Candidatura de Lacerda ao Governo de MG foi destituída de forma 'sorrateira e covarde', diz Jaime Martins

Ricardo Welbert

Na sexta-feira, 24, um dia após anunciar a desistência da candidatura ao Senado, o deputado federal Jaime Martins (PSD) recebeu jornalistas em sua casa em Divinópolis para comentar o que ele chama de “destituição sorrateira e covarde” da candidatura de Marcio Lacerda ao Governo de Minas.

— A candidatura dele foi destituída de maneira sorrateira e covarde. Era um projeto livre, de espírito público republicano, de renovação, de um novo caminho por Minas — declarou. 

O que o levou a desistir da candidatura ao Senado? 
Vocês acompanharam nos últimos meses a nossa trajetória. Estávamos fazendo um projeto político pra Minas Gerais em torno de uma terceira via, que pudesse ser independente, que pudesse representar uma esperança para os mineiros e o nome que nós encontramos com maior viabilidade eleitoral era o nome de Marcio Lacerda, um homem experimentado, oito anos prefeito de Belo Horizonte. Dos oito anos, cinco vezes ele foi considerado o melhor prefeito do Brasil. Um homem acostumado a gerenciar com austeridade. Um homem não muito afeito aos conchavos políticos que têm sido tão prejudiciais ao nosso Estado e ao nosso país e com condições intelectuais de capitanear um projeto dessa grandeza. Caminhei com ele por todo o Estado de Minas Gerais, fizemos juntos um projeto e a nossa engenharia política ao final se mostrou muito bem feita. Nós conseguimos reunir sete partidos importantes do nosso Estado. Conseguimos reunir o segundo maior tempo de televisão. Conseguimos agregar em todo esse projeto maior número de parlamentares e a opinião pública estava aceitando muito bem esse projeto, mesmo ele não tendo tido a oportunidade de ir pra rua na forma de campanha. Marcio já apresentava como um terceiro nome nas pesquisas, entretanto sem nenhum nível de rejeição. Enquanto os partidos tradicionais apresentavam rejeições sempre superiores a 50%. Temos partidos aí que rejeição hoje chega a dois terços do eleitorado, a 65%. Esse projeto veio caminhando. A previsão era de que eu entrasse como vice nessa chapa com o Marcio Lacerda e acabou tendo uma interferência no partido do Marcio. Uma interferência externa, que veio de cima para baixo, um desses acordos políticos que a gente tem condenado tanto, dada a fragilidade da nossa legislação partidária, que permite que um presidente de partido possa interferir em qualquer diretório do país, seja um estadual, municipal, então nós fomos atingidos por essa intervenção em Minas Gerais, que de forma abrupta tirou dos mineiros a possibilidade de fazer a livre escolha do candidato ao governo. Minas está numa situação caótica, extremamente difícil e que nós pretendíamos era fazer um projeto para salvação de Minas Gerais. A partir do momento em que Marcio Lacerda foi excluído da disputa, isso já se deu no adiantado da hora, já na última semana, nós, de fato, procuramos alternativas que pudessem suprir a ausência do Marcio e, claro, um tempo tão curto já na semana que vem iniciamos os programas eleitorais na TV, estruturar uma campanha no Estado grande e complexo como Minas não é uma tarefa fácil. Eu fui cogitado para capitanear esse projeto, tive o apoio e a solidariedade da totalidade dos parlamentares envolvidos, de todos os partidos. Entretanto, houve detalhes que acabaram por não se complementar, dada a necessidade de algumas coligações proporcionais que o partido ao qual estou filiado não achou por bem não ceder. Que era coligação proporcional de deputados. Então, não poderia mais alongar essa tarefa. Era preciso achar uma escolha e foi colocado o nome do presidente da Assembleia de Minas, Adalclever Lopes, como candidato desse grupo de partidos. O PMDB vinha nesse grupo como um coadjuvante. Ele vinha num apoio. Pleiteou então assumir a cabeça de chapa e eu achei por bem me retirar da disputa e deixar o presidente da Assembleia bem à vontade. Porque trata-se naturalmente de um novo projeto, de uma nova missão, construído por uma nova pessoa. E não era um projeto que eu estava comprometido com ele desde o início. Então, deixei ele à vontade para que ele escolhesse seu vice, o seu candidato ao Senado. Ele está exatamente nesse momento fazendo essas tratativas e ele está dizendo que na segunda-feira ele vai anunciar a chapa completa, com o nome do seu vice e do candidato ao senado e seus suplentes. Eu fui convidado, me fizeram um apelo para que continuasse na chapa como vice ou como candidato ao Senado, mas declinei desse convite em função de que estou na vida pública não para perseguir cargos ou para perseguir espaços políticos no poder. Estou na vida pública para construir projetos que possam ser bons para o Estado e que eu tenha confiança de recomendar aos meus eleitores, àqueles que me seguem durante a minha vida. Como esse é um projeto novo, nós temos que, naturalmente, nos debruçarmos sobre ele com confiança. O Adalclever, que é um jovem talentoso, mas temos que ter bastante segurança antes de recomendá-lo aos nossos eleitores. É um homem de bem, não tenha dúvida, mas é um projeto novo e eu quero ter cuidado com isso. Não deixarei de estar colaborando com a vida pública, não deixarei de estar atento às coisas que estão acontecendo ao redor. Não deixarei de estar preocupado com a situação do Brasil, de Minas. Vivemos um momento extremamente delicado, um momento de divisões. O país está dividido e perigosamente assim com divisões histriônicas, barulhentas, perigosas, então acho o que nós temos que buscar orientar os eleitores pedir a Deus que possa deixar cada um bastante esclarecido da importância cidadã da participação. Que hoje o maior adversário de todos os homens públicos não é o outro candidato. O grande adversário é a indiferença. O grande adversário é a omissão das pessoas de bem que não querem votar. Não querem se manifestar. Elas estão absolutamente descrentes com todos os homens públicos desse país. Alguns chegam a 70%, 80% de rejeição da opinião pública e acho que a nossa missão e vocês da imprensa são fundamentais nisso, é esclarecer as pessoas de que é preciso mais do que nunca participar. Nós só vamos tirar da vida pública os maus políticos, os ladrões, os bandidos, votando e participando. Os homens de bem hoje estão com medo de se candidatarem. Estão com medo de colocarem o seu nome a apreciação da população e serem confundidos com bandidos, com espertalhões. Não estamos mais conseguindo trazer no seio da sociedade pessoas de bem para a vida pública. Essa nossa rejeição. Essa nossa impressão de que todos os homens públicos são bandidos acabam afastando as pessoas de bem. Então, nós temos que reverter isso. E perceber que na vida pública, como em qualquer meio, existem as pessoas de bem e existem os maus, os bandidos, aqueles que se aproveitam. É assim em todos os meios. É assim na imprensa, advocacia, meios empresarias, sempre tem as pessoas de bem e sempre têm os bandidos, espertalhões, aqueles que querem substituir a competência pela esperteza. Então é importante, mais do que nunca, que nós façamos essa pregação. Homens de bem, salvemos o Brasil. Façamos isso votando, participando, trazendo essa participação que não é apenas um direito. Acho que, mais do que nunca, essa participação é uma obrigação. A gente ir, votar e escolher bem para tirar os bandidos. Quanto mas os homens de bem se afastarem da vida pública, mais os bandidos vão tomar conta. Se o homem de bem não votar, aquele militante interessado diretamente no resultado do processo eleitoral não se afastará. E esse votará pelo seu interesse pessoal, pela sua militância, vai arrastar os seus amigos, os seus companheiros, as sua família e vamos acabar elegendo bandidos com poucos votos da imensidão de votos brancos e nulos e processo estará exatamente na contramão daquilo que a sociedade que Minas e que o Brasil precisam. A depuração. O processo eleitoral tem que servir como depuração. Vamos pegar os novos bandidos e vamos afastá-los da vida pública. Vamos trazer pessoas novas ou mesmo manter aqueles que se revelaram ao longo do tempo homens de bem, comprometidos com o bem comum. 

Quando o senhor fala em “afastar os bandidos”’ e dar um apoio a novas lideranças e ideias, quem o senhor está defendendo? Porque hoje o senhor acabou de falar que é um projeto que de se ter cuidado ao pedir votos nessa chapa que vai ser montada pelo Adalclever. Qualquer será o papel do Jaime nessas eleições e quem seria o “bem” hoje? Quem o Jaime está disposto a apoiar a partir de agora? 
Veja bem: essa decisão de não me candidatar ao Senado foi anunciada ontem. Portanto, não tivemos nem 24 horas ainda dessa colocação. A montagem do projeto, embora á tão em cima da hora, a montagem do cenário político de Minas ainda não está concluída. Estou vendo o Adalclever na luta para montar a sua chapa. Eu quero poder ter mais algumas horas. Mais uma semana para me fazer uma avaliação desse cenário para eu tomar uma posição. É claro que como homem público, com vários mandatos eu não poderei ser omisso diante desse cenário. Se eu estou criticando a omissão, se estou criticando que as pessoas estão me dando as costas para esse processo eleitoral, se eu estou criticando que as pessoas estão assim indiferentes com aquilo que talvez seja coisa mais importante da vida de cada um, porque o que é que mexe mais com a vida da pessoa do que a escolha de um homem público? De um homem que vai gerenciar o seu país, o seu estado, que vai fazer as leis que ele deve cumprir, de alguém que vai cuidar dessa massa de tributos. Quase 40% do que nós produzimos vai para impostos. E esse imposto deve voltar ao cidadão como educação, saúde, segurança pública e não está voltando. Então, se nós não nos escolhermos pessoas boas, nós estaremos jogando o nosso dinheiro no ralo. Estão é um dinheiro que é da população, que é do povo. É preciso que haja esse sentimento. Nós ao escolhermos um governante, nós estamos escolhendo aquele que vá tomar conta do nosso dinheiro. Na política deve ser da mesma forma. Você deve procurar pessoas que você se identifique e às quais você possa entregar não apenas o seu dinheiro que está lá, porque parte do seu dinheiro vai para lá, é imposto de renda, tributos, em qualquer coisa que você compre, em qualquer lugar, entre numa farmácia, açougue, posto de gasolina, um terço do dinheiro está indo em impostos. É preciso que as pessoas tenham essa percepção. Essa é a pessoa que vai cuidar do meu dinheiro e que vai me dar de volta escola pro meu filho, posto de saúde pro meu pai, pro meu avô; vai dar a estrada pela qual eu vou caminhar, passar com meu veículo, então nós temos mais do que nunca estarmos atentos e escolher bem. Acho que a imprensa tem um papel fundamental nessa mobilização popular. Nós estamos indo num clima ao contrário. Nós estamos indo numa direção de uma alienação de que não vote em ninguém, não participe de ninguém. Eu vejo nas mídias sociais muito risco nesse sentido nesse tipo de colocação. Acho que o que nós temos que pregar é: “vote bem”. Procure votar corretamente. Procure se informar. Não se informe apenas no programa eleitoral. Não se informe apenas no discurso do político, que às vezes é difícil identificar. Os discursos são muito parecidos. Quando você ouve o debate, todo mundo tá salvando o Brasil. O Brasil tá perfeito naquilo. Mas, procure saber a vida da pessoa – como é, se ela tem uma trajetória política, na vida pessoal. No caso daqueles que estão entrando agora, sua vida pessoal é um bom indicador. É uma pessoa de bem? É um empresário, é um homem que cumpre suas obrigações com seus funcionários, paga suas contas em dia, é bom com suas relações? Se é um sindicalista, qual é a forma de ele agir? Se for homem público, mais fácil ainda de vocês verem a sua trajetória. Se for uma trajetória de identidade com aquilo que a gente identifica como interesse público. Então, não tenho ainda a definição. Estou agradecido, solidário com o Adalclever. Estou solidário com esse grupo de partidos, até porque eles foram extremamente solidários comigo. Então, eu tenho que ter solidariedade com eles também. É até uma reciprocidade que faz parte do bom caratismo, né? Ser bom caráter. Ser agradecido àqueles que atenderam ao nosso chamado para um projeto de salvar Minas Gerais e eles estavam juntos nesse projeto. Espero que o Adalclever consiga fazer um projeto da mesma natureza com pessoas também igualmente boas e que transmitam a confiança necessária para trilharmos juntos essa caminhada em direção ao que nós desejamos, que é o futuro de Minas, melhor.

Pelo seu discurso de agora, a gente vê que também diante do cenário tendo o PT como um dos responsáveis por dissolver essa chapa, como o senhor vê a atuação do PT? Essa manobra junto a partido do Marcio Lacerda que contribuiu para dissolver essa chapa e, diante disso, já ter dito que o senhor descarta um possível apoio ao Pimentel. 
Na verdade, estamos fazendo uma avaliação de cenários e de fato ficamos tristes com esse acordo de culpa que foi feito em Brasília. Vale dizer que esse acordo não foi feito aqui em Minas. É um acordo de cúpula e no Centro desse acordo de cúpula estava o presidente do PSB, Carlos Ciqueira. Ele capitaneou esse entendimento. Ou seja: minha responsabilização é a ele, sobretudo. De tirar uma pessoa do seu partido. Uma pessoa que tinha confiado nele porque estava lá filiado, como um militante importante do partido. Num estado importante como Minas, ele tirar aquele que p poderia ser o governador. Absolutamente um contrassenso. Quem, num cenário político brasileiro, não gostaria de ter um dos seus quadros governando um Estado como Minas Gerais? Uma referência para o Brasil. Era a certeza de que o partido poderia continuar crescendo. Daria visibilidade política ao projeto do seu partido. Então, sobretudo, responsabilizo a cúpula do PSB por essa derrocada aqui em Minas Gerais. Eu não quero responsabilizar outros partidos. Cada qual está lutando pela sua sobrevivência. Cada qual está lutando pelo seu espaço político. Acho que a nossa derrocada aqui se deve, sobretudo, ao presidente do PSB nacional, que fez um acordo para beneficiar o seu estado de origem. O PSB é um partido que nasceu em Pernambuco. Um partido criado por Miguel Arraes, falecido, que era uma grande liderança da esquerda brasileira. Foi ali em Pernambuco, que é onde ele tem o seu núcleo mais forte. Lá em Pernambuco ele tem hoje o governador do Estado, Paulo Câmara. Eduardo Campos, que foi candidato a presidente da República e que foi governador de Pernambuco, é um neto de Arraes e ele dominava o PSB depois do falecimento do avô. O que foi feito foi a retirada de um candidato do PT em Pernambuco, que, por sinal, é neta de Miguel Arraes. Que teria todas as condições de vencer a eleição naquele estado. Trocando pelo candidato pela retirada de uma candidatura em Minas Gerais, que era do Márcio Lacerda. Com a troca, na minha opinião, uma troca espúria, sem legitimidade. Sem base na ética. Baseada no mais puro interesse e mesquinho interesse político. Então, a minha responsabilização é integralmente para a cúpula do PSB nacional. Então, assim, eu não responsabilizo autoridades mineiras de terem participado desse acordo de cúpula. Foram o PT nacional e o PSB nacional. E inclusive esse acordo tirou do PDT de Ciro Gomes o apoio do PSB fazia parte desse acordo de cúpula que o PSB não se alinhasse ao PDT. É uma disputa de espaços da esquerda. Quem vai ter a hegemonia de ter o discurso da esquerda do país. O PT estava, ou está, correndo o risco de perder essa hegemonia, uma vez que terá dificuldade com o seu candidato a presidente, que talvez possa não disputar as eleições, que é o candidato que está registrado e que vai ser substituído por alguém que não tem a mesma dimensão política. Entraria num quadro de disputa de quem vai dominar a esquerda brasileira: PT ou PDT. Naturalmente, se o PDT chegasse à presidência da República, iria dominar essa hegemonia pelas próximas décadas. No fundo, a disputa é de hegemonia pela esquerda brasileira. E quem pagou o pato foi Minas Gerais, na minha opinião. O povo mineiro. Marcio Lacerda foi essa figura emblemática que teve que ter a sua candidatura abortada por essa disputa nacional.

Quando o senhor fala em não disputar nada, é nada mesmo? Está descartada até uma candidatura à reeleição a deputado federal? 
Naturalmente que 24 horas após a decisão de não entrar na disputa de deputado, de senador e de governador, nós estamos conversando com as pessoas. Voltei para a casa já ontem, tarde da noite. Estamos fazendo uma avaliação. Quero dizer o seguinte: Bruce, meu filho, que está como candidato, está indo muito bem. Ontem mesmo presenciei um debate na CDL do qual ele participou. Ele se saiu muito bem. Está desenvolto, tranquilo na disputa. Nós vamos conversar um pouco e fazer uma avaliação. Mas, a avaliação que eu faço nesse momento é de que ele está muito bem na disputa. As pessoas estão aceitando de forma muito tranquila. Já existe como pano de fundo um apelo pela renovação, pela mudança. Nós precisamos agora filtrar o grau de interiorização no coração das pessoas com relação a essa renovação, porque também é verdade que nós falamos o tempo todo em renovação. Mas, hoje, a avaliação de que no congresso nacional nós não teremos mais do que 5% de novas caras assim, caras que não estejam no Congresso. Vamos ter aí 50%, 60% de reeleição e os outros 20%, 30% de pessoas que vão ser novos será um governador que está indo para deputado. Será um deputado estadual que está indo para federal. Será um ex-deputado que passou pela Prefeitura, está voltando ao Congresso. Ou seja: é uma renovação do ponto de vista de não ser uma reeleição pura, mas não se trata de alguém genuinamente diferente na política. As pessoas têm muita resistência com relação às coisas novas. As pessoas não absorvem com facilidade.

O senhor acha que o sistema contribui com isso? Estamos em um período pequeno para campanha. A questão do financiamento das campanhas favorece quem já ocupa o cargo? 
Eu votei contra o fundo eleitoral. Acho isso uma agressão ao país no momento de tantas carências mais urgentes, como educação, saúde e segurança. Mas, essa é uma realidade. O fundo eleitoral hoje está nas mãos dos dirigentes partidários, que os distribuirão de acordo com a possibilidade de a pessoa se eleger. Um candidato tradicional já tem o seu reduto eleitoral. Uma perspectiva de votos. O novo não conta com essa possibilidade. Mas aí é uma análise mais profunda que temos que fazer. Porque o problema do novo é que ele não tem muito essa visibilidade. Ele não é conhecido. As pessoas não o conhecem e claro que uma pessoa comum não se debruça sobre a vida de cada cidadão que é candidato para descobrir os seus méritos e as suas virtudes. A pessoa recebe aquilo que lhe chega. Aquilo que lhe chega, chega pela imprensa, pela televisão, pelos jornais. Então, muitas vezes é mais fácil renovar com comediantes, cantores, jogadores de futebol, porque esses chegam às casas todos os dias. São pessoas com notoriedade, mais conhecidas. Longe de serem os melhores parlamentares. O melhor humorista, cantor, jogador etc. não significa que vai ser o melhor deputado. Mas, por serem conhecidos, esses têm muito mais chance de terem a renovação. Ou seja: a renovação não é feita pela qualidade e pelo conteúdo. É feita pela notoriedade, pelo nome que as pessoas têm. Aqueles que já estão em campanha, que têm os seus redutos eleitorais, os seus prefeitos já fidelizados, que já formam uma opinião pública, sempre, não tenha dúvida, levam uma determinada vantagem nessa reta final do período eleitoral.

E a possibilidade de uma candidatura do senhor a prefeito em 2020? 
É extremamente cedo para falar disso. Estamos a 40 dias da próxima eleição e ainda estamos discutindo quem serão os candidatos a governador e senador. Hoje mesmo recebi propostas para disputar novamente o senado. Recebi apelos para ser reconsiderado na chapa do próprio Adalclever. Recebi convite da esquerda para ser candidato pela esquerda, ainda hoje pela manhã. Recebi também convite para concorrer a senador com o próprio PSDB. Ou seja: ainda existe muita movimentação em relação a essa próxima eleição. Pensar nas eleições municipais é muito prematuro. Tenho um carinho enorme pela minha cidade e farei o possível pra que ela seja uma cidade cada vez melhor. Mas, não necessariamente como prefeito. Posso ajudar como deputado, cidadão e posso ajudar mesmo não tendo nenhum cargo público. Acho que é muito cedo. Muito prematuro falar em eleições municipais. Não está no meu horizonte nesse momento.

Quais foram as siglas da esquerda que o sondaram? 
Recebi uma sondagem de setores ligados ao Partido dos Trabalhadores me dizendo que a segunda vaga ao Senado estaria disponível caso eu desejasse ser candidato ao Senado e que eles acham que a Dilma Rousseff tem um grande potencial de transferência de votos. Acham que quem estiver ao lado dela e se ela pedir votos, ela tem possibilidade de dar 10 a 15% de votos, o que praticamente asseguraria uma vaga ao Senado nessa chapa. Essa é uma das sondagens que recebi. É claro que eu não tenho como dizer pra vocês que não fico até, de certa  forma, lisonjeado por receber convites até de setores diferentes, aos quais não estou diretamente engajado. Mas é uma reflexão curiosa, né? Porque eu votei pela cassação da Dilma. Então, receber esse convite me deixa até um pouco curioso da minha trajetória, que embora eu tenha sido duro naquele momento e votei pela cassação da Dilma, porque achei que havia ali um clamor popular. Na época fiz nas minhas mídias sociais um chamamento da população sobre o que achavam em relação a esse julgamento e, naquela época, foram 95% dizendo que eu tinha de votar pela cassação. Então, votei muito sintonizado com a vontade popular. Mas ainda assim minha trajetória permite que embora você tenha sido duro em determinados momentos, ainda resta espaço para um diálogo, para busca de uma coisa boa pra Minas Gerais. Também fui chamado, embora já tenha dois senadores na chapa do Anastasia. Também fui sondado para que se eu quisesse disputar mais próximo deles, poderia estar nesse grupo. Acho que isso é resultado de uma trajetória feita sem agressão pessoal, sem nenhum nível de se considerar superior a ninguém, mas sempre buscando o diálogo profícuo e as pessoas reconhecerem que a trajetória é uma trajetória muito mais em busca do bem comum, ou seja, qualquer área ideológica que queira refletir sobre projetos bons para o Brasil e para Minas. Estarei sempre sintonizado. Como em Divinópolis, nunca permiti que divergências políticas ou pessoais com os mandatários que passaram pela Prefeitura impediram que eu tivesse sintonizado com o interesse de Divinópolis.

Alguma dessas sondagens o senhor já recusou ou deixou alguma delas esperando por resposta? 
Não. De todas elas eu praticamente declinei. A gente não pode ser descortês quando recebe um convite dessa natureza. Então, declinei o convite, mas busquei fazê-lo com elegância e educação, que são peculiares ao povo de Divinópolis.

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