Buracos nas vias podem se tornar focos de dengue

Maria Tereza Oliveira

Os buracos nas vias já se tornaram parte da paisagem divinopolitana. As reclamações de motoristas são constantes, acidentes também, mas não é apenas o trânsito a ser prejudicado com as crateras. No verão tropical, quando as chuvas e as altas temperaturas são constantes, um velho conhecido volta às manchetes: o Aedes aegypti. Os buracos nas ruas podem se tornar mais uma opção de foco para proliferação do mosquito transmissor da dengue e trazer ainda mais problemas à população.

No ano passado Divinópolis passou por uma epidemia de dengue, com casos confirmados inclusive em meses mais frios. Ao todo, foram 4.607 notificações e 4131 confirmação. Neste ano, já há um caso notificado, embora as campanhas de prevenção estejam a todo vapor.

Prevenir é melhor que remediar

Não deixar água parada é o jeito mais eficaz de prevenir a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Além da dengue, ele também é transmissor chikungunya e zika. A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG)  destaca que os cuidados devem ser permanentes. Portanto, é necessário checar se as calhas estão limpas, a caixa d’água está bem tampada, limpar a bandeja coletora de água do ar-condicionado e geladeira, tampar os ralos e abaixar as tampas de vasos sanitários, limpar periodicamente as vasilhas dos bichos de estimação, colocar areia nos pratos de plantas, manter a piscina tratada e devidamente tampada, recolher e acondicione o lixo do quintal e deixar as lixeiras bem tampadas, entre outros.

Em Divinópolis, a Vigilância Ambiental e a Equipe de Educação da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) intensificaram as ações contra o mosquito no fim de 2019.

O secretário de Saúde, Amarildo de Sousa, lembrou que com o período de chuvas o ambiente se torna mais favorável a multiplicação de focos do mosquito Aedes aegipty, transmissor da Dengue, Zika e Chikungunya. A maior incidência de focos de dengue em Divinópolis está nas residências.

Perigo nos buracos

Um outro foco pode estar nos buracos na cidade. Após as chuvas do fim de semana, diversos buracos no asfalto da cidade se tornaram poças e, continuaram assim por dias, o suficiente para proliferação de mosquitos. O Agora foi procurado por inúmeros cidadão que denunciaram a situação e demonstraram preocupação com o caso.

Mas, de acordo com a Prefeitura, este problema está prestes a ser eliminado. Isso porque, o trabalho de recapeamento será intensificado neste mês, graças a promessa do Governo do Estado de fazer o pagamento da primeira parcela do dinheiro que sequestrou indevidamente dos municípios. O dinheiro deve chegar no fim do mês. 

— Só no caso de Divinópolis, a previsão é de que sejam depositados cerca de R$ 3 milhões, dinheiro esse que será investido na recuperação das vias — lembrou.

O Município explicou que, apesar disso, todo o trabalho da operação tapa-buracos é um paliativo.

— O piso asfáltico das principais ruas de Divinópolis é antigo e está com a base comprometida e muitas fissuras, pelas quais há a entrada de água, o que inicia o processo de formação dos buracos — destacou.

Conforme o Executivo, está preste a ser aberto o processo licitatório para as obras de uma nova pavimentação dos principais corredores de circulação e das linhas de ônibus. O investimento é da ordem de R$ 15 milhões.

— Outra ação importante adotada pela Prefeitura é o enquadramento da Copasa de forma ainda mais rígida na cobrança dos serviços de manutenção. Muitos buracos existentes nas vias públicas de são resultantes dos serviços de manutenção nas redes de água e esgoto. Por força de lei, a Copasa tem que observar prazos e condições técnicas para recompor o asfalto — salientou.

Doenças

A dengue, zika e chikungunya, embora tenham sintomas parecidos, apresentam algumas caraterísticas que podem ajudar a diferenciá-las. A dengue é uma doença infecciosa febril e dura em torno de dez dias. Os sintomas são febre acima de 38°C (com duração de quatro a sete dias), dor de cabeça e no corpo, nas articulações e por trás dos olhos, podendo afetar crianças e adultos. Pode provocar também falta de apetite e mal-estar.

A chikungunya provoca febre alta (duração de dois a três dias), dor de cabeça, dores articulares intensas e dores musculares, manchas na pele (podendo surgir entre o 2º e 5º dia), olhos vermelhos e coceira. O período médio de incubação da doença é de três a sete dias (podendo variar de um a 12 dias). Não existe tratamento específico, nem vacina disponível para prevenir a infecção por esse vírus.

A infecção pelo zika vírus provoca febre moderada (duração de um a dois dias), dor de cabeça, dores articulares e musculares, manchas na pele (surgem no 1° ou 2º dia) e olhos vermelhos. 

Ao sentir os sintomas de alguma destas infecções, é necessário procurar ajuda médica imediatamente.

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