguém está obrigado a voltar agora ou será excluído pelo número de faltas aos encontros. O bom senso exige novas regras, novos formatos, novas iniciativas, novos critérios.Caso haja novas determinações proibitivas ou restritivas da parte das secretarias municipais de Saúde e de Enfrentamento da Covid-19, elas sejam prontamente respeitadas e assumidas pelas comunidades.

Até o sábado/domingo do Primeiro Domingo do Advento, vamos preparando nossos ambientes para a retomada.

As celebrações eucarísticas com as comunidades presenciais podem continuar sendo transmitidas (todos os dias ou pelo menos aos domingos) pelas redes sociais das paróquias. Talvez esta realidade híbrida (presencial e virtual) tenha vindo para ficar, resguardando sempre a indicação da primazia da celebração presencial na comunidade. Contudo, favorecendo, com a continuidade das transmissões, que os impossibilitados estejam em sintonia com a sua comunidade de fé local.

Rezemos todos os dias e sempre pelo fim das pandemias que desorganizam ou ceifam as vidas e para que guardemos as muitas lições que aprendemos neste tempo de isolamento, privação, ausência, limitação sacramental. Que a pandemia não tenha sido em vão ou um tempo sem aprendizados. De tudo se aprende, às vezes com dor e com perdas. 

A todos, convoco a um pacto pela vida e pelo cuidado, a uma retomada consciente e séria do  nosso caminho de fé na Igreja, ao exercício cotidiano de uma esperança  inabalável n’Aquele que é o Senhor da História, na via fecunda da caridade misericordiosa.

 

                                                          Dom José Carlos de Souza Campos

                                                        Bispo da Diocese de Divinópolis

 

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