Bodas de Carbonato

João Carlos Ramos

A palavra BODAS é originária do latim VOTUM, significando PROMESSA e se refere a comemorações de períodos de união matrimonial. Surgiu na Alemanha medieval. Os vizinhos presenteavam aqueles que completavam 25 e 50 anos de casamento. Eram simbolizados pela prata (25) e ouro (50). Com o passar dos anos, tais comemorações se expandiram e popularizaram, sendo atualmente um total de 100 bodas. O primeiro ciclo de convivência se refere a um ano e o último de 100, intituladas Bodas de Papel e Bodas de Jequitibá, respectivamente. É interessante observarmos que a árvore de JEQUITIBÁ é cognominada de "gigante da floresta", pois possui de 30 a 50 metros de altura.

O cientista Albert Einstein, ao visitar o Jardim botânico do Rio de Janeiro, ao tomar conhecimento das propriedades da referida árvore, a abraçou e beijou, emocionado. No município de Santa Rita do Passa Quatro (SP), existe uma espécie de Jequitibá de 3 mil anos de idade, com 40 metros de altura, o equivalente a um prédio de 13 andares. São necessários 10 homens para abraçá-la. É considerada a árvore brasileira mais antiga que se tem registro.

Sua imponência assusta a todos os transeuntes e nos concede uma exuberante mensagem de longevidade e protecionismo. Na metade do caminho, encontramos as bodas de ouro, se referindo a 50 anos.

Não existe receita de bolo, mas persistência em meio a todas as tempestades. Amar, acima de tudo, é suportar o objeto de seu amor. As adversidades são semelhantes a fortes ventos, que atacam para derrubar a árvore, mas ela possui um instinto de autodefesa e, automaticamente, fortalece e expande suas raízes. "Pode bater à vontade, resistirei sempre!" Com o passar do tempo, aprendemos até com as fragilidades um do outro e diminuem as cobranças, pois somos feitos do mesmo material. Segundo pesquisas recentes, a pandemia da covid-19 gerou um aumento significativo nos índices de divórcios em todo o mundo. A meu ver, longe eram mais felizes, porque o amor era desconhecido e reinava apenas a paixão obsessiva pelos prazeres que a carne pode oferecer. Somente humanos podem dar conselhos, pois vivenciaram o inverno dos relacionamentos e o vulcanismo da espontaneidade. Quando um casal se casa é feito o juramento de fidelidade, enquanto não se aproximar o espectro com sua foice apavorante chamado morte. Indubitavelmente, alguns filhos da referida vão zombar de minhas palavras de ouro puro, se apegando ao modernismo podre de então.

Aconselho a eles vomitarem contra mim na hora extrema, quando lhes faltarem o fôlego de vida e eu não estiver perto para perdoá-los. "Deus não se deixa escarnecer, tudo que o homem semear ele colherá!" Tenho ouvido várias pessoas contarem que presenciaram o famoso "pé na bunda", feito pelas ex-amantes, naqueles que abandonaram suas lindas esposas pelo lixo da aventura. Igualmente, mulheres aos prantos lamentarem a felicidade de outrora, pois eram felizes e não sabiam...

Enquanto isso, ao pé da montanha de amor, entrelaçados e banhados pelo clarão da lua, JOÃO CARLOS E MARITA continuam suas núpcias, mais amadurecidos, belos e fortes.

Todas as mulheres morreram quando contemplei o brilho de teus olhos. No alto de meus 64 anos, lanço-lhe ardentes beijos, pois EU TE AMO!

jocarramos@gmail.com

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