Caminhos para recomeçar

Divinópolis viveu neste fim de semana mais um violento que entra para sua história. Três pessoas foram assassinadas, superando o número de homicídios registrados no mesmo período em 2018, 15 contra 9. Por mais que o pensamento “ah, mas eles estão matando entre si” perpetue na cidade, o medo, que já há algum tempo é companheiro dos divinopolitanos, não deixa de aumentar. Basta estar no lugar errado e na hora errada para que sua vida seja virada de cabeça para baixo. Os números não deixam mentir. Para quem tem fé, o jeito é andar pelas ruas da cidade sempre rezando, sempre rogando aos céus por mais segurança violência. Insegurança que cada dia mais faz dos divinopolitanos reféns do medo.

A ‘Princesinha do Oeste’, que já foi a 5ª melhor cidade para se viver, em meados de 2002, hoje mais parece um faroeste. Os “acertos de contas”, que acontecem por todos os lados, praticamente todos os dias, deixam a população em alerta. Nem de longe Divinópolis é uma cidade boa para se viver. Nos últimos anos, além do aumento da violência, a cidade traz em sua história um descaso político sem igual. Grandes obras abandonadas, outras inacabadas, outras que não cumpriram o seu papel, ameaças de greve na Unidade de Pronto Atendimento Padre Roberto (UPA 24h), uma Prefeitura “quebrada”, mas que não para de nomear, entre vários outros problemas. Sem força política, Divinópolis vem perdendo cada vez mais espaço na região e para no tempo.

Muitos ainda se perguntam: onde a cidade se perdeu? Ou, melhor, quem fez Divinópolis se perder? Apesar de as perguntas serem muitas, ninguém sabe se elas têm respostas certas ou se um dia terão. O jeito é tentar sobreviver em meio ao caos. É tentar seguir a vida e rezar, rezar muito para não precisar de atendimento na UPA, para não ficar desempregado e para não estar no lugar errado, na hora errada. O jeito é tentar encontrar caminhos para recomeçar, mesmo quando tudo indica que não. Mesmo quando tudo indica que a cidade caminha para o abismo. Mesmo quando se vê cidades pequenas ao redor crescendo e Divinópolis parando no tempo. Ou, melhor, mesmo quando a cidade vai voltando aos anos de 1990, quando o jeito de governar era totalmente diferente de hoje.

Apesar de os números dizerem que não, de o momento dizer que não, sempre há um caminho para recomeçar. Sempre haverá alguém que esteja disposto a lutar pela UPA, pela educação da cidade, pela segurança do povo. E esse “alguém”, sem sombra de dúvidas, não são os políticos da cidade. Esse “alguém” são pessoas, os profissionais de saúde que permanecem trabalhando, mesmo com os salários atrasados e a infraestrutura precária da unidade de saúde; são os professores que continuam dando aulas mesmo com os salários parcelados e tendo que lidar com adolescentes e crianças mal-educados; são os policiais, os delegados, os profissionais da segurança pública em geral que permanecem nas ruas mesmo com os salários também parcelados e o 13° salário dividido em 11x; e muitas outras pessoas que permanecem de pé, na luta por uma cidade melhor.

São esses, que não desistem e buscam sempre outros caminhos para que Divinópolis recomece sua história.

 

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