Após vacinação, Divinópolis registra queda de 43% na morte de idosos

Dados são dos últimos quatro meses; grupo de risco era responsável por quase 70% dos óbitos

Bruno Bueno

A vacinação contra a covid-19 tem apresentado resultados significativos também em Divinópolis. Pelo menos é o que indicam os dados de mortalidade entre idosos com 60 anos ou mais no município, que apresentaram, nos últimos dois meses, uma redução de 43%.

A apuração feita pelo Agora com dados disponibilizados pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) fez um comparativo dos meses de março, abril, maio e os primeiros 21 dias de junho. Nos dados, é possível notar uma tendência de queda nos óbitos entre as pessoas com 60 anos ou mais.

Entre março e abril, Divinópolis registrou 166 mortes pela doença. Segundo dados da Semusa, 116 deles foram entre idosos com 60 anos ou mais. Já nos últimos dois meses maio e os primeiros 21 dias de junho , a cidade registrou 115 óbitos. Conforme apuração, 62 mortes foram entre idosos com 60 anos ou mais, número 43% menor do que nos últimos dois meses.

Vale ressaltar que, conforme os dados da Semusa, a vacinação entre idosos com 60 anos ou mais — que já contemplou 59.632 pessoas da faixa etária na cidade — imunizou a maior parte dessas pessoas até o começo de maio.

A reportagem realizou um comparativo mês a mês que também ilustra um dado importante sobre a vacinação na cidade: o aumento da mortalidade entre pessoas com 59 anos ou menos, cuja imunização começou há pouco tempo.

Março

Em março, Divinópolis registrou 51 mortes por covid-19. Conforme apuração feita pela reportagem, dos 51 óbitos, 37 foram de idosos com 60 anos ou mais, representando 67% do total. 

Na faixa etária com 59 anos ou menos, apenas 14 mortes foram registradas, preenchendo 33% do total. Dentre elas, destaca-se um homem de 31 anos, que não tinha comorbidades.

Por quatro dias na mesma semana, março registrou seis mortes diárias.

Abril

Abril foi, de longe, o mês mais letal da pandemia em Divinópolis. Nos 30 dias, 115 mortes foram registradas, índice que é, até hoje, o maior desde a disseminação da doença. 

Os idosos com 60 anos ou mais representaram 68% das mortes, com 79 registros dentre eles, nove pessoas que não tinham comorbidades. Já a faixa etária de 59 anos ou menos registrou 32% das mortes, o que corresponde a 36 óbitos dez sem comorbidades.

Entre as mais de 100 mortes, um registro chocou a cidade: a morte de um jovem de 22 anos, que não tinha comorbidades. A perda de três pessoas, com 33, 41 e 42 anos, também impressionou. O dia 5 de abril teve mais mortes registradas, com 12 11 dessas entre idosos.

Maio

Com grande parte da população idosa vacinada, o mês de maio teve melhora nos indicadores. Foram registrados 76 óbitos, número 34% menor do que em abril. 

Das 76 mortes, 44 foram registradas entre idosos com 60 anos ou mais, representando 58% do total queda de 10% em relação ao mês anterior. Já entre as pessoas com 59 anos ou menos, foram registrados 32 óbitos, o que representa 42% do total aumento de 10% em relação a abril.

Dez pessoas que não tinham comorbidades perderam a vida. Um dos óbitos foi de uma jovem de 27 anos, que era do grupo de risco. O dia 31 registrou o maior número de mortes no mês, com 13.

Junho

A tendência de melhora vem prosseguindo nos primeiros 21 dias de junho, quando 39 óbitos foram registrados. A porcentagem de mortes entre idosos com 60 anos ou mais continua diminuindo, já que, com os 22 óbitos nesta faixa etária, a relação corresponde a 56% número 2% menor do que o mês passado.

17 mortes entre pessoas com 59 anos ou menos foram registradas, representando 44% do total número 2% maior do que no mês passado. Dois óbitos de pessoas sem comorbidades, com 40 e 45 anos, foram registradas. 

O dia 8 do mês é, até agora, o com maior número de óbitos, com 6 registros quatro do grupo com menos de 60 anos.

Balanço

Conforme os dados disponibilizados, nota-se que, entre os meses de março e abril, os idosos de Divinópolis representavam, conforme média aritmética, 67% de todas as mortes por covid-19. Com a vacinação, o número caiu, em média, no mês de maio e nos primeiros 21 dias de junho, para 55% do total.

Isso também teve efeito nas pessoas com 59 anos ou menos, que agora correspondem a 45% do total de óbitos na cidade, número 13% menor do que era no começo da análise.

Quatro mortes

A Prefeitura de Divinópolis informou, na tarde de ontem, mais quatro mortes em decorrência do coronavírus.

Um homem de 73 anos, sem comorbidades, foi a primeira. Foram informados também os óbitos de mais duas mulheres, de 84 e 56 anos, ambas portadoras de hipertensão arterial. Tinham ainda, respectivamente, outras duas comorbidades: diabetes e obesidade.

A morte de um homem de 77 anos, portador de doença cardiovascular crônica, também foi confirmada. Com os registros, o município chegou a 471 óbitos por coronavírus.

Contaminação

Apesar da vacinação, que evita maiores complicações da doença,  especialistas insistem que é importante continuar se prevenindo para impedir a contaminação. 

Um exemplo da importância da prevenção é o caso do empresário Fernando Malta, ex-candidato a vice-prefeito pelo PSL, que testou positivo na última sexta, 18. Segundo informações, a principal teoria da contaminação de Fernando veio após uma pessoa que o político teve contato estar com sintomas de covid-19 iria fazer exame no dia seguinte e ficar próximo a ele, sem máscara. 

O empresário, que desconhecia o estado de saúde da pessoa, até então, já recebeu as duas doses da vacina, tem apenas sintomas leves e deve, como maioria dos divinopolitanos imunizados, vencer a doença, que já matou mais de 500 mil pessoas no Brasil quase 500 dessas em Divinópolis.

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