Apesar de programas para a proteção da mulher, violência doméstica faz novas vítimas

Mulher foi assassinada no Niterói; voluntária de rede de proteção feminina diz que faltam políticas públicas

Da Redação

A cidade assistiu, perplexa, a mais um capítulo de violência contra a mulher. Na noite do último sábado, 10, uma mulher que caminhava pela rua Rubi, no bairro Niterói, foi assassinada com uma facada no pescoço. A vítima, Simone Sabino, era moradora do bairro. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu.

O crime chocou moradores da região e da cidade. A Polícia Militar (PM) ainda não localizou o autor do homicídio, mas, segundo informações de testemunhas, a motivação pode ser passional. Isso porque relatos informam que Simone vinha recebendo ameaças de seu ex-companheiro, de 26 anos. Segundo a polícia, o homem não foi localizado em sua residência. Ainda de acordo com a PM, o ex-namorado da vítima já tem registro policial por ameaça e agressão contra mulher.

O velório e enterro de Simone aconteceram no domingo, 11, sob forte comoção de parentes e amigos. As polícias Civil (PC) e a Militar trabalham para encontrar o suspeito.

Violência

O cenário de violência em Divinópolis tem se mostrado cada vez mais ameaçador às mulheres. Embora a cidade conte com delegacia especializada para denúncias de violência de gênero, Simone entra para estatística dos crimes que poderiam ser evitados.

O município conta hoje com alguns projetos de iniciativa popular que têm na conscientização a sua principal aliada para trazer para o debate os diversos tipos de violência sofrida por mulheres. Um destes projetos oferece acolhimento voluntário para vítimas de agressão, é a associação “Meu Amar”, desenvolvida por mulheres da cidade.

—  Nós atendemos todos os tipos de violência. Mas a agressão mais recorrente é a violência psicológica, a física, a moral e a patrimonial.  A sexual a gente registra muito, mas a física e psicológica são as campeãs. Divinópolis conta com delegacia especializada contra a violência doméstica, inclusive temos duas viaturas especializadas para fazer esse tipo de ronda. A nossa abordagem é quando a vítima entra em contato com a gente e nós orientamos o caminho a ser seguido —  diz a advogada Telma Rodrigues, uma das voluntárias do projeto.

Telma conta que a ideia hoje funciona como uma rede. Ela explica que a associação nasceu de um desejo, que acabou mobilizando várias mulheres, e atualmente está dividido em dois núcleos, o psicológico e o jurídico.

—  A ideia surgiu com a Tatiane e ela entrou em contato comigo, as pessoas foram surgindo e a teia foi se formando (...) temos um núcleo de psicologia e um núcleo jurídico. Ainda não temos tanta demanda jurídica, nosso núcleo é responsável pela orientação das vítimas. Já na parte da psicologia, a vítima se cadastra, entra em contato com a gente e preenche um cadastro. As psicólogas então marcam uma primeira reunião e a avaliação. Se ela tem uma demanda jurídica,  é encaminhada para mim, senão ela vai para um grupo. Uma das nossas psicólogas, a Daniele Teixeira, desenvolveu um método de sete passos para a vítima dentro do grupo, porque a gente entende que no grupo a mulher fica mais fortalecida —  explica. 

Telma Rodrigues afirma que o projeto teve demanda aumentada durante o isolamento social. Ela explica que outro aspecto notado foi o também aumento no número de denúncias. A coordenadora do núcleo jurídico finaliza argumentando que a cidade ainda não consegue implementar e investir em políticas públicas que tratem da violência contra a mulher.

—  A gente precisa falar sobre isso. Em Divinópolis não existem políticas públicas para as mulheres, elas não são levadas a sério. A rede de enfrentamento que estamos tentando acessar agora que é Ministério Público, Polícia Civil, a imprensa, essa rede que compõe os órgãos todos de enfrentamento, ela precisa conversar. Não adianta, por exemplo, os outros órgãos fazerem o papel e a unidade de saúde não estar preparada para atender uma vítima de violência sexual. Essa rede de enfrentamento precisa estar toda interligada e conversando — defendeu Telma Rodrigues.

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