Blocos revelam que não foram consultados sobre cancelamento do pré-carnaval 2021

‘Fiquei sabendo pelas redes sociais’, declarou um dos organizadores; decisão divide opiniões

 

Bruno Bueno

Dois tradicionais blocos carnavalescos não foram informados sobre o cancelamento do pré-carnaval de Divinópolis em 2022. Ao menos é o que afirmam os representantes do Haja Amor e Bloco dos Caveiras. 

Um dos organizadores informou à reportagem que ficou sabendo da decisão por meio das redes sociais do prefeito Gleidson Azevedo (PSC), que, na última quinta, 25, publicou um vídeo dançando com a vice-prefeita Janete Aparecida (PSC).

 

Haja Amor

A representante do bloco Haja Amor, Laís Alves, disse que entende a situação da pandemia na cidade, mas argumenta que a decisão poderia ter sido tomada em outro momento.

— A gente compreende que neste momento temos que ter cautela e avaliar a situação de saúde no país. No entanto, não achamos que agora tenha sido o momento adequado para tomar a decisão —  disse.

Ela ressaltou que o bloco não foi consultado pela Prefeitura sobre a decisão. Ainda de acordo com a representante, a realização do Réveillon e de outras festas gerou questionamentos entre os membros da instituição carnavalesca.

— Uma parte do grupo entende a situação, principalmente pela parte sanitária, todavia, outros questionam sobre a realização do Réveillon e de outros eventos que serão mantidos. Muitas pessoas ficaram chateadas, já que várias têm no carnaval uma oportunidade de renda — afirmou.

Laís explica que o bloco estaria interessado em realizar o pré-carnaval em uma outra data. A decisão, no entanto, depende da realização da festa em Belo Horizonte.

— Sim. Mas, no nosso ponto de vista, não tem sentido realizar a festa em Divinópolis em junho se o carnaval de Belo Horizonte não for próximo da data. Nós seguimos o calendário da maior festa de Minas Gerais. Nossa cidade se consagrou como um dos melhores pré-carnavais do estado — ressaltou.

 

Bloco dos Caveiras

Membro do Bloco dos Caveiras, Renato Mendes disse que a decisão foi lamentada pelos integrantes do grupo. Ele também informou que ficou sabendo do cancelamento por meio das redes sociais.

—  No primeiro momento, a gente lamentou. É um evento excepcional que traz benefícios em cadeia de valor. Prejudica os blocos, foliões e o comércio em geral. De certa forma, no entanto, a gente entende a situação. Não fomos informados sobre a decisão pela Prefeitura. Eu, por exemplo, fiquei sabendo pelas redes sociais — pontuou.

 

Os ensaios para o pré-carnaval estavam ocorrendo, segundo Renato, desde agosto.

— O pessoal ficou muito insatisfeito. O pré-carnaval é o mais esperado pelos participantes. Temos interesse em realizar outra data, esperando que essa situação possa se reverter. Quem sabe o ambiente esteja mais favorável em outra data oportuna — enfatizou.

 

Câmara

A reportagem também ouviu o posicionamento do presidente da Câmara Municipal, vereador Eduardo Print Júnior (PSDB). Em sua opinião, a realização não iria causar um novo fechamento no comércio.

— Ainda é um pouco cedo para afirmarmos se foi uma decisão correta ou não. Eu entendo a intenção do prefeito, mas acredito que o pré-carnaval não inviabilizaria o comércio, uma vez que ele é realizado num só dia aqui na cidade e no fim de semana, e ainda poderia fomentar as vendas em determinadas regiões de Divinópolis — pontuou.

Todavia, o vereador declarou que o momento atual é de incerteza em relação à pandemia.

— Por outro lado, ainda estamos em meio a incertezas quanto ao vírus, com o surgimento de novas notícias a cada dia, e ainda sequer temos certeza da realização do carnaval nos grandes centros do país. Vamos torcer para que consigamos retomar às atividades normais até o período de carnaval — disse.

 

Autorização

De acordo com a Prefeitura, festas privadas de carnaval não estão proibidas. Uma autorização concedida pela Vigilância Sanitária, bem como a adoção de protocolos sanitários, são essenciais.

— Assim, o organizador responsável pelo evento deverá ter controle de pessoal e um espaço particular para promover a festa. Por esse motivo, é extremamente importante que o responsável venha até o setor de Vigilância Sanitária e faça sua programação dentro do protocolo que será apresentado, para cumprimento dos requisitos — afirmou.

 Janete Aparecida (PSC) disse que a decisão foi baseada no momento atual da pandemia, que, segundo ela, não permite fazer grandes aglomerações.

— Nós estamos falando de um pré-carnaval que pode ter a participação de quase 80 mil pessoas e fica praticamente incontrolável, não tem como ter o mínimo de distanciamento para estar fazendo um evento dessa magnitude, então, por segurança, o prefeito tomou a decisão de não fazer a festa, deixando para fazer uma festa muito bonita e segura no ano de 2023 — explicou em nota divulgada pela Prefeitura.

 

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