Apenas lute

Quando uma menina nasce, a primeira frase que ela deveria ouvir é: apenas lute! Apenas lute para sobreviver, para ser respeitada, para ter o mesmo salário que um homem, mesmo exercendo a mesma função. Apenas lute para ser ouvida, para andar à noite sozinha na rua, para usar a roupa que quiser, para colocar qualquer “machão” em seu devido lugar. Apenas lute! Lute por sua vida, seu emprego, por valorização, respeito, igualdade e políticas públicas. Apenas lute para ser uma mulher. Lute para ser você. Lute por seus direitos. É assustador? É, sim! Mas estas deveriam ser as primeiras palavras que uma mulher deveria ouvir na vida. Ah, e nada de bonecas, nada de brincar de casinha, nada de mundo cor de rosa, porque o mundo para elas está muito longe de ser colorido. A vida e os problemas que vêm enfrentando estão muito longe disso. Cores, respeito e atenção merecida passam longe do que se ver nos castelos em filmes e desenhos. Por aqui, o príncipe encantado, nunca montou em um cavalo. A princesa da vida real precisa lutar todos os dias para se manter de pé.

Neste domingo, 8, comemora-se mais um Dia Internacional da Mulher. Mas há algo para ser comemorado?  Para ser celebrado, em um Brasil que ocupa o 5º lugar do ranking mundial em morte violentas de mulheres no mundo? Há o que se comemorar quando as mulheres ainda não conseguem atingir a porcentagem garantida por lei nas eleições? Há o que se comemorar quando o país registra recorde de casos de estupros? Há o que se comemorar quando as ações promovidas pelos órgãos públicos não passam de um momento?  Pois poucos absorvem o que passado. Parece que não. Parece que ações feitas uma vez por ano não mudam a realidade daquelas que lutam todos os dias para se manter vivas. Não mudam a realidade daquelas que lutam para ter voz e respeito.

Domingo é dia de homenagens em redes sociais, presentes, flores e hipocrisia. Pois, na maioria das vezes, as mesmas pessoas que fazem isso são as que agem com machismo, sexismo, misoginia e outras formas de opressão. Quem dera se todas as homenagens, os presentes, textões de redes sociais pudessem ser trocados por respeito, valorização e reconhecimento. Quem dera se tudo isso pudesse ser trocado pelo simples fato de uma mulher poder pertencer a si mesma. Se toda homenagem pudesse ser trocada para que cada mulher seja dona da sua própria vida e consiga ser enxergada muito além de um objeto sexual.

Não há muito que comemorar no dia 8 de março, afinal, a sociedade retrocedeu. Não houve avanços quando o assunto é mulher. Ainda são necessárias muitas batalhas. Não se pode dizer nem que a passos lentos a sociedade caminha. Muita guerra ainda será lutada. As mulheres ainda continuarão a brigar pelo seu espaço no mundo. Elas ainda terão que lutar para ser uma dona de casa ou uma executiva de uma grande empresa. E, diante deste cenário, é mais do que necessária a sororidade, que ela guerreiem de mãos dadas, com empatia, pois a luta esta longe de acabar, e as ações são muito pequenas diante das batalhas que são enfrentadas todos os dias. Apenas lute!

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