Aprendendo a falar ‘não’

O “não” faz parte do amor, mas por que as pessoas tem tanta dificuldade de falar esta simples palavra?

Não são poucas as vezes em que o "sim" é falado mesmo quando a vontade é de dizer "não". Isso acontece até em situações do dia a dia. Por exemplo: quando um amigo pede novamente dinheiro emprestado, sendo que nunca pagou o que devia anteriormente. Nesses momentos, o primeiro impulso, educadamente contido, é falar um sonoro "não". Mas a resposta é um “sim” simpático e, quase sempre, dito com falsa alegria. Surge, então, a pergunta: por que as pessoas, geralmente, têm tanta dificuldade em dizer “não”?

Isso começa na infância. A criança que não é reconhecida, elogiada, que não se sente amada, fica numa busca incessante por reconhecimento. Forma-se então um círculo vicioso: faz tudo pra agradar em busca de obter o reconhecimento, não o obtém, se sente rejeitada, o que gera nova necessidade de agradar para ganhar atenção e carinho...  E isso provoca sérios problemas de autoestima.

De forma inconsciente, esse comportamento vai sendo sedimentado e a pessoa o carrega pela vida adulta afora. Assim, ela desenvolveu uma necessidade de querer agradar a todos o tempo inteiro para ser aceita e amada.  

Em primeiro lugar, por se sentirem culpadas em não agradar o outro. Nós acreditamos que para serem amadas não podem se posicionar de forma contrária nem colocar limites nas relações. Além disso, autoestima baixa, sentimento de culpa e pena muitas vezes estão por trás dessa dificuldade

palavra “não”, apesar de simples, é ampla em significados. Usada para impor limites nas mais diferentes situações culturais, sociais, políticas e pessoais, há quem tenha medo de usá-la e arcar com as consequências que vêm com ela, mesmo que estas sejam boas para quem a proferiu.

No fundo há um temor de ser abandonado por aquele que negamos um favor, a bondade exagerada é uma forma de comprar o amor dos outros, o que obviamente não ocorre. Quem só sabe falar “sim” apresenta grande dificuldade de impor limites e acaba se atolando de atividades e tarefas sem necessidade, o que gera intenso estresse.

Com um pouco de treino e força de vontade é possível virar o jogo sem prejudicar ninguém. A pessoa terá que começar aos poucos, falar “não” para coisas pequenas, com pessoas mais próximas. Outro passo para a mudança é procurar identificar as coisas que desagradam, que deixam a pessoa mal quando ela abre mão de seu próprio desejo para satisfazer o do outro, ou seja, eu dou um “sim” para o outro e um “não” pra mim. Estou agradando o outro e esquecendo da pessoa mais importante do mundo, eu mesma. Desrespeito por nós mesmos, autoagressão, desmerecimento das próprias necessidades etc.

Considerando que assertividade trata-se da capacidade de conseguir colocar suas necessidades e prioridades da forma adequada e no momento adequado, saber dizer “não” tem tudo a ver com assertividade, pois interagimos num mundo onde cada um pode defender apenas o seu lado, se não conseguimos falar “não”, o que prevalecerá poderá ser apenas a prioridade e necessidade do outro. Claro que saber dizer “não” não se trata de simplesmente sair pronunciando esta palavra indiscriminadamente, ou seja, simplesmente se dar o direito ao egoísmo e não considerar as necessidades dos outros, mas de ter habilidade em reconhecer quando seria o caso do outro ouvir este “não” e quando somos nós que temos que ceder, para isso considero que pode ser necessário, além da autoestima em dia, bastante humildade e até compaixão.

Saber dizer “não” facilita algumas situações nas nossas vidas, mostra reconhecimento, segurança e respeito pelos amigos etc.

talytalaysilva@ig.com.br

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