Caça predatória

Preto no Branco 

No reino animal é tradicionalmente definida como caça ilegal, captura bruta, associada com direito de propriedade. Mas pode ser tranquilamente aplicada ao mundo da política, no qual o vale-tudo transformou o homem em irracional, adjetivo que é dado aos animais. A ganância pelo poder ‒ em que o dinheiro é o manda chuva ‒ faz com que esta irracionalidade, ou seja, o “nem aí” para o próximo, seja cada vez mais forte. Como os animais ‒ que usam de métodos violentos para sobreviver, matando o rival ‒, a prática também se tornou comum entre os que são chamados de racionais. Em anos políticos como este, então, “não é preciso pagar para ver”!

Afeta a memória

E a alucinação em períodos eleitorais é tão grande que deixa muita gente descuidada. Um perigo! Nesta semana, por exemplo, a ânsia do presidente da Câmara Rodrigo Kaboja (PSD) ‒ em dar a notícia a Renato Ferreira (PSDB) de que ele é o possível candidato a vice-prefeito na chapa de Galileu Machado nas eleições deste ano ‒ fez com que ele esquecesse o microfone ligado. O áudio vazou e o Agora teve acesso em primeira mão à fala do presidente da Casa, dita no início da reunião extraordinária, na última segunda-feira, 29. Por sua vez, Renato desconversou. No entanto, é sabido que: “onde há fumaça, há fogo”!

Ninguém contesta

Quando o assunto é a disputa eleitoral para Prefeitura e Câmara em Divinópolis, a cidade é mesmo diferenciada. Antes que alguém pense que é de forma positiva, já explico. Nada disso. A quantidade de candidatos tanto para um poder quanto para outro e a forma de como as contendas acontecem é hilário. Para começar, a disputa pela principal cadeira da cidade conta com tantas chapas que uma acaba atrapalhando a outra e, no fim, ganha quem tem seu eleitor assegurado. Em vez de haver uma união de forças – com apenas duas candidaturas – por exemplo, em prol da cidade, não. Tudo que se vê é um jogo de interesses próprios. No Legislativo, então, comédia é pouco. Como diz um ditado antigo: “o que é bom mesmo, não volta”. As saudades de gestões como a de Antônio Martins e Pedro Gontijo, e legislaturas que tinham Mauro Corgozinho e Aristides Salgado ‒ este último, único vivo ‒ devem ser maiores do que a quantidade de esgoto que recebe nosso querido rio Itapecerica todos os dias.  

Candidatos agradecem

E a falta de critérios nas atuações da atual legislatura da nossa Câmara, que não prioriza projetos e cumprimentos de leis na cidade, não é observada e constatada somente por quem está de fora. Os próprios vereadores compartilham desta realidade.  “Está difícil a gente sentar aqui e ter uma discussão de um projeto, técnica, sem ataques e entrando na vida pessoal, e isso torna a nossa Casa cada vez mais vergonhosa”, esbravejou Janete Aparecida na reunião extraordinária desta segunda-feira. Tudo muito claro e notório. Não resta dúvida que tem exceções. Mas, para a felicidade de quem está em busca de uma vaga nas próximas eleições e a decepção dos divinopolitanos, são raríssimas.

Ficar de fora

Seria o ideal. Porém não é bem isso que acontece no Legislativo divinopolitano. Alguns dos atuais vereadores se aproveitam do pouco tempo que têm nas reuniões minguadas devido à pandemia do coronavírus para fazer nítida campanha eleitoral. Uma prática comum por lá nos últimos meses, visto que o correto seria se autopromover bem longe da Casa do povo. Cada um conduz sua pré-candidatura como quiser, mas desde que os direitos da população sejam mantidos em primeiro lugar. Neste sentido, falta respeito com quem confiou seu voto, e, principalmente, vergonha na cara de quem usa e abusa do espaço que tem. 

 

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