Apoio e insensatez

Preto no Branco

Apoio e insensatez 

Com o tema “Eu autorizo, presidente”, manifestantes bolsonaristas organizaram atos em diferentes pontos do Brasil neste sábado em apoio ao governo federal, que vem enfrentando duras críticas pela condução das ações de enfrentamento à pandemia do coronavírus. O nome das manifestações foi uma resposta ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que aguardava "uma aprovação" dos brasileiros para "tomar providências" contra medidas de restrições de circulação impostas por governadores e prefeitos contra a covid-19. Pelo menos em 11 estados do país houve atos de apoio, e todos da mesma forma: com aglomeração e com pouquíssima proteção contra o vírus. Muita gente sem máscara e outros com ela no queixo. Mas exigir de apoiadores de quem é contra o uso de itens únicos capazes de frear o vírus também é demais. Que fique bem claro: ninguém é contra atos de apoio a quem quer que seja, porém, o mínimo que deveria ocorrer é o uso da máscara, já que não iriam respeitar o distanciamento. 

Responsabilidade maior 

Sinceramente, tem atitudes neste país que não dá para entender. A principal delas, neste momento, é duvidar da ciência, que nos últimos anos vem conquistando grandes feitos em prol da saúde mundial e salvado milhares de vidas. E o pior: vem por parte de quem não sabe nem o que é uma rinite alérgica. E ainda nomeia as medidas recomendadas pelas autoridades no assunto de antidemocráticas. É por isso que o Brasil é o pior país do mundo nos casos, mortes e o trato da pandemia. Mas a culpa não é só de quem pensa assim e incita, não as “Marias vai com as outras”, muitas que dizem representar e defender o povo, e outras que nem sabem o que estão fazendo ali, têm uma responsabilidade muito maior. 

Donos da verdade 

Para quem acha que sabe tudo e insiste em acreditar passar para frente que a pandemia está indo embora ou acabou, vale dizer se é que não sabe e finge que não – que número de mortes por covid-19 no país chegou a 406.437. E que nas últimas 24 horas foram perdidas quase três mil vidas para a doença. E que Minas Gerais, com cerca de 35 mil mortes, tem a terceira maior quantidade de vidas perdidas no Brasil. E mais: em Divinópolis, o mês de abril registrou mais óbitos do que todo o ano passado, fazendo com que o número chegasse a 343. Se ainda está achando pouco, o cartório de registro civil da cidade gastava de três a quatro meses para preencher um livro de registro óbitos mas em abril, em 20 dias, um livro foi preenchido. Ah, ainda falta dizer que se for porque ainda não perdeu nenhum parente para a doença, enrolado em um saco preto, sem poder velar, não queira passar por este sofrimento, mas, infelizmente, ninguém está livre de passar por ele. 

 Desinfecção e testagem 

O que este PB alertou na edição da última quinta-feira aconteceu na Câmara de Divinópolis. Após quatro vereadores testarem positivo, medidas drásticas foram tomadas. É óbvio o que viriam. Mesmo de máscara, a proximidade acaba ocorrendo na hora das reuniões, nos corredores e nos gabinetes. O Legislativo passou por mais duas desinfecções, na sexta e ontem e, dependendo da sequência, pode até suspender as reuniões ordinárias presenciais. De fato, seria a medida mais adequada no momento, visto que, por muitas pessoas serem assintomáticas, é impossível saber que está com o vírus.  Por meio de parceria com a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) foram testados servidores da Casa. Medida necessária, sendo a forma adequada para evitar que mais pessoas sejam contaminadas e comprometa ainda mais os trabalhos da Casa. Mas, principalmente, mostra a preocupação da Presidência da Mesa Diretora com a vida dos servidores e do público que precisa dos serviços do Legislativo.

 

 

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