Camelódromo fica na São Paulo até janeiro

Além de nova data, ambulantes negociaram espaço no Centro da cidade para trabalhar

Maria Tereza Oliveira

Após muitas reviravoltas e negociações, o destino dos camelôs, por ora, está definido. Prefeitura, Legislativo e Camelódromo chegaram a um consenso e os vendedores não serão retirados no próximo dia 1º. Com o acordo, os ambulantes permanecem no quarteirão fechado da rua São Paulo até o dia 12 de janeiro. Com isso, ganharam um fôlego para vender as mercadorias e conseguirem fazer o “13º salário” com as vendas do Natal.

O acordo foi fechado ontem em reunião realizada na Prefeitura, entre vereadores – Eduardo Print Jr. (SD) e Renato Ferreira (PSDB) –, representantes dos ambulantes, Defensoria Pública, representada pelo advogado Rafael Henrique, secretária Municipal de Planejamento Urbano e Meio Ambiente (Seplam), Flávia D'Alessandro, e o procurador geral do Município, Wendel Santos. O pacto veio aos 45 do segundo tempo, quando restavam aos camelôs apenas cinco dias para se retirar do Centro da cidade.

Novo cenário

As perspectivas, que eram negativas até a semana passada, sofreram reviravoltas. A Associação Profissional dos Vendedores Ambulantes de Divinópolis (Aprovad) já havia tentado reverter a decisão na Justiça, mas teve os pedidos indeferidos duas vezes. Além disso, a associação, assim como o próprio Executivo, a princípio, foi relutante ao acordo.

A possibilidade de um pacto surgiu durante a reunião do dia, 19. A proposta seria de que o líder do Executivo na Câmara, Eduardo Print Jr., tentaria, junto ao Município, adiar a retirada do Camelódromo para depois do Natal, desde que os vendedores se comprometessem a sair pacificamente entre os dias 26 e 29 de dezembro. O objetivo era garantir que os ambulantes vendessem a mercadoria adquirida para as vendas do fim de ano.

A mudança do acordo diz respeito, além da nova data, principalmente a uma nova destinação aos ambulantes. O novo terreno que deve abrigar os ambulantes é perto do atual Camelódromo, e terá aproximadamente 60 dias para firmar uma estrutura primária. Com isso, além de mais tempo, os ambulantes continuam no Centro da cidade.

— Foi importante envolvermos os setores jurídicos da associação dos ambulantes, da Defensoria e da Prefeitura. O acordo ganha corpo e notoriedade. Sinto que foi um prazo justo este de dois meses que acordamos em unanimidade — enalteceu Print.

Retirada

Os ambulantes foram informados, no início de outubro, que seriam despejados do quarteirão fechado da rua São Paulo, onde estão há 12 anos. Atualmente, 84 famílias trabalham no local. Após o episódio, camelôs e Prefeitura iniciaram uma queda de braço para decidir o destino do Camelódromo. A justificativa apresentada pelo Executivo dizia respeito à “necessidade de a Administração implementar intervenção na rua São Paulo”.

A intenção do Município com a desocupação da rua São Paulo seria a abertura do local para veículos. O objetivo é que as ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) tenham acesso à 1º de Junho com mais facilidade.

No texto, os ambulantes foram informados que o local é incompatível com a Lei Federal de mobilidade urbana. Uma recomendação do Ministério Público (MP), do ano de 2011, reforça a transferência do Camelódromo para outro espaço da cidade.

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