Câmara nomeia Comissão para investigar reparos no Cemitério da Paz

Proposta do vereador Roger Viegas vai apurar irregularidades na retirada de ossadas perdidas no desabamento

Bruno Bueno

As obras de reparo do Cemitério da Paz, localizado na região Central, que desabou no começo do ano passado, foram assunto na 46ª reunião da Câmara Municipal de Divinópolis, ocorrida na tarde de ontem. 

O vereador Roger Viegas (Republicanos) expôs possíveis irregularidades na retirada das ossadas perdidas no desabamento, alegando que a empresa responsável pela obra estaria descumprindo uma liminar judicial, que prevê a contratação de um geólogo profissional para realizar o trabalho. Ainda conforme o parlamentar, profissionais não capacitados estariam realizando o serviço de maneira desrespeitosa e ilegal.

Com as acusações do vereador, o presidente da Câmara Municipal, Eduardo Print Júnior (PSDB), nomeou uma Comissão Especial para investigar os reparos do Cemitério da Paz. Os parlamentares Roger Viegas, solicitante, Hilton de Aguiar (MDB) e Ademir Silva (MDB) foram escolhidos para fazer parte da investigação.

Tragédia

Roger Viegas, em seu pronunciamento, lembrou da tragédia e enfatizou que algumas famílias conseguiram a retirada correta dos restos mortais dos entes queridos.

— Foi uma tragédia anunciada que aconteceu no dia 31 de janeiro de 2020 e, sinceramente, eu não esperava ter que voltar a falar sobre este assunto na tribuna. Se fosse para falar, que seja mostrando os resultados, que inclusive começaram a acontecer, já que algumas famílias conseguiram os restos mortais dos seus entes queridos — disse.

O parlamentar ainda lembrou que fez parte da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Cemitério da Paz. Segundo ele, os resultados da CPI foram decisivos para o processo judicial.

— Os próprios familiares relataram o sentimento de morte, tristeza e indignação com o descaso da obra. Me coloquei à disposição deles e instauramos uma CPI nesta casa. Foi uma Comissão que deu resultados, inclusive com as oitivas da reunião sendo utilizadas no processo judicial, no qual a construtora se contradisse em uma das falas — afirmou.

Liminar

Ao longo do pronunciamento, o vereador explicou sobre a liminar judicial que, segundo o parlamentar, está sendo descumprida. Conforme o edil, a empresa não contratou um profissional responsável para realizar o processo de retirada das ossadas.

— A liminar concede o direito aos familiares e da associação dos jazigos do Cemitério da Paz a contratação de um profissional geólogo para que a retirada desses restos mortais seja feita da forma correta e respeitosa. No entanto, a empresa não contratou o profissional e ainda está revirando os restos mortais de maneira desrespeitosa e ilegal. Estão distribuindo as ossadas como bem entendem, com profissionais que, com todo respeito, não são capacitados para tal — enfatizou.

Roger também disse que a construtora responsável afirmou não ter encontrado o geólogo, mesmo com a associação do cemitério tendo recomendado profissionais.

— A construtora disse que não conseguiu encontrar o geólogo, sendo que a associação disponibilizou pelo menos dez contatos de profissionais do ramo. Por isso, eu clamo por justiça. Eu peço que o senhor (Eduardo Print Júnior, presidente da Câmara) instaure uma Comissão Especial para investigar essa situação. Não será uma comissão de gaveta, mas, sim, de resultados. Essa Câmara não pode ficar calada com tamanho desrespeito — explicou.

Compactuou

Por fim, o vereador disse que a gestão passada da Prefeitura compactuou com a tragédia, visto que, na opinião do edil, diversas irregularidades já haviam surgido na obra.

— A gestão passada da Prefeitura compactou com isso, pois já sabia das diversas irregularidades e das denúncias dessa obra, que foi embargada dois dias antes do acidente. Era uma tragédia anunciada, ainda mais com o período chuvoso. A atual gestão pode intervir junto ao MP e Tribunal de Justiça para que algo seja feito — ressaltou.

Empresa

O Agora tentou contato com a empresa considerada responsável pelo desabamento. Mesmo com diversas insistências, a reportagem não recebeu, até o fechamento da matéria, por volta das 18h de ontem, uma resposta da construtora.

 

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