Caminho inverso

Apesar de a luta pela evolução ter sido, e ainda ser, incessante, alguns representantes do povo parecem desconhecer este avanço. E pior: demonstram querer que o Brasil dê inúmeros passos para trás, ou seja, para o retrocesso. É verdade que uma onda conservadora tomou conta do Brasil e vem ganhando força, e novos adeptos. Mas, o que muita gente questiona é como isso começou e vem se alastrando. E, se tem um nome que podemos definir 2019, este nome é: conservadorismo. Para comprovar tal fato, ao apagar das luzes de 2019, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, por 33 votos a 5, a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 135/2019, chamada de "PEC do voto impresso", que torna obrigatória a expedição de cédulas físicas nas eleições.

Sim! Voto impresso. Logo ele. Se tem um feito, o  qual o Brasil é evoluído (talvez a único), é o sistema eletrônico de votação. Pode parecer que não, mas o Brasil é referência no assunto e transfere a tecnologia para outros países. Em funcionamento desde 1996, o sistema tornou-se referência internacional nesta conquista.  Empréstimos de urnas desenvolvidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para vários países, entre eles, a República Dominicana, Costa Rica, o Equador, a Argentina, Guiné-Bissau, o Haiti e México são realizados o tempo todo. Porém, parece que esses atos e exemplo do país estão com os dias contados. O que mais estarrece é que, apesar de o Brasil está em primeiro lugar em transferir a tecnologia, muita gente ainda insiste em dizer que o sistema eleitoral brasileiro é uma fraude.

Mas, quando tal alegação é feita, é preciso que a luz vermelha se acenda, e que mais uma vez seja dada uma aula de eleição. Diante da situação, é bom relembrar o caos que foram as últimas eleições. Quem se lembra do caso do eleitor que gravou a sua votação, e disse que a urna estava fraudada, pois não conseguia apertar o “confirma” na tela? Do eleitor mineiro que afirmava não conseguir votar em Eduardo Bolsonaro (PSL), pois a foto dele não aparecia quando ele digitava seu número, quando, na verdade, Eduardo Bolsonaro era candidato pelo Rio de Janeiro, e, automaticamente, o eleitor não conseguiria votar nele. Com fatos assim relatados nas eleições de 2018, e o retrocesso querendo se instalar mais uma vez, cabe aos brasileiros terem um momento de reflexão, e se perguntarem: é o sistema que é fraudado, ou o eleitor que é incapaz de votar certo ou capaz de fingir alguma situação em prol de certo candidato?

Vale a pena um país inteiro pagar pela ignorância de poucos? Um retrocesso sem tamanho vale a pena, quando na verdade, o sistema eletrônico de votação é uma das poucas evoluções que o Brasil tem? Vale a pena tudo isso, só pelo pensamento: “se o meu candidato perder as eleições, são fraudadas, se ele ganhar, as eleições são legais”? Fazer o caminho inverso é a solução em um momento que o caminho é a evolução? Talvez não, para o Brasil.

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