Cabeça de burro enterrada

 

Divinópolis é uma cidade bonita e agradável. Quem a visita pode, em um primeiro momento, acreditar que está em uma terra próspera, com poucos problemas e uma economia pujante. A realidade, porém, não é bem essa. A Princesa do Oeste parece estar carregada de maquiagem para disfarçar suas imperfeições e haja pó compacto para dar conta de todas elas.

Se por um lado a cidade parece atraente para instalar empresas, principalmente de médio porte e no seguimento comercial, na realidade as coisas não são bem assim. O que se vê são várias placas de aluga-se espalhadas porque muita gente está indo embora porque aqui não prosperou.

Se a saída da Coca-Cola e da Kaiser deixou uma grande cicatriz, ela também serve para lembrar que a tragédia vem se anunciando há vários anos e nada foi feito para reverter. Pelo contrário, muita coisa acabou ficando pior do que a encomenda. Um claro exemplo é a rodovia MG-050, que no contrato original nem será duplicada daqui até Itaúna. No trajeto para São Paulo, a rodovia vai apenas se afunilando, ao ponto de virar uma mão única em curva onde só não acontecem acidentes mais graves porque o Divino Espírito Santo é padroeiro da cidade.

Falar de aeroporto já virou brincadeira. Se antes foi comemorada a chegada dos voos da Azul, eles aos poucos foram minguando até acabarem de vez. A cidade termina por ficar ilhada. Não está conectada sequer com a capital, que é tão próxima. Sem espaço físico para novos investimentos, a situação fica pior ainda.

No passado falaram de Zito Pereira e de Proema. Falaram de Cidade Tecnológica e Complexo da Ferradura. Não existe nada disso. Conseguimos apenas um viaduto que não liga nada a lugar nenhum e que se tornou um monumento da nossa incapacidade de lidar com o desenvolvimento. A cidade tecnológica hoje é só um pasto, cheio de cocô de vaca e capim braquiária.

Quando digo do fechamento de empresas antigas, como a Coca e a Kaiser, estou indo muito longe no túnel do tempo. Basta dizer que foram embora recentemente muitas outras como a Sorbom, Slep, Beb’s, Lux Lounge, Diviclean, Bar do Gelú, Cipriano, Chef’s, Só a quilo, Lara Lu, Lilica e Tigor, Le Postiche, Colombo, Lojas Polo Wear, Zig, Samsumg e muitas outras. Nessa pequena lista, que não reflete o todo, entram empresas originais da cidade e até franquias que se enganaram com a princesa maquiada.

Se antes éramos um polo confeccionista, com ônibus e mais ônibus despejando “sacoleiras” na cidade, o que motivou até a concentração de shoppings no entorno da rodoviária, hoje temos estes espaços repletos de lojas fechadas, com poucas abertas e uma triste vendedora atrás do balcão, contando as moscas que passam por ali. Muitos até tentaram mudar a vocação destes shoppings para não perder o investimento que foi feito. Também não deu certo.

Tudo o que o poder público fez até hoje foi criar uma Secretaria de Desenvolvimento que não serve de nada. Consome R$ 2,5 milhões por ano e nunca trouxe um centavo de investimento. Em dez anos não trouxe dinheiro e ainda levou R$ 25 milhões embora. A Prefeitura não é informatizada e sequer emite licenciamentos. Projetos demoram uma eternidade para serem aprovados e nada é feito para se mudar isto.

Agora é torcer pela Cruz de Todos Povos. Tomara que ela abençoe e ilumine o futuro da cidade. Isto é, se ela sair do papel. Tem muita gente que fala que existe uma cabeça de burro enterrada na cidade. Acho que nos últimos anos tinha era muita gente vestindo ela.

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