Cansativa

Preto no Branco - Cansativa 

O retorno das reuniões ordinárias na Câmara de Divinópolis, nesta terça-feira, foi de muita falação e pouca produção. Ouvir de longe foi tão maçante e sem interesse que quem esteve no Plenário para assistir deve ter se arrependido amargamente. Aliás, não foi caso isolado. Esta Legislatura, se não der um jeito de melhorar até o fim deste primeiro ano, caminha para superar a anterior, considerada a pior da história do Legislativo. Com exceções, é claro, e raríssimas, diga-se de passagem.

Evasivos 

 Falta alguém dizer para alguns vereadores que a Tribuna Livre não é para desabafos pessoais e muito menos autoelogios. A população, não só da região que ele representa, quer e precisa ouvir assuntos de seu interesse que tragam algum tipo de benefício, ou mesmo cobranças de quem for responsável por isso. Não custa lembrar que foi para isso que ele foi eleito. Defender denominação religiosa, puxar saco de prefeito e deputado e se achar dono da verdade, sinceramente? Melhor nem fazer o uso da fala. Discursos vazios que nada acrescentam.

É de doer 

Ninguém é obrigado a saber tudo e dominar os assuntos. Cada pessoa tem seu limite de aprendizagem e seu jeito particular na oratória. Mas, quando se assume um cargo público que fale direto com o povo e profissionais aos quais aquele assunto interessa, é obrigação saber pelo menos distinguir a função dos poderes. Especialmente, a do Legislativo e Executivo. Infelizmente, ao ouvir alguns discursos, percebe-se que alguns vereadores não sabem nem como funciona a hierarquia na Saúde em termos governamentais. Ou mesmo que existe terceirização para gerir uma unidade municipal, por exemplo. Ouvir que a má vontade do atendimento médico na UPA é culpa do governador Romeu Zema (Novo) dá vontade de sair correndo! 

É de quem?

Antes do recesso parlamentar também o Hospital Regional por muitas vezes foi usado para atacar Romeu Zema de forma equivocada. E olha que foi por vereadores  que muita gente jura ser bem informado. Por muitas vezes, se ouviu: “Eu mandei ofício para o governador cobrando”, “Romeu Zema é o culpado, pois prometeu terminar a obra e não cumpriu” etc. Isso já era meados de maio, dois meses já que o projeto estava na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), travado por interesses políticos. No início de julho, após o Estado ser obrigado a atender interesses dos deputados que já estão com a cabeça em 2022, ele foi aprovado. Aguardemos quem será o próximo apedrejado pelo achismo e o desespero em aparecer. 

Haja cursos 

O presidente da Casa, Eduardo Print Jr., até tem tentado melhorar o vocabulário e fazer com que os discursos sejam menos prolixos e ruins, por meio de cursos e conversas. No entanto, até agora, parece ter surgido pouco ou nenhum efeito. Teimosos e donos da razão, é bem capaz de achar que é perda de tempo. Isso vale principalmente para alguns mais experientes que fincaram raiz em um jeito de ser e agir e são tolerantes às mudanças. Neste sentido, cabe dizer que não só em carreiras longas, mas para vida nossa no dia a dia, aprender nunca é demais. Aceitando as críticas construtivas, nos aprimorando e acompanhando as evoluções do mundo, ainda morremos sem saber. Ou se tem humildade em prol do crescimento ou o presidente pode buscar alternativas durante todo o tempo que lhe resta de mandato que nada vai adiantar. E ainda corre o risco de levar parte da culpa. 

Idem 

O pior ainda é que não se vê uma situação muito diferente no Executivo. Os dois poderes já costumam não se bicar, imagine nesse nível. Falas desconexas, tom nada recomendável para se dirigir às pessoas e o tal de “Eu sou assim mesmo, o importante é fazer isso, aquilo e aquilo outro”. Nada que justifique. Só para refrescar a memória: estão lá  exatamente para isso e, se outros não fizeram, o problema é deles. Façamos a nossa parte sem perder a sensatez, a educação, a cordialidade e o respeito. Princípios básicos para uma boa convivência. 

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