Caça aos pobres

Começa hoje, 16, um esporte bastante conhecido no Brasil: a caça aos pobres. Com o fim do registro das candidaturas, a partir de hoje os políticos começam suas campanhas. Vai ser um tal de ir a feira, comer pastel, beber caldo de cana, pegar o pobre, abraçar o pobre, beijar o pobre, fazer promessas que nunca serão realizadas para o pobre. Esse esporte é praticado a cada quatro anos. O predador sai de seu escritório com ar-condicionado, de seu habitual terno e gravata e enfrenta sol, chuva e poeira para conseguir “abocanhar” sua presa. E, por mais antiga que seja essa modalidade, o mais impressionante é que ainda tem muito pobre que cai como uma ovelha na boca do lobo.

Como vivemos em um país sob regime democrático representativo, a população não tem outra forma de eleger os seus representantes senão por meio do voto. Mas, diante a crise política e econômica que afeta o Brasil desde 2015, os brasileiros não têm outra alternativa senão pesquisar bastante sobre o seu candidato. Apesar de parecer a velha história da Carochinha de que não se deve vender voto, não se deve votar sem pesquisar o trabalho feito pelo candidato, de ter um voto consciente, a população não tem outra escolha, a não ser (pelo menos desta vez) tentar colocar em prática. Afinal, a própria população depois arcará com as consequências de um voto irresponsável ou vendido.

Os candidatos já estão à espreita, esperando o sinal verde do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para sair em busca da sua presa. E, não há lugar que eles tenham mais votos, do que nas classes C, D e E, por serem a maioria no país. De acordo com uma pesquisa feita pelo DataFolha, 88% da população brasileira é pobre, consequentemente, tem o maior número de eleitores. Raposas velhas, já acostumadas a buscar suas ovelhas no pasto, os candidatos sabem muito bem onde é o ponto fraco da sua presa, que muitas vezes não tem sequer acesso a educação para poder formar o seu voto com consciência. Basta uma promessa de asfalto, de um padrão de luz, ou de uma cesta básica, e pronto, o voto está garantido.

Como nunca se viu um cenário político tão incerto como esse, as velhas raposas irão aprimorar ainda mais as suas táticas para permanecer no poder. Haja pastel, haja caldo de cana, haja comida para alimentá-los. Em Divinópolis, as feiras dos bairros Esplanada, Niterói e Planalto que se preparem para receber aqueles que estão há quatro anos quietinhos em seus escritórios com ar-condicionado. O tempo de caça chegou, e dessa vez chegou com tudo. As raposas já estão preparadas para iniciar a temporada. À presa só resta um momento de lucidez para elaborar uma boa estratégia para conseguir fugir do seu caçador. Depois não adianta reclamar de buraco nas ruas, de UPA lotada, de esgoto a céu na porta de casa, se você for fisgado por uma raposa.

De nada adianta reclamar se o eleitor se vender por um padrão de luz, uma cesta básica, por um pagamento de conta de luz, outra coisa qualquer. Depois a conta sai muito mais cara e quem paga é toda população.

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