Câmara aprova retorno de duas reuniões por semana

Apesar da aprovação por unanimidade, vereadores destacaram preocupação sanitária

Matheus Augusto

Os vereadores aprovaram por unanimidade o primeiro projeto apresentado pela Mesa Diretora. A proposta determina a realização das reuniões ordinárias às terças e quintas, a partir das 14h, como funcionava antes da pandemia de covid-19. Com isso, a primeira reunião ordinária será no próximo dia 2. 

O presidente da Casa, Eduardo Print Jr. (PSDB), justificou a necessidade de realizar duas e não apenas uma reunião por semana.

— A Mesa Diretora entende que a transparência é prioridade — comentou.

Print ainda destacou o trabalho parlamentar como da linha de frente contra a covid-19, tendo em vista a necessidade de aprovar, por exemplo, crédito suplementar para a Saúde.

— Estamos aqui para ajudar o Executivo e não vamos travar isso — citou. 

Apesar de 16 votos favoráveis e nenhum contrário, a proposta foi criticada por alguns parlamentares, dentre eles, o líder do governo na Câmara, Edsom Sousa (CDN). Segundo ele, a pandemia ainda gera insegurança.

— Estamos lidando com um adversário que não conhecemos — afirmou. 

Edsom disse estar em dúvida se esse é o momento mais prudente para tal decisão.

— Será que seria o ideal? Não poderíamos esperar, por exemplo, mais uns 15 dias, ver o efeito dessa primeira vacinação? Estou em dúvida — refletiu.

Apesar da indecisão, Sousa disse entender o propósito da Mesa, da necessidade de transparência e publicidade das ações parlamentares e, por isso, votou favorável.

O vice-presidente da Casa, Roger Viegas (Republicanos), defendeu a volta de duas reuniões semanais “visto a ânsia dos vereadores em mostrar trabalho”. Roger classificou a atual legislatura como uma das mais atuantes nos primeiros dias e destacou a importância do projeto dada a cobrança da população.

— Quem não se sentir confortável pode solicitar licença. (...) Aqui estamos tanto expostos aos vírus quanto lá fora — argumentou.

Em seu primeiro mandato, Flávio Marra (Patriota) elogiou a proposta.

— A gente vai dar chance para as pessoas que desde o início da pandemia não puderam acompanhar o trabalho dos parlamentares por não terem redes sociais. (...) Muitas pessoas ainda não possuem acesso à internet — explicou.

O ex-presidente da Câmara, Rodrigo Kaboja (PSD), fez coro à fala de Edsom e expôs sua preocupação, apesar de também votar a favor.

— Isso me preocupa. Eu sou um vereador do grupo de risco. (...) Eu não acho isso um gol de placa, estamos numa pandemia que, segundo os dados, daqui 60 dias, pode virar Manaus — comentou.

Ele completou, dizendo:

— Eu prezo pela vida. A vida é mais importante que qualquer coisa. (...) O momento é delicado, não é de esperança, é de tristeza. Temos 221 mil mortos — citou.

Kaboja disse temer por um colapso na rede de saúde, especialmente sem a expectativa da chegada de vacinas com a velocidade necessária.

— Um desgoverno desse Bolsonaro [sem partido] que está levando a questão séria da pandemia. (...) Só quando se perde um ente querido, alguém da família, é que a gente sente na carne. 

Exemplo

A parlamentar mais votada da história, Lohanna França (CDN), pregou moderação e responsabilidade coletiva.

— O cansaço nos tornou desleixados — definiu.

Ela solicitou que todos os vereadores sigam as regras de prevenção à covid-19 e façam o uso da máscara, especial com duas reuniões com transmissão ao vivo, para serem exemplos aos moradores.

— Os números me preocupam muito, mas entendo que a publicidade é um dos preceitos da administração pública — justificou seu voto.

Em seu pronunciamento, Israel da Farmácia (PDT) disse que, mesmo com o início da vacinação, o fim da pandemia ainda é incerto.

— A saúde pública não escondeu, a segurança não se escondeu e essa Casa não pode se esconder. (...) O povo de Divinópolis precisa de nós — disse.

Mudança de horário

Também favorável ao texto, Wesley Jarbas (Republicanos) foi um dos vereadores a solicitar a mudança de horário do início das reuniões para 18h, com o intuito de dar mais visibilidade às discussões.

Eduardo Azevedo (PSC) também se declarou favorável ao projeto e acrescentou: “duas vezes é pouco”. 

— Se lá fora a gente se intitula Casa do Povo, acho incoerente os projetos serem votados na ausência do povo — declarou.

Ele propôs que, após a pandemia, as reuniões tenham início durante a noite para os trabalhadores poderem participar ativamente.

Ademir Silva (MDB), além de parabenizar a Mesa Diretora pelas primeiras ações, mostrou apoio à possibilidade de a Câmara testar encontros noturnos. 

— Eu venho sendo cobrado da gente mudar as reuniões para noite para ver se vai haver participação popular — ressaltou.

O mdbista ainda disse que, sem presença da população, “não adianta nada a gente ficar aqui a noite inteira sem ninguém”.

Rodyson do Zé Milton (PV), que já foi presidente do Legislativo, disse que a mudança para o período noturno pode ser testada, mas não vê participação popular suficiente para justificar a mudança.

— Em 2013 eu era presidente da casa e tivemos a famosa invasão pelos alunos e algumas pessoas da sociedade. (...) Uma das solicitações era transformar as reuniões ordinárias para noite. (...) O Plenário nunca encheu quando não era projeto polêmico — relatou.

Segundo Rodyson, a mudança de período também envolve questões tributárias, custeio da máquina e adicional noturno. Ele acrescentou que, caso surjam dúvidas em relação a projetos do Executivo, é pouco provável a disponibilidade de alguém para esclarecer a situação após o encerramento do expediente.

— As pessoas também tinham dificuldade para voltar para casa durante a noite, além do perigo — citou Rodyson.

“Pela experiência que eu já tive, não funcionou. É melhor ter uma reunião qualitativa do que quantitativa sem conteúdo”, finalizou.

Crítica

Lohanna, ao pedir novamente o direito de fala, criticou quem disse que “duas reuniões eram poucas”.

— Talvez o mal do século seja o populismo. A gente não precisa se reunir todos os dias. Se a gente ficar todos os dias "enfurnado" aqui em reuniões, deixaremos de fazer uma das principais funções do vereador: fiscalizar — afirmou.

O vereador Eduardo Azevedo, um dos parlamentares que citou o tema, rebateu:

— Eu não vejo populismo maior do que organizar uma carreata contra o presidente durante a pandemia — finalizou.

Público

Por fim, Ana Paula do Quintino (PSC) e Ney Burguer (PSB) solicitaram a avaliação de a Câmara voltar a receber público durante as reuniões ordinárias, com critérios sanitários rígidos.

— Por que no banco pode? A casa é do povo, então vamos abrir com moderação — cobrou Ney.

Fora da pauta

Um segundo projeto, responsável por abrir R$ 100 mil na Diretoria de Comunicação do Executivo, não foi votado pela necessidade de documento que não constava em anexo.

Comissões

Eduardo Print Jr. afirmou que pretende nomear as comissões até o início da próxima semana.

 

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