Caixa cassa operação de construtora de casa que põe família em risco

Ricardo Welbert

No dia 18 de abril último o Agora mostrou a situação de uma casa na rua Nigéria, no bairro Paraíso, com vários danos estruturais e que ameaça a segurança dos moradores, pois corre risco de desabar. O imóvel foi construído por meio do programa “Minha Casa Minha Vida”, do governo federal. Quase um mês depois, a Caixa Econômica Federal respondeu à reportagem.

— O imóvel foi financiado através da modalidade “Aquisição de imóvel novo”, com execução de todos os procedimentos exigidos para tal modalidade, inclusive a verificação de vícios construtivos aparentes — diz a Caixa.

“Vícios construtivos” são fatos como a cratera que se abriu em parte do chão de concreto do quintal quatro meses depois de a família ter se mudado para a casa. O incidente derrubou parte de um muro. O entulho desmoronou e invadiu o terreno vizinho.

— Informamos ainda que a construtora responsável pelo imóvel foi incluída no Conres [cadastro interno do banco] e está impossibilitada de operar no sistema habitacional — finaliza a Caixa, sem dizer o nome da construtora.

Informada pelo Agora sobre a resposta da Caixa, a dona de casa Elisabete Oliveira Barros disse que também não sabe o nome da construtora porque, segundo ela, o homem que se identificou como responsável pela obra não mencionou qualquer empresa.

— Meu advogado também quer saber o nome da empresa. Até o momento, a única informação que tenho é o número de telefone do homem que se apresentou como construtor e foi o responsável pela construção da casa. Pelo que sei, ele já mudou o nome da empresa dele por várias vezes e por isso já não é mais o mesmo nome de antes. Já liguei para ele e ele me disse que Caixa não vai consertar nenhum problema na minha casa. Além disso, ele não dá o endereço de trabalho dele pra ninguém — diz a moradora.

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Tubulação subterrânea exposta em cratera aberta há quatro anos (Foto: Iara Souza)

Dilema

Os problemas na estrutura são visíveis ainda na calçada, onde o cimento está oco e bastante trincado. O portão corre risco de cair devido a um recuo na parede, que cedeu cerca de dois centímetros.

Na garagem, um espaço de quase três centímetros separa uma parede e o acabamento do piso, ao qual deveria estar unida. Se o carro está estacionado na garagem e alguém passa pelo local, é possível sentir o piso tremer.

Os demais cômodos também acumulam rachaduras e trincas. Também são visíveis os mofos e bolores causados por infiltrações em paredes e no teto.

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Queda de muro gerou acesso a quintal vizinho (Foto: Iara Souza)

No quintal, parte de um muro cedeu e expôs uma tubulação. Isso ocorreu há quatro anos. Tempo suficiente para que crescesse no buraco um pé de mamonas de sete metros de altura.

A cratera aberta tem cerca de cinco metros de profundidade e dá acesso ao terreno ao lado, que é rebaixado. Sem escoras, a estrutura pode ceder ainda mais, colocando a segurança da casa e das pessoas em risco.

— Assim que ficou pronto, há dez anos, a gente se mudou pra cá. A casa parecia ótima, mas, com o passar do tempo, foram surgindo rachaduras no piso. Chamamos o engenheiro e ele disse que a casa havia sido construída em um terreno com um tipo de problema. Mas os problemas só aumentam. O muro do quintal já caiu duas vezes e a gente tem medo de que algo pior aconteça. A Defesa Civil disse pra gente sair, mas pra onde? — reclama.

O Agora enviou ontem à Caixa as novas informações fornecidas pela moradora e aguarda retorno.

Outro lado 

O Agora fez contato com a Caixa Econômica Federal, gestora do “Minha Casa, Minha Vida”. A reportagem enviou algumas fotos dos problemas no imóvel e o número do contrato de aquisição do imóvel. Porém, não teve retorno até o fechamento desta reportagem, às 17h30. 

Mato em quintal ao lado da cratera (Foto: Iara Souza)

 

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