Camelódromo sem camelôs

 

Preto no Branco 

O quarteirão fechado da rua São Paulo está mais vazio. Quem trabalha no Camelódromo acordou sem ter onde trabalhar. Quem passa pelo local deixa de ver a movimentação no local e passa a ver um espaço sem a presença dos toureiros e dos vendedores ambulantes. A Prefeitura bateu o pé e não voltou atrás. Servidores das secretarias responsáveis pelo caso, com o apoio dos órgãos de segurança, estavam, às 6h da manhã de ontem, no Camelódromo para dar início ao processo de remoção os boxes utilizados pelos ambulantes. A abertura da via, conforme o Executivo, ainda é incerta, mas uma possibilidade.

Justiça?

A única opção que resta para os profissionais que desejam voltar ao local que ocuparam por quase 11 anos é uma decisão favorável na Justiça. O advogado da Associação Profissional dos Vendedores Ambulantes de Divinópolis (Aprovad), Robervan Faria, protocolou uma ação para revogar a decisão do Executivo e, consequentemente, indenizar os ambulantes obrigados a deixar o local. Porém, até o momento, a Justiça tem sido favorável à Administração.

Sem Carnaval

Após notificar os ambulantes sobre a desocupação do local, a primeira data definida foi 1º de dezembro. A decisão pegou de surpresa os vendedores, que iniciaram uma série de protestos na Câmara, ações judiciais e negociações com o Executivo para estender o prazo. A intenção era garantir um tempo suficiente para encontrar e ocupar um novo local. Além disso, dezembro é quando os trabalhadores recebem (e gastam) o 13º salário, e o Natal movimenta a economia do local. Por fim, a Prefeitura atendeu o desejo (em partes) da categoria e alterou o prazo para saída para 12 de janeiro. Desta vez, a Administração não voltou atrás.

Duelo de vídeos

Os vídeos nas redes sociais já se tornaram a marca de alguns políticos divinopolitanos. E, neste ano, em que acontece uma disputa nos poderes legislativo e executivo, o volume de vídeos patrocinados com cobranças, reclamações e promessas aumentam exponencialmente. Para quem usa o Facebook, já virou rotina se deparar com incontáveis vídeos pré-campanha. Claro, para não serem enquadrados na propaganda extemporânea e queimarem a largada, são todos cuidadosos ao não mencionarem o desejo de ocupar uma cadeira. Mas a real intenção por trás dos vídeos está clara.

De volta à Câmara

Hoje marca a primeira Sessão Legislativa da Câmara em 2020. Mas, calma, as reuniões ordinárias ainda não retornaram, é apenas um encontro extraordinário. A justificativa da reunião é pautada principalmente na apreciação dos Projetos de Lei (PLs) do Executivo 1/2020 e 2/2020. A primeira proposta autoriza o Executivo a contratar operação de crédito no valor de R$ 25 milhões com a Caixa Econômica Federal. A segunda, por sua vez, autoriza o Executivo a contratar operação de crédito no valor de R$ 15 milhões com o Banco do Brasil S.A.

Déjà-vu

Os projetos parecem familiares porque, de fato, são. Ambas as propostas tratam da revogação da Lei 8.630/19, que autorizou a contratação de crédito por parte do Município de Divinópolis no valor R$ 40 milhões junto às instituições financeiras oficiais. A proposta foi votada em setembro passado e aprovada por unanimidade, porém, a discussão do projeto não foi tranquila. O debate da proposta foi marcado por discursos acalorados, e vereadores passaram mal durante a discussão que antecedeu a votação. Porém, problemas burocráticos foram encontrados e a matéria retorna à Casa para ser novamente apreciada, desta vez em clima mais ameno.

Feminismo x assédio

Muito se fala sobre a cultura do estupro, feminismo, machismo e assédio. A nova onda do movimento feminista, que em décadas passadas garantiu às mulheres vários direitos, incluindo o de votar, retornou aos holofotes, mais forte do que nunca, na década passada. Porém, apesar da importância social, o movimento ainda divide opiniões, sobretudo no público masculino. Porém, certas “opiniões” deveriam ser repensadas. Como é o caso do deputado estadual Jessé Lopes (PSL-SC). Jessé se posicionou no Facebook contra ação do movimento “Não é Não!”, que busca combater o assédio durante o Carnaval. O deputado defendeu que todas as pessoas gostam de ser assediadas, pois, segundo ele, isso “massageia o ego, mesmo que não se tenha interesse na pessoa que tomou a atitude”. Não, meu rapaz! As mulheres não gostam de ser assediadas, as mulheres gostam de respeito. Você, como representante do povo, deveria ouvir o que a população quer, em vez de impor, de acordo com o seu desejo. 2020, né? Passou da hora de evoluir.

 

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