Caça ao pobre II

A “Caça ao Pobre”, começou no dia 16 de agosto. Modalidade vista no Brasil a cada dois anos, durante as eleições majoritárias, e as municipais. Momento em que os candidatos a deputado estadual, federal, governador, senador, presidente, vereador e prefeito saem em busca do eleitor. E onde encontrá-lo? Na periferia. Sim! Pois é de lá que sai a maioria dos votos, uma vez que 88% da população brasileira pertencem às classes C e D. Dada à largada da “Caça ao Pobre”, é chegado o “Tempo das Promessas”. Promessas que muitas vezes não saem dos vídeos, das falas cheias de palavras vazias, das conversas que são esquecidas dois segundos depois.  

O Brasil teve no último fim de semana o primeiro turno das eleições 2018. O presidente não foi escolhido, nem o governador de Minas Gerais, então a caça não acabou. Ela está viva! Mais viva do que nunca, porque agora, com o eleitorado cada vez mais “arredio”, o que os candidatos mais precisam fazer é se aprimorarem na especialidade, e correr. Correr contra o tempo, contra a oposição, contra as fake news, contra tudo e contra todos, para garantir a sua “Cadeira do Poder”. Começam hoje, 12, as propagandas eleitorais na TV e no rádio para os candidatos que disputam o segundo turno. Então, o “Tempo de Promessa” está de volta!  

Este é o momento em que os candidatos se lembram do povo, das obras que nunca saíram do papel, das ruas que precisam de infraestrutura, do esgoto que escorre a céu aberto em muitos bairros, das crianças que precisam de um ensino melhor, da violência que faz mais vítimas todos os dias, das mulheres que têm poucas políticas públicas. O povo ainda não sabe o que acontece, mas o “alzheimer” dos candidatos passa subitamente, e tudo é lembrado com clareza, tão claro quanto as águas do rio Itapecerica.  

As propagandas eleitorais começam hoje e terminam no dia 26 de outubro, dois dias antes do segundo turno. O eleitor terá 15 dias para escutar as mesmas promessas de sempre, de mudar tudo, de acabar com a corrupção, de colocar tudo em ordem, e o Brasil passa a ser o “Jardim do Éden”. Serão duas semanas em busca do eleitor, em busca da confiança do eleitor, para conseguir – ou manter – o poder em mãos; 15 longos dias até que tudo isso acabe e o país volte ao normal. Com sua corrupção habitual, começando pela população, com as obras dos hospitais públicos paradas, com os salários dos deputados, senadores, vereadores, governadores, prefeito e presidente lá em cima. Com a população carregando todos nas costas, como sempre foi.  

Faltam apenas 17 dias para que a “Caça ao Pobre” acabe de vez, junto com o “Tempo de Promessas”. Faltam apenas 17 dias para que tudo volte ao normal, e cada um continue vivendo sua vida, pagando altos impostos, e tendo pouco retorno dos impostos pagos. Faltam 17 dias para que o brasileiro caia na real, e veja que tudo não passa de um velho jogo, e que tanta briga não valeu para nada! Tudo irá voltar à sua santa paz.

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