Carta aberta ao prefeito Galileu

Rotativa -  Maria Cândida 

 Prezado prefeito,

Com responsabilidade e entusiasmo estamos vivendo mais um momento eleitoral na nossa cidade como em todo o Brasil. Afinal, tantos lutaram, laboraram e se desdobraram para que alcançássemos a graça de escolhermos nossos representantes em escolhas cívicas quais sejam confiarmos a alguns a responsabilidade de nos representar em situações muito decisivas e especiais. Nem sempre foi assim, se lembra? 

Hoje, Galileu, já por quatro vezes lhe delegamos em eleições livres tal responsabilidade à frente dos destinos de nosso Munus. É muita confiança! 

E podemos concluir que, se tal delegação não tivesse tido resultado satisfatório, pelo menos, tal delegação nem acenaria mais. No entanto, ela arrisca, completando agora quatro vezes. 

Chegamos a pensar que se tratava agora, nas próximas eleições, de missão cumprida quando então o herói entrega as armas e se despede sob aplausos ou vaias e mais cobranças e mais palmas. Na verdade, sobreviver perigosamente a tantos desafios e cobranças e, às vezes, ingratidões já é uma vitória.

Até aí, sem respostas diferentes. Afinal, quem se veste desta armadura de sobrevivente de pelo menos razoável saldo depois da batalha é guerreiro que merece respeito, descanso e medalhas e hinos de louvor graças à missão cumprida no reino dos sobreviventes. 

Só que tem, Galileu, é que a história não é tão linear e simples. Assim sendo, nos reserva surpresas, como agora aqui em Divinópolis. Trata-se da notícia de que nosso prefeito Galileu Teixeira Machado pretende se candidatar mais uma vez a dirigir os destinos de nossa cidade, tendo já se candidatado mais uma vez, ou melhor, pela quinta vez a ser prefeito de Divinópolis. 

A notícia provoca reações diversas. Há quem se manifeste a favor da nova aventura, argumentando que agora ele já acumulou mais experiência nas quatro vezes anteriores em que foi eleito e governou a cidade, tendo acumulado mais sabedoria e conhecimento, superando agora desempenho melhor que o anterior. E quem pensa e defende tal opinião não são somente os possíveis aquinhoados de benesses futuras pessoais e familiares, com o argumento que nenhum outro candidato a prefeito terá a experiência e desempenho de Galileu. Podem até ter in-certa razão, não é, Galileu? Mas acumulam-se também experiências negativas e ações nada exemplares que foram sendo agregadas distraidamente... Afinal, nada é perfeito, não é, prefeito?

Quanto a mim, prefeito Galileu, somo outra preocupação também: é hora de pegar uma calculadora e contabilizarmos, sem erro, a quantidade de anos de idade percorrida que somamos. Sem erro nem desvios contabilizados, e pouco exagero, estamos beirando o centenário de idade, Galileu! E é cada um, não é somados, não... Tem a hora de começar e a hora de parar, prefeito! Até experiências contabilizadas são vencidas e perigam tropeçarmos nelas. Muitas vezes tais decantadas experiências não passam de tropeços nas nossas próprias vaidades, ó prefeito!

O bom guerreiro merece ter o bom combate premiado com o justo descanso e respeito dos cidadãos, ó prefeito. Fica o exemplo de cidadania, a vocação de servir a sua terra amada, esta que “nos viu nascer”... Você deixa o exemplo de que ninguém precisa forçar e até maquiar situações entre pontos negativos e positivos de seu governo. Afinal, vivemos é mesmo de saldo... 

Não, Galileu, você já contribuiu com muito esforço, dedicação e exemplo de cidadania. Pelo menos. Agora, o acompanho, nós que beiramos o centenário, com um pouco de exagero, para rezarmos aquela oração que o poeta Olavo Bilac nos dedicou e que aprendemos na escola. Retiremo-nos da liça com dignidade da missão cumprida, e passemos a espada a outro, Galileu, e vamos curtir como fiscais e plateia atenta seus desempenhos e curtindo de fora a peleja do novo herói que empunhará a espada, veste a capa do guerreiro, e vai à luta correspondendo à escolha do povo.

Nossa hora, agora, é nossa mesmo. Vamos assistir de camarote e torcer para que nossa Divinópolis mereça a dedicação e coragem de tanto Sancho Pança que aposenta a farda, elenca o canto do herói de missão cumprida, e que, agora, assiste tudo de camarote e cobra para que deixem exemplo edificante e digno para nossa Divinópolis.

Afinal, Galileu, missão cumprida, o descanso, o olho crítico do experiente e cobrança dos que sentarão na cadeira , às vezes desconfortável para servir ao povo, estará aí às ordens… Cidadania é um valor que vem grassando por aqui. Cobrança e olho crítico ajudam bem.

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