Até quando?

Editorial - Até quando? 

Neste fim de semana, mais uma mulher perdeu a vida pelo simples fato de não querer mais estar em um relacionamento. Maria Aparecida Souza, de 49 anos, foi assassinada dentro de sua casa após ser empurrada pelo ex-companheiro e bater com a cabeça no vaso sanitário. O suspeito, Cícero Benedito de Souza, de 61 anos, foi preso na rodoviária de Divinópolis, após desembarcar de um carro de aplicativo. Segundo informações, ele tentava fugir da cidade. “Tida”, como era carinhosamente chamada por seus amigos e familiares, deixou filhos, sobrinhos, irmãos, infelizmente, virou uma apenas uma estatística. De acordo com relatos, a vítima teria pedido o divórcio, mas o marido não aceitava e a perseguia e ameaçava por não aceitar a separação. Hoje, os sonhos de liberdade de “Tida” não existem mais. Sua vida foi interrompida de maneira brutal por desejar não viver mais em um relacionamento, que possivelmente não a completava mais. 

Junto a Maria Aparecida estão milhares de mulheres que perderam a vida pelo mesmo motivo. Conforme o último levantamento divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho, no ano passado o Brasil contabilizou 1.350 casos de feminicídio, o que representa um caso a cada seis horas e meia. Tudo isso só nos leva a um pensamento: quando as mulheres serão livres de verdade? Quando elas poderão terminar relacionamentos sem temer pela vida? Quando poderão andar pelas ruas sem medo de serem assediadas? Quando poderão vestir roupas sem medo de serem julgadas? Quando elas poderão viver sem medo de serem estupradas? Quando elas serão delas? Quando a sociedade vai parar de achar que a mulher é objeto, ou propriedade de alguém? Quando? O que falta para que vidas sejam poupadas? O que falta para que elas tenham proteção?

Os questionamentos acerca do assunto são os mais diversos e, talvez, eles nunca tenham uma resposta ou ações concretas que consigam evitar que filhos percam suas mães pelos simples fato de elas quererem ser livres; que mães não percam suas filhas pelo simples fato de elas optarem de não estarem mais em relacionamentos que possivelmente são abusivos. E tudo isso nada mais é do que desolador, pois os assassinatos continuam e elas seguem presas em suas almas pelo simples fato de serem mulheres. E, em uma sociedade comprovadamente machista, não há grandes expectativas de que haja acolhimento, apoio e políticas públicas que de fato funcionem. Afinal, já está mais do que provado também que a dependência financeira e emocional são os fatores determinantes para que milhares de mulheres permaneçam em relacionamentos abusivos. 

Enquanto você lê este editorial, uma mulher está sendo assinada pelo seu companheiro ou ex-companheiro. Daqui seis horas e meia, outra mulher será morta por aquele que, um dia, ela acreditou ser o homem da sua vida. E assim, dia após dia, milhares de mulheres perdem suas vidas pelo simples desejo de serem livres. Diante tudo isso, a pergunta é: até quando? Até quando elas estão presas quando a vontade é apenas voar?

 

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