Câmara prevê R$ 93 mil em gastos com lanches em 2020

Maria Tereza Oliveira

Mini-hambúrguer, sanduíche natural, x-egg, pão de queijo, refrigerante e suco natural são algumas das opções do cardápio da Câmara para este ano. A previsão orçamentária para 2020 do lanche da Casa é de R$ 93.218. A quantia é mais de R$ 25 mil superior ao valor disponível no ano passado. A estimativa deste ano representa uma média de despesa de quase R$ 7,8 mil mensais. A situação coloca em perspectiva discursos dos vereadores em relação à austeridade e economia. As duas palavras têm sido frequentes nas falas da atual legislatura, e a Prefeitura é constantemente alvo de críticas, principalmente no que se refere aos cargos comissionados. Apesar do aumento do valor disponível, uma das medidas para contenção de gastos adotados pela Presidência da Casa, no ano passado, foi justamente o corte dos lanches.

Cardápio variado

O menu da Câmara, de acordo com a licitação, contém diversas opções. Dentre elas, água com gás, biscoitos de queijo variados, biscoitos e rosquinhas variadas, bolo floresta, bolo de fubá cremoso, frutas em pedaços, leite, manteiga de leite, mini-hambúrguer, pão de queijo – comum e recheado com frango –, pão de sal, refrigerante – comum e diet –, sanduíche natural, x-egg e suco natural. Os lanches devem custar aos cofres públicos até mais de R$ 93 mil.

Povo fala

O Agora foi às ruas saber a opinião das pessoas em relação ao montante que pode ser gasto com lanches. A listagem dos produtos que fazem parte do cardápio foi mostrada para todos os entrevistados.

A dona de casa Eleonice Maria de Sousa, 62, não concorda nem com os itens da licitação.

— Eu acho injusto e desnecessário que os vereadores tenham disponível para lanchar tantas opções. Na minha casa, o café da tarde é pão com manteiga, ou, no máximo, pão com mortadela. Os vereadores falam tanto de economia, desde que não impacte a barriga deles. E é a gente que paga — criticou.

O aposentado José Luiz Soares, 71, tem uma visão diferente.

— O orçamento é realmente alto, mas o que sobrar vai ser devolvido. Além disso, o lanche não é exclusivo para os vereadores. Às vezes a pessoa vem da roça para fazer uma reivindicação e não tem dinheiro nem para almoçar. É bom que a “Casa do Povo” tenha algo para oferecer, afinal, isso só é possível com nosso dinheiro. O valor é alto, mas é só uma expectativa de gastos, que quase nunca é usada em sua totalidade — defendeu.

Mais da metade

Apesar do alto valor, isso não significa que a Câmara precisa ou vai gastar toda a quantia disponibilizada para lanches. No ano passado, apesar da dotação de R$ 67.726,40, foram de fato consumidos R$ 33.622,98, menos da metade.  

Nos últimos meses de 2019, a Câmara chegou a cortar o lanche como uma forma de contenção de gastos.

Redução de gastos

O presidente da Câmara, Rodrigo Kaboja (PSD), adotou outras táticas de contenção dos gastos durante o ano passado. Desde o horário reduzido de atendimento – antes das 8h às 18h –, que passou para das 12h às 18h, até a restrição do empréstimo do Plenário Dr. Zózimo Ramos Couto. Além das tradicionais reuniões – ordinárias ou extraordinárias –, o espaço também era constantemente usado para sabatinas e audiências públicas. No entanto, isso mudou desde dezembro.

Em outubro passado, a Câmara divulgou uma portaria no Diário Oficial na qual salienta a necessidade de organizar a agenda para utilização do plenário e a importância de economia preventiva de recursos. Com isso, desde 15 de dezembro até 4 de outubro deste ano, o empréstimo do espaço fica restrito. Em março de 2019, uma medida parecida já tinha sido tomada pelo presidente da Câmara.

Outra ação que promete reduzir significativamente os gastos da Casa é referente à determinação do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que, a partir de abril, vários assistentes sejam exonerados da Casa. A medida deve significar uma contenção de gastos de cerca R$ 40 mil mensais, ou quase R$ 500 mil por ano.

De volta

As reuniões ordinárias voltam hoje e dão o primeiro passo para o início oficial do último ano desta legislatura. Sem projetos na pauta – a não ser que sejam inseridos de última hora – o encontro volta a ser transmitido pela TV e pelo canal da Câmara no YouTube. Como de praxe em anos eleitorais, as transmissões das reuniões devem entrar em hiato durante a campanha para o pleito.

Comentários
×