Brasil, mostra a tua cara

 

A tão temida reforma da Previdência foi entregue pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), na manhã de ontem, 20. O texto não traz nada que os brasileiros não saibam. O trabalhador vai ter que trabalhar mais e contribuir mais, se quiser aposentar. O texto trouxe uma contribuição de 40 anos para que o trabalhador se aposente com 100% do salário contribuído durante a vida inteira. Além disso, a idade mínima estabelecida para a aposentadoria é de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, como se o Brasil tivesse um mercado de trabalho que absorvesse pessoas acima de 50 anos.

A coisa ficou séria. Ficou muito séria. É chegada a hora de a população sair do mundo do “zapzap” e entender o que realmente é a reforma da Previdência e como isso impactará na sua vida. É chegada a hora de deixar paixões políticas de lado e encarar que isso, no fundo, é só uma maneira de fazer com que os trabalhadores sustentem cada vez mais os políticos brasileiros.

Com o slogan “Nova Previdência. É para todos. É melhor para o Brasil”, a reforma será mais branda para bombeiros e policiais militares. Mas, afinal, ela não era para todos? Não, parece que a coisa não é bem assim. O tempo da ativa exigido para os militares se aposentarem vai subir. Além disso, a alíquota de contribuição, atualmente em 7,5%, também será elevada, mas ainda ficará abaixo dos valores recolhidos pelos civis. Este é o Brasil em que vivemos! Este é  o país da igualdade. Enquanto a “coisa” começa a tomar forma no parlamento, muitos brasileiros sequer se interessam pelo assunto. Outros continuam com suas vendas eleitorais e não notam que os discursos de campanha eram uns, e agora são outros.

Mas, é exatamente assim a cada quatro anos. De agosto a outubro a conversa é uma. De janeiro até o fim do mandato, a conversa é outra. Mais uma vez o povo é usado como massa de manobra, e mais uma vez é o primeiro a “tomar o tiro”, porque está na linha de frente. Já são quase 31 anos elegendo deputados, senadores, governadores, prefeitos e vereadores, e o povo simplesmente não aprende. A paixão toma conta da racionalidade, e quem paga o pato é aquele que acreditou piamente que, desta vez, “ia”. Pois é, não foi. Ainda não foi desta vez que o país elegeu um herói, salvador da pátria, “melhor presidente que o Brasil já teve”.

Basta acompanhar os noticiários para ver que a promessa de aquecer o mercado do trabalho, que a reforma trabalhista trazia não passou de promessa. E, mais uma vez, o povo verá diante dos seus olhos, diante deste silêncio ensurdecedor, que a reforma da Previdência favorecerá apenas uma classe. E esta classe não é a do trabalhador. Enquanto o governo está preocupado em “bombardear” o eleitor com informações fúteis, as negociatas – mamatas – continuam a acontecer nos bastidores, como sempre ocorreram, como manda o figurino. E, enquanto o povo se deslumbra com essas “informações”, tem muita gente “pagando para a gente ficar assim”. E assim a vida segue o seu rumo. Cada dia um novo 7x1, e cada um com sua máscara.

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