Audiência em Divinópolis debate avanço tecnológico

 

Matheus Augusto

Uma mudança simples, mas que pode significar um avanço para a cidade. A Secretaria Municipal de Administração, Orçamento e Informação (Semad) se tornou a Secretaria de Administração, Orçamento, Informação, Ciência e Tecnologia. A inclusão dos últimos dois setores foi possível com a aprovação do Projeto de Lei Ordinário do Executivo Municipal 51/2019, votado na Câmara no dia 24 de setembro. O fortalecimento do setor, através de parcerias com empresas de tecnologia, estudantes e acadêmicos da área, será discutido em audiência pública hoje, às 19h, na Câmara Municipal.

Projeto

Segundo a proposta, a intenção é incentivar, através de políticas públicas, o desenvolvimento de inovações tecnológicas na cidade.

— A presente proposta legislativa tenciona dar guarida ao surgimento e ao incremento de projetos e programas voltados para o desenvolvimento científico e tecnológico da Administração Pública, propriamente dita, e da comunidade divinopolitana como um todo, em tempos que cada vez mais evidenciam a importância desse setor, propulsor que é, mediata e imediatamente, do surgimento de um leque de oportunidades, tanto para o setor público quanto para o privado, num espiral crescente de progresso econômico e social — justifica o texto.

Ainda segundo o texto aprovado pelos vereadores, a alteração da nomenclatura da pasta não implicará em gastos extras ao cofre público, uma vez que a secretaria já contava, em sua estrutura interna, com a Diretoria de Infraestrutura e Desenvolvimento Tecnológico.

Mudança

O autor do pedido da audiência é o presidente da Comissão de Administração Pública, Infraestrutura, Serviços Urbanos e Desenvolvimento Econômico, vereador Eduardo Print Jr. (SD). Ele afirma que Divinópolis apresenta as condições necessárias para o desenvolvimento tecnológico. 

— Já houve um projeto anteriormente para a execução da Cidade Tecnológica, mas não foi para frente. Com os avanços tecnológicos e com o fato de que Divinópolis se tornou uma cidade universitária, com grande número de jovens que se interessam pela área, precisamos fazer com que o município se firme como um exemplo para as regiões vizinhas, e há oferta e demanda para isso — explicou.

O vereador, líder do Governo na Câmara, explicou que é preciso entender a inovação tecnológica como um avanço econômico para a cidade.

— Quando falamos de ciência e tecnologia, não é apenas de acesso à internet pelo celular ou melhoria no serviço de telefonia. É tecnologia de ponta, que gera empregos, renda e transforma a cidade numa referência tecnológica para a região. O investimento que precisa ser feito na área para não deixar o município atrasado em relação a cidades do mesmo porte se tornará irrisório em alguns anos, tendo em vista a economia que será registrada e o grande impacto econômico que Divinópolis terá. Na mesma proporção que, tendo empresas prontas para investir em um campo tecnológico dentro de uma cidade que fomenta a área, os empregos e giro de capital aumentarão — ressaltou.

Proposta

A iniciativa do projeto de lei surgiu através do empresário do ramo de computação gráfica Igor Santos Bastos. Ao Agora, ele explicou que notou a necessidade de Divinópolis avançar politicamente nessas questões.

— No começo do ano, comecei a formar uma sociedade civil organizada, junto com empresários, profissionais liberais, ONGs, terceiro setor, enfim, todo mundo. A gente tem conversado sobre a cidade, e uma das demandas que nós vimos é a falta de segurança jurídica que o Município tem para com nossos setores, e um deles é tecnologia e inovação. Começamos a elaborar uma lei. A primeira redação é minha, mas teve oito mãos ajudando nisso, desde membro da universidade até donos de empresa, e foi uma lei feita em conjunto — contou.

Igor também explicou que procurou o líder do governo para apresentar o projeto, que já havia sido implementado em outras cidades.

— Esse modelo de legislação [que nós escrevemos] já existe no Brasil inteiro, nós não estamos inventando nada novo. Já tem em Joinville (SC), Florianópolis (SC). Há um capítulo que nós aperfeiçoamos, destinado à tecnologia e inovação dentro da Prefeitura, que facilita a desburocratização e a implementação de novas tecnologias dentro da Administração Municipal. Isso é o que nós temos de inovador. Nós pesquisamos bastante e nenhum desses projetos tinha isso — afirmou.

O vereador Eduardo Print Jr. explicou que um dos motivos para se tornar uma das principais vozes do projeto foi a possibilidade que o desenvolvimento tecnológico pode oferecer a cidade diante das dificuldades financeiras.

— Este é o principal incentivo pelo qual eu aceitei abraçar o projeto. Primeiramente, ele foi apresentado a mim pela Ecocria, liderada pelo empresário Igor Bastos, que trabalha diretamente na área. Por várias semanas temos discutido isso. Eu vivo os dois lados da moeda: o de vereador e o do empresariado, que está muito animado com essa implantação da pasta. Divinópolis tem potencial e demanda para ter sucesso neste setor — explicou.

Segundo Print, a expectativa é que o projeto gere frutos já nos próximos anos.

— Se eu estivesse à frente de um projeto deste há cinco anos, diria que seria uma proposta de longo prazo. Mas a nossa expectativa é de que prospere em pouco tempo. Nos debates iniciais com o Igor e demais partes envolvidas, planejamos um crescimento das atividades em dois, três anos. Já existem empresas do ramo tecnológico em Divinópolis e que, inclusive, estarão amanhã [hoje] na audiência pública. E esperamos que outras venham para a cidade, dando oportunidades para os estudantes das instituições de ensino superior que temos aqui e, consequentemente, atraindo cada vez mais estudantes e investidores — destacou.

Audiência

Sobre a audiência pública, Igor Bastos explicou que é uma oportunidade de os vereadores entenderem melhor o projeto e o setor, e também de ouvir a população na elaboração do próximo projeto na área.

— O primeiro passo foi mudar o nome da secretaria. Agora nós montamos essa audiência pública para explicar aos vereadores o que é tecnologia e inovação e para a sociedade poder colaborar. Nós vamos apresentar o projeto e ouvir sobre o que as pessoas concordam, discordam e quais mudanças elas acham necessárias. E, em cima desse debate, veremos os pontos pertinentes e, depois da audiência, a ideia é levar ao plenário e votar — informou.

O empresário também destacou a necessidade de Divinópolis recuperar o tempo perdido.

— Os outros municípios já têm essa legislação desde 2008, porque foi feito um marco regulatório pelo governo federal que possibilita a regulamentação. Só que Divinópolis ficou para trás. E as nossas indústrias tradicionais, ferro gusa, siderúrgica e confecção, foram varridas pela China. O Sinvest fez uma pesquisa recentemente que 73% de todas as lojas de roupa de Divinópolis são de produtos chineses. Então, se nós temos ¾ vendendo produtos da China, que sacoleiro vai sair do Nordeste, de Goiás, para comprar aqui?  Nenhum. Divinópolis foi perdendo essa indústria tradicional. E, quando ela entra em crise, a economia precisa se reinventar, e nós temos grandes empresas de tecnologia em Divinópolis. Na audiência pública vamos apresentar as maiores. Tem empresa de tecnologia na cidade que tem cerca de 300 funcionários, e ninguém nem sabe o nome, não sabe nem que existe. Então como são empresas que trabalham no operacional da tecnologia, atrás dos códigos, elas ficam meio invisíveis. E é importante nos darmos visibilidade e voz para essas empresas para a gente repensar o projeto de cidade — explicou.

Igor Bastos ainda afirmou que a cidade precisa oferecer segurança jurídica e possibilidade de desenvolvimentos dos empresários da área.

— Independente de partido político, hoje, a cidade não tem um projeto político-econômico. Nenhum. Nenhum partido político, nenhuma veia política, nenhum candidato, nada, hoje, tem consigo um projeto de desenvolvimento para a cidade. E o desenvolvimento não vem por osmose, ele não cai do céu. E se a sociedade civil não se organizar e apontar o caminho e seus desejos, nunca vai evoluir. Esse projeto tem que vim da gente, dos empresários, dos profissionais liberais — concluiu.

 

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