Bebês foram trocados em hospital

 

Maria Tereza Oliveira

Um caso digno de trama de novela aconteceu em Divinópolis na década de 1970. Após passar anos ouvindo piadas, um homem de 39 anos fez um exame de DNA e descobriu que os pais que o criaram não eram os biológicos.

O casal Maria do Carmo Cruz e Firmino Lino da Costa teve seu primeiro filho: Richard Alexandre da Costa em Divinópolis. O primogênito nasceu no dia 15 de fevereiro de 1977.

De acordo com dona Maria, logo que o filho nasceu, não pode vê-lo por causa de complicações no parto.

Firmino foi até o berçário ver o filho e notou que o bebê tinha pele e cabelos morenos. Mesmo ele sendo loiro de olhos claros, o pai não estranhou a aparência de Richard, já que, na família da esposa, havia pessoas com essas características.

Descoberta por acaso

A família, que atualmente mora em Sete Lagoas, a 170 km de distância, ouviu a vida toda piadinhas sobre troca de bebês, já que Richard não se parecia com os pais ou irmãs.

Conforme os anos iam passando, a diferença física de Richard e os outros membros da família ficou mais evidente. Ao passo em que isso acontecia, a frequência das piadas aumentava.

Certo dia, uma pessoa questionou a paternidade de Richard, insinuando que dona Maria teria traído o marido.

— Eu fiquei contrariada e ainda disse para Richard que se ele não fosse filho biológico do Firmino, ele também não era meu — lembrou Maria.

Inconformada com a acusação, em 2015, a família realizou um exame de DNA para acabar com todas as dúvidas.

Confiante no resultado, a família havia planejado emoldurar o exame e colar na parede da sala, todavia, os planos foram frustrados.

Para a surpresa do casal e do filho, dez dias depois, o resultado do exame apontou que Richard não é filho de Firmino e nem de Maria.

Troca na maternidade

Confusos e querendo saber qual foi a outra família afetada pela suposta troca de bebês, os três procuraram a instituição de saúde que realizou o parto. Entretanto, ao chegarem ao hospital São Judas Tadeu, no Centro de Divinópolis, eles receberam uma negativa dos funcionários.

Com isso, não conseguiram descobrir os outros bebês nascidos no dia 15 de fevereiro de 1977.

O casal acredita que houve troca de bebês na maternidade, mas, como não conseguiram os dados de maneira direta com o hospital, buscaram outros caminhos.

Busca na justiça

Os pais acionaram a Justiça para tentar ter acesso aos documentos. O processo segue caminhando, mas, quatro anos depois da descoberta, Maria e Firmino, assim como Richard, desconhecem a outra família envolvida.

Cansados de esperar, enquanto a Justiça não caminha, a família usa as redes sociais para buscar as pessoas que nasceram na mesma data e local que Richard.

 Até o momento, sete realizaram o exame de DNA, no entanto, nenhum resultado foi compatível.

Esperança

Dona Maria afirma que, embora Richard não seja biológico, ainda o considera seu filho, pois foi a quem ela deu amor e criou.

Mesmo assim, a família ainda busca os envolvidos na suposta troca para saber como o filho biológico está, além de garantir a Richard a oportunidade de conhecer outros familiares.

Enquanto a busca continua, dona Maria escreveu uma carta, que espera entregar para a pessoa que criou o outro filho.

Na carta, ela destaca as qualidades de Richard, como mãe coruja, e conta partes da vida dele em sua família.

— Beijos da mãe que criou seu filho para a mãe que criou o meu — encerra a carta.

Hospital

O Agora procurou o hospital São Judas Tadeu para saber como vão as investigações, quantas crianças nasceram na maternidade no mesmo dia que Richard e outros questionamentos.

A assessoria do hospital limitou-se a dizer que não está autorizada a passar nenhuma informação sobre o caso porque está em segredo de justiça.

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