Brasil Sul

Inocêncio Nóbrega

            Filhos do norte, centro e sul, voltavam de Coimbra como bacharéis, moldados no sublime sentimento de brasilidade, que se incorporou ao mesmo espírito desenvolvido pelos cursos de ciências jurídicas e sociais, de São Paulo e Olinda.  A história revela quantos nomes se incorporaram, irreverentes, ao ardor e rebeldia de movimentos libertários e ao abolicionismo. Conforme as épocas, entre a Colônia, Reino, Império e República.

            Nos excelsos recintos pretorianos, juízes e advogados se irmanavam pela nobre causa, escudados na defesa da verdade, do direito e garantias individuais. Honram-nos, nos exprimidos períodos de democracia, como se debatem nos prolongados tempos de exceção, quando o poder das armas se sobrepõe ao da lei. Leis que se originam da liberdade. Justamente, nos governos das trevas, renhidos no papel vocacional que escolheram, por um Brasil menos injusto.

            Nem sempre é assim, no mapa político brasileiro cresce o número dos opressores, contaminando o Poder Judiciário, em todas suas instâncias. Hoje, são bacharéis da Universidade de Harvard, de formação  doutrinária  voltada para o desmonte de todo um ordenamento jurídico alicerçado na moralidade, imparcialidade e comprometido com a   Constituição. Repelimos os agentes do lawfare, que julgam sob convicções e conveniências pessoais, emitindo sentenças parciais e culturalmente preconceituosas, tentando desestabilizar regimes populares.

             Investem contra o opresso de gênese nordestina com fúria separatista nunca vista. Para essa casta em desespero, quem não é Cavalcanti é cavalgado, distinção de classes que se fazia na Revolução Praieira, entre a elite e o povo. São magistrados que buscam quebrar o conceito da unidade nacional, beneficiando-se de oportunidades para destilarem o ódio racial, usando suas penas em adesão à sonhada República do Pampa, à expressão “Meu País é o Sul”!

            O movimento segregacionista parece-nos contaminar o Judiciário, especialmente sulista. Há cidades gaúchas que não aceitam a fraterna convivência com seus entes do norte-nordeste.  O brasilianismo, salvo os patriotas de primeira hora, está sendo questionado. Tal apostasia é o prenúncio do retorno ao passado militar.  Coíbam-se as manifestações atentatórias ao princípio confederado, exaltado na Carta Magna; estabeleçam-se rodízios  nos colegiados dos tribunais federais; transfira-se o foro da Lava-Jato para território neutro, algumas das medidas a serem tomadas, ante condutas que denigrem a imagem de quantos deixaram Coimbra para construírem uma nação altiva e soberana. Negar postulados de pacífica convivência entre irmãos da mesma Pátria é algo intolerável.

Jornalista
inocnf@gmail.com

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