Cara de feriado

Preto no Branco

Segunda-feira e terça normais com autorização de decretos municipal e estadual, mas com cara mesmo de feriado de Carnaval. Apesar de na Prefeitura e Câmara ser expediente normal, o que se viu nas ruas não foi isso. A maioria preferiu seguir os dias parados e descansar da loucura do dia a dia para encarar o restante do ano, que ninguém sabe ainda como será. Pelo menos na saúde, a normalidade foi total e é isso que precisa neste momento, pois, mesmo com a chegada minguada das vacinas, o vírus não para de circular ‒ os hospitais lotados, o crescimento de casos e mortes provam isso. Todo cuidado ainda é pouco. 

Não para 

E a saúde não para mesmo. A chegada de pacientes de covid-19 para Divinópolis neste fim de semana foi um exemplo disso. Com o sistema de saúde saturado, as cidades de Monte Carmelo e Coromandel, no Triângulo Mineiro, enviaram pacientes para receber atendimento em Divinópolis. Foi uma verdadeira operação aérea e por terra para tentar salvar estas vidas que, infelizmente, não têm culpa de seus municípios não terem a estrutura adequada. A medida é prevista na Secretaria Estadual de Saúde (SES), que determina atendimento em outro município, caso o de origem não tenha condições de oferecer no momento ‒ o que já é estabelecido para outras situações, porém com a covid-19 ficou mais em evidência. É justo? Demais, e o paciente que depende de saúde pública não pode pagar as consequências de uma saúde brasileira frágil e deficiente. O que precisa é priorizar tanto os pacientes locais quanto os das cidades que fazem parte das macrorregiões e micros. Mesmo assim, sempre há desabastecimento, imagine quando vem de longe. 

UPA e São João 

Por um lado, ótimo, a chegada de pacientes à cidade, pois, se estão vindo em grande escala, significa que a situação por aqui está meio que tranquila. E o prefeito Gleidson Azevedo (PSC) garante isso. Mas todos sabem que não é bem assim, mesmo levando em conta que durante toda a pandemia as ocupações na cidade, apesar de preocupantes em vários momentos, não estiveram 100% lotadas. Mas, há de se lembrar que apenas a UPA e o Complexo de Saúde São João de Deus oferecem vagas pelo sistema público de saúde e que, muitas vezes, já enviam pacientes para fora por falta de vagas. Por isso a necessidade de se avaliar com todos os critérios possíveis, apesar de o prefeito e o secretário de Saúde garantirem que não representa nenhum risco para os nossos pacientes. Se é assim, ficamos mais tranquilos. 

Uma vez irresponsáveis 

Sempre egoístas e sem um pingo de empatia. O que pode mais uma vez ser comprovado nestes dias de carnaval, quando estão proibidas aglomerações.  A abordagem feita pela Polícia Militar (PM) a cerca de 70 pessoas na Praça do Santuário em Divinópolis é um exemplo disso. E a tamanha irresponsabilidade é demonstrada quando não se vê ninguém se protegendo com máscaras. Pelo Brasil afora, a PM teve muito trabalho, muitos eram espantados de um lugar e se juntavam em outros. Parecia uma manada de boi disposta a invadir uma terra mesmo cercada. Bebida e droga rolando solta, enquanto milhares agonizam nos hospitais, nos CTIs, e centenas à espera de vagas. Enquanto tiver gente deste tipo, parecendo políticos, que só pensam no próprio umbigo, pode juntar as forças de segurança de todo o país que não dão conta. Infelizmente, o brasileiro não sabe participar, cobrar e muito menos agir. 

Pode faltar 

Certeza se tem que em nenhum momento esse povo afoito por folia e desordem pensou que a falta de planejamento e boa vontade do governo federal pode ocasionar a falta de vacina em todos os estados brasileiros. Governadores já estão apreensivos e já há o temor de que nesta semana já podem faltar doses. Claro, já era esperado, visto que as formas de produção e como está se comprando fora do país, vai demorar e muito para imunizar metade da população brasileira. No entanto, há quem pense que todos já estão imunes. Essa é a expectativa de todos, mas, infelizmente, fica claro e notório que isso vai demorar a acontecer. Sem contar com essa nova variante do vírus que não demora a se espalhar. Portanto, a situação ainda é muito delicada, e se cada um não fizer a sua parte, isso pode chegar ainda mais longe com consequências incontroláveis. Essa é a realidade que muitos fingem não ver.

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