Bioterrorismo

Inocêncio Nóbrega

H1N1, H5N1, SARS, são variantes tipificadas atribuídas ao estado gripal da pessoa. Foram-lhe dados outros nomes, a começar pela gripe espanhola, de 1918, pandemia que nos custou 40 milhões de mortos. O presidente da República, Rodrigues Alves, foi vítima da doença, assim não escolhendo do simples cidadão ao de alto cargo de uma nação.  

Houve período bastante significativo, para acontecer, em 1960, a “gripe asiática”, com a peste suína nos levarem preciosas vidas. Retorna, com menos intensidade em 2003, a conhecida “gripe aviária”. Seis anos após, parece avisar ao mundo: “preparem-se, novamente estarei com vocês, agora com força total”. A mensagem confunde cientistas e autoridades geopolíticas, para aquelas algumas questões são levantadas, desde a epidemia de Síndrome Respiratória Aguda aos métodos de confinamento de aves e suínos, geradores de graves problemas sanitários. Apressam-se os estudos, aprofundam-se as pesquisas, acreditando-se que o vírus, um novo tipo de influenza, está circulando: a redução de contágio é preciso. 

O México, grande exportador de carne suína, é considerado o foco dessa propagação. Medidas restritivas, locais, são tomadas. São 11, os países infectados, com notícias de mortos. A Áustria, dava conta à OMS do surgimento, aí, de um caso. No Brasil, são 30 os pacientes monitorados, enquanto que o garoto mexicano, Edgar Hernandez, sobrevive num hospital do Texas. Voos do México são suspensos, eventos públicos e aglomerações evitados, enquanto uso de máscaras recomendável. Hábitos da população, igualmente alterados. 

O fantasma viral tem de ser descoberto, com introdução de novas técnicas epidemiológicas e acompanhamentos sanitários. Ele é despertado, em artigo do holandês Ron Fourchier, numa publicação científica. O Painel Consultivo sobre Biossegurança, dos EUA, pede, informalmente, que se omitissem informar a metodologia utilizada pelos pesquisadores, algo que a revista Science e Nature entende como uma maneira de censura, resolvendo atendê-la por três meses. Verificou-se que a sigla do órgão, NSABB, em inglês, entendia que o método da equipe, da alteração genética do H5N1, tinha cunho bioterrorista. Kawaoka, um dos acusados, diz que essas mutações virais se convertem num “potencial transmissor entre os mamíferos, podendo emergir na natureza”, e que seria uma irresponsabilidade não estudá-lo e a forma de divulgação desses trabalhos, o que o ministro Mandeta seguiu, com muita propriedade, na condução do combate à covid-19. No momento, esperança de sobrevidas, por princípios vacinais e de comportamentos, pessoais e sociais.  

inocnf@gmail.com

       

 

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