As urnas da democracia

Raimundo Bechelaine

Apesar da pandemia, aí estão elas, as eleições. Aqui, ali e lá. Ou ali, lá e aqui. A ordem não importa tanto. O fato é que elas acabam tornando-se o assunto do dia. Impossível ignorá-las.

Na gloriosa França dos finos queijos, vinhos, literatos e mais tantas grandezas e elegâncias, houve eleições municipais em março, mesmo sendo ainda a pandemia uma novidade assustadora. Na vizinha Bolívia, houve eleição e posse presidencial, um ano após o golpe que depôs Evo Morales, o índio presidente; o voto popular trouxe de volta ao poder, logo no primeiro turno, o Movimento Pelo Socialismo (MPS). Nos Estados Unidos, totalmente desunidos pela polarização entre o que se supõe ser o Bem e o Mal, elegeu-se também o presidente, na semana passada. Ou não se elegeu? Há quem duvide.  

Enfim, após mais de 160  mil urnas funerárias, iremos às urnas eletrônicas: nossas eleições municipais terão, no próximo domingo,  o primeiro turno. Para nós, nas cidades pequenas, o único e decisivo turno. Campanhas, debates, pesquisas, horário eleitoral, bandeiras acenando nas esquinas, folhetos e "santinhos" nas caixas de correio, enfim, toda a azáfama que cerca a disputa pelo poder político vai chegando ao fim. Partidos e candidatos correm atrás do tempo, jogando as últimas cartadas.

Curiosamente, por razões que só a Globo conhece, nós, eleitores deste velho Centro-Oeste, estamos bem informados sobre as eleições na distante Araxá de Dona Beja. Tem até gente por aqui torcendo por candidatos de lá, onde vários oponentes disputam o Executivo. Enquanto isso, ignoramos o que se passa na querida Itapecerica, nossa cidade-mãe, em Pitangui, em Nova Serrana, em Oliveira, Formiga, Itaúna, Pará de Minas e outras comunas do nosso entorno. Na vizinha Cajuru, "alea jacta est", a sorte está lançada. O arquiteto e músico Edson Vilela, candidato único, será reeleito. Já em Itaúna, são seis candidatos.

Nossa Divinópolis cansada de guerra oferece, dessa vez, muitas opções. Nove candidatos apresentam-se para o Executivo. Há nomes e vozes já bem conhecidos e também rostos novos, só agora descobertos pelo público votante. Tal quadro pode surpreender, colocando um personagem novo no centro do cenário político, ou então pode confirmar uma figura mais tradicional.    

Teremos uma apuração tranquila, com o vencedor logo se impondo? Ou teremos daquelas disputas voto a voto, apertadas e emocionantes? Que futuro as urnas nos apontarão? Domingo à noite, já saberemos. jorababech@gmail.com




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