Bollywood, isso sim!

Preto no Branco - Bollywood, isso sim!

Muita aparição e pouca produção. Realidade presente nas reuniões da Câmara. Fala do vereador Edsom Sousa (DEM) na Tribuna Livre afirma que Divinópolis é a Hollywood com políticos que se especializaram em produções de vídeos e conquista de seguidores, curtidas e compartilhamentos em redes sociais. Mas, a bem da verdade, aqui virou foi a Bollywood do cerrado, fazendo um comparativo sarcástico com a cidade de Mombai, que é o centro das produções cinematográficas na Índia e produz filmes de muito mau gosto, apesar dos milhões de dólares investidos. A tentativa é tão somente copiar as superproduções do cinema americano, comentou, com a coluna, um dos mais ferinos analistas políticos de Divinópolis que pediu para não ser identificado. E ele está coberto de razão. Que me desculpe, Edsom, mas é até “maldade” comparar tanta bizarrice com a maior e espetacular produção de cinema do mundo.

Há quem goste

Gosto não se discute. É óbvio, senão, faltaria graça em diversas situações da vida. Por isso, acredite, há quem goste de ver o que é oferecido por parte de alguns vereadores nesta legislatura. E aprecia também situações parecidas no Executivo. Aplaudem, comentam nas redes sociais e até reproduzem os vídeos. Se acham que esta “forma midiática” de representar é a adequada e satisfatória, fazer o quê?! 

Mais do que isso 

Governar e representar vai muito além de vídeos, falas sem noção e chiliques.  Vemos, de forma lamentável, os últimos movimentos da política brasileira que apontam um futuro em direção ao abismo. Alguns importantes representantes no Legislativo e, principalmente, no Executivo vêm colocando em prática, já há algum tempo, a  estratégia de consolidação do retrocesso. Trocando  em poucas palavras: quando o eleitor começava a melhorar sua forma de enxergar e participar da política, regrediu consideravelmente ao aplaudir políticos dos vídeos, que se acham artistas e que tudo podem, apenas apertando a tecla “gravando”. 

Justiça politizada 

Outro agravante nesse processo de mudança negativa é que judicializaram a política e politizaram a Justiça. O Executivo há muito tempo deixou seu propósito e tem como único projeto de poder se manter nele. Do outro lado, o Judiciário também se perdeu na sua meta por meros interesses de parte de seus integrantes.  E vai-se ainda mais longe, o importante poder que se elevava ‒ e o faz até hoje ‒ como juiz da Constituição Federal se cegou de forma voluntária, enquanto a República era corrompida, e se corrompe. O resultado é o descrédito no poder que era, então, a única esperança de justiça neste país. E é exatamente por causa dessa parcialidade que não dá para confiar em magistrado que não ocupe cargos que não seja por mérito. Como por aqui vale o “quem indica”, a esperança de melhora já minou e faz tempo.

Falta mobilização 

Se definhando e frágeis, os três poderes caminham para deixar um legado nocivo ao país: a ausência de projetos eficazes e benéficos à população ‒ o vazio dos poderes confirmam a ausência de perspectivas. Cenário que comprova a falta de estratégias e inteligência e acentua ainda mais os interesses próprios que seguem predominando. O que falta? O que sempre se omitiu de suas responsabilidades. A força do povo, por meio de uma mobilização popular. Por mais que alguns “gatos pingados” tentem, falta uma estratégia de frentes estabelecidas no diálogo com a sociedade em geral, partindo principalmente dos movimentos sociais, sindicatos e convencendo a juventude, parte fundamental e que pode fazer a diferença. Ou é isso, ou caminhamos definitivamente para um caminho sem volta.

Muito merecido 

No momento em que a política atual deixa muito a desejar, este PB parabeniza um político que deveria servir de inspiração. Aristides Salgado. Arquiteto, escritor, polivalente e, principalmente, cidadão divinopolitano, agora faz parte da Academia Divinopolitana de Letras (ADL). Nada mais justo. Afinal, a história e a importância de Aristides para Divinópolis precisam servir de aprendizado para muita gente.

 

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