Caminhoneiros fazem ato contra Temer e pedem intervenção militar em Divinópolis; VÍDEOS

Ricardo Welbert

Manifestantes promoveram um buzinaço durante a tarde desta segunda-feira, 28, no Centro de Divinópolis. De acordo com mensagens escritas nos em veículos usados no ato, o grupo pedia o fim do governo do presidente Michel Temer (MDB) e a intervenção militar. Policiais militares acompanharam o protesto e controlaram o trânsito nas ruas e avenidas percorridas pelo grupo.

Enquanto os manifestantes mantinham seus veículos parados na rua Goiás e buzinavam, motoristas que vinham logo atrás enfrentaram lentidão no trânsito. O vídeo abaixo mostra um ônibus tentando manobrar no cruzamento com a avenida 1º de Junho. Um dos passageiros aproveita a oportunidade para descer do coletivo. 

O buzinaço chamou atenção de quem estava nas calçadas. No vídeo abaixo, um policial militar aparece orientando o motorista de uma carreta que participava do protesto. Muita gente usou celulares para registrar o ato. Alguns pedestres aplaudiram.

 

Na avenida Antônio Olímpio de Morais, o grupo fez uma breve pausa no cruzamento com a rua São Paulo, em frente ao edifício Costa Rangel, onde também recebeu atenção de quem passava. 

 

Um carro de som também foi usado na manifestação. Um caminhoneiro usou uma bandeira do Brasil para pedir por “ordem e progresso” enquanto buzinava. 

Sindicato nacional não reconhece ato

Em nota, a Associação Brasileira de Caminhoneiros (Abcam) informou que não reconhece e não vê legitimidade nesse tipo de manifestação, que, segundo a entidade, tem sido feita por grupos políticos que se aproveitam da crise gerada pela greve dos caminhoneiros para obter ganhos de seu interesse, que não são compatíveis com os da categoria profissional. 

Leia a íntegra da nota: 

"Caminhoneiros, boa tarde! Estou observando que a maioria dos participantes dessa grande e única manifestação e nunca vista em nosso país proclamam por uma “intervenção militar já” e confesso que estou muito assustado com essa posição. 

Então eu pergunto a todos esses que clamam por uma intervenção militar: vocês sabem o que é uma intervenção militar? 

Em países onde vigora o estado democrático de direito, caso do Brasil, algo como uma “intervenção militar” em que acontece o uso do poder das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) só pode ocorrer sob ordem dos poderes constituídos, isto é, dos conselhos formados por membros do Executivo e do Legislativo e com a devida supervisão do Judiciário. 

No Brasil, as intervenções militares, segundo a Constituição Brasileira de 1988, só podem efetivar-se legalmente em três casos específicos:

1) intervenção federal

2) Estado de defesa

3) Estado de sítio

Então pessoal, não podemos clamar por uma intervenção militar. Esse pedido está equivocado e não será o remédio apropriado para a nossa situação.

Devemos tomar cuidado com o que estamos postando, porque numa intervenção militar os mesmos personagens continuaram no poder e penso que o povo quer mudar justamente isso: tirar esses hipócritas do poder agora. Não é isso mesmo que todos nós almejamos, pessoal?

Se vocês querem saber, o general Villas Boas está reunido neste momento na sala do alto comando do Exército, 27, sob a coordenação do Ministro da Defesa e com a presença dos comandantes das forças e outros militares para uma videoconferência com os responsáveis por áreas de atuação na solução da greve dos caminhoneiros.

Isso quer dizer que, se for necessário, as forças armadas, por decisão do governo, intervirão a favor da ordem a pedido do presidente da República. E aí pergunto a todos: é isso que estamos querendo? 

Vamos pensar um pouco nisso!

Fonseca, presidente da Abcam"

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