Câmara cria comissão para apurar denúncias de irregularidades no serviço social

Ricardo Webert

A Câmara de Divinópolis nomeou ontem os integrantes de uma comissão especial criada para apurar denúncias de irrularidades em serviços de assistência social no município. A decisão foi tomada pelo presidente da Casa, Adair Otaviano (PMDB), logo após o pastor Wilson Fernandes Botelho, presidente do projeto social Quero Viver, criticar os resultados da força-tarefa instaurada pela Vigilância Sanitária municipal já ter fechado oito casas de recuperação de dependentes químicos.

Segundo ele, os recuperandos que viviam nos abrigos interditados foram devolvidos às ruas. Josafá (PPS), Marcos Vinicius (Pros) e Nonato (PDT) foram incumbidos de verificar.

Durante o discurso na tribuna livre, o pastor criticou investimentos em cultura com o objetivo de ajudar os dependentes de crime a deixarem o vício. Trata-se de uma referência ao "Vagão Literário" colocado  na praça Candidés, onde o Quero Viver atua, com o objetivo de oferecer livros aos usuários de drogas que passam os dias no local.

— Cultura não recupera viciado, mas sim um trabalho sacerdotal, de amor, de doação. Botar pedra na calçada não muda a história de um viciado. Nesses 27 anos que nós trabalhamos, temos recuperados por todo o Brasil que encontrou a vida em Divinópolis. Nunca fomos pesados a nenhum cofre municipal, estadual e federal. É dever deles fazer o que nós fazemos. Só que eles não sabem fazer. Podem ter dinheiro, mas não sabem fazer — declarou.

Em seguida, o pastor se referiu à força-tarefa organizada pela Vigilância Municipal e que já fechou oito casas de recuperações.

— Onde tem o peixe bom, tem o peixe ruim. Mas eu peço aos vereadores que fiscalizem o Caps AD [Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas, mantido pela Prefeitura]. CadA viciado lá custa mais de R$ 10 mil por mês. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social precisa de gente que tem paixão e que entende de ação social. Não é de engenheiro, não — reclamou.

De acordo com ele, em um dos centros de recuperação interditados viviam 30 pessoas que tinham café da manhã, almoço e janta e eram abrigados.

— Disseram que está interditado. Então o prefeito, o Estado ou a federação que trate. Porque nós fazemos o que eles não fazem. Todos os que estão no Caps AD estão lá na praça usando droga. Aquele "Vagão Literário" tem sete deitados debaixo dele. Sete pessoas que estavam em uma das casas de recuperação. Como a lei tem que ser cumprida se o prefeito, o governador e o presidente não oferecem algo melhor do que nós oferecemos? — questionou.

 Contraponto 

A Prefeitura de Divinópolis ainda não comentou as declarações do pastor contra a força-tarefa. 

 

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