Cajuru quer o Centro de Distribuição do ABC

Às vezes, não consigo entender o raciocínio político de algumas pessoas de Divinópolis. Ficam todo o tempo criticando o Governo Galileu Machado por não atrair novas empresas para Divinópolis e, quando este tenta estimular a geração de emprego, querem atrapalhar.

Explico

A Prefeitura cedeu no bairro Icaraí uma área ao grupo ABC, que pretende implantar no local um Centro de Distribuição Logística. O investimento empresarial pode gerar cerca de 300 empregos diretos e centenas de vagas indiretas, em uma área construída de aproximadamente 15.000 m².

Pasmem: algumas pessoas criticam esta doação.

Ora, se Divinópolis não quer este investimento, sugiro ao empresário e presidente do Grupo ABC, Valdemar Martins do Amaral, que atravesse a ponte do Gafanhoto e ofereça-o ao prefeito de Carmo Cajuru, Edson Vilela. Seguramente, este não hesitaria em acolher de imediato a oportunidade.

As pautas de Cleitinho

Que o deputado Cleitinho Azevedo (Cidadania) tem se revelado um expert em política é fato. Agora é preciso analisar se sua capacidade está se revertendo em benefício para Divinópolis. Ficar pulando muros e portões de espaços públicos em busca de ambulâncias e veículos policiais, embora tenha repercussões midiáticas, não vai além disso.

Tudo porque ele, como autoridade constituída e referendada pelo voto popular, não precisa usar estes artifícios para cumprir seu papel de fiscalizador do Executivo Estadual. Basta buscar, na Justiça, liminares que lhe permitam a entrada legal nestes espaços públicos estaduais. Cleitinho tem para com Divinópolis uma pauta de reivindicações pesadas a ser cumprida. 

Uma delas

Quando exercia seu mandato de vereador, Cleitinho era um crítico ferrenho do caos na saúde pública. Questionado, dizia que o mandato de vereador era muito frágil para enfrentar a complexidade da crise na Saúde. Transferiu o argumento para a campanha da candidatura a deputado, discursando que, como deputado estadual, poderia enfrentar tal demanda. Pois bem, agora, a secretária de Fazenda (Semfaz), Suzana Xavier, denunciou no Agora de 31 de outubro que o Governo Estadual está dando um calote de R$ 76 milhões ao Município na área da Saúde.

E o pior: Suzana não tem esperança de receber a quantia. Por isso, sugiro ao deputado Cleitinho, cujo mandato sustenta o governo Romeu Zema (Novo), que em 12 de novembro, por ocasião da visita do governador a Divinópolis, seja o porta-voz da notícia de que não haverá calote dos R$ 76 milhões, cabíveis à área da Saúde de Divinópolis.

De quem é a culpa

Sindicalistas de esquerda têm dificuldades em fazer alianças estratégicas e momentâneas com os patrões, mesmo que seja para garantir os pagamentos de salários em dia. Mas, fora do universo sindical da esquerda, existem os chamados sindicatos de resultados, que se aliam ao patronal para garantir salários em dia e até participação no lucro da empresa, como estratégia de comprometimento e alternativa de aumentos salariais. Por isso alerto o Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis (Sintram).

De quem é a culpa II

Está se tornando exaustivo repetir os números da tragédia financeira que assola a Prefeitura de Divinópolis. Mas, para entendê-la, é preciso repeti-la até que vereadores, deputados, prefeito e governador se reúnam para resolvê-la.

Vejamos, de novo, o que disse recentemente a secretária de Fazenda, Suzana Xavier: 

- Governo do Estado está dando um calote de R$ 76 milhões na área de Saúde de Divinópolis;

- A dívida total do Estado com o Município soma R$ 120 milhões;

- O acordo feito com o Estado para receber R$ 36 milhões parcelados também corre o risco de não ser cumprido;

- Entendo que é clara a cota de culpa do governo Romeu Zema sobre a crise financeira que vive a Prefeitura de Divinópolis. Mas têm mais culpados.

Mais culpados

Por que incluo os vereadores no rol dos culpados pela crise financeira da Prefeitura, com reflexo agora no parcelamento de salários dos servidores municipais? Ora, o prefeito Galileu Machado (MDB) nunca enviou à Câmara um pedido de aumento de IPTU, e sim (e sempre) a revisão da planta, há 25 anos sem ser ajustada. Mas os vereadores da oposição fazem uma leitura matreira do que pede o alcaide. Interpretam o tema “revisão da planta de valores” como sendo simplesmente aumento de IPTU, transmitem noção errônea nos discursos públicos e, assim, inibem sua votação. E, sem a revisão da planta do IPTU, que poderia reforçar os cofres da Prefeitura, e sem os R$ 120 milhões que o Governo do Estado está retendo, é fácil entender por que os edis são corresponsáveis pela crise financeira e, consequentemente, administrativa pela qual passa a Administração. Já não está passando da hora de colocarem os interesses coletivos em primeiro lugar e cobrar também esta postura dos edis?

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