Antes de tudo

 

Antes de o povo sair comprando armas e se armando “até os dentes”, é preciso aprender algumas coisas. Antes de colocar uma arma na cintura, é preciso que o homem entenda algumas coisas. É preciso que o povo aja, é preciso que o povo cobre. Não só cobre a liberação de posse de armas — uma promessa de campanha cumprida pelo atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL). É preciso que, em primeiro lugar, o povo cobre trabalho. Mas trabalho de verdade. Não aquele trabalho que é feito pela maioria dos políticos, que é só para “inglês ver”. É preciso que, antes de o governo armar a população, ele trabalhe em prol do povo. Ele mostre resultados, seja por meio de estatísticas ou por sensação de segurança, mas mostre. Antes de flexibilizar a posse de armas, é preciso que o governo dê, em primeiro lugar, educação para o povo.

Já dizia Nelson Mandela: “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”. Essa frase, dita décadas atrás, nunca se fez tão atual e tão presente como neste momento. O povo brasileiro precisa, em primeiro lugar, de educação. Uma educação de qualidade para todos. O país precisa adotar exemplos de países europeus e outros que valorizam seus professores. Este é apenas o primeiro passo rumo à mudança. Há 30 anos, o Brasil foi redemocratizado. Há 30 anos, o povo escolhe os seus representantes. E há 30 anos o povo vive de promessas, e não vê mudanças. Apenas uma esmola daqui, outra dali, e a roda vida continua girando. Quem é pobre continua pobre, quem passa fome continua passando fome. Nunca na história deste país houve uma ação que acabasse de vez com a fome. São apenas políticas públicas que, com qualquer “ventinho”, desmoronam e milhares voltam a ficar com as mesas vazias.

É preciso também que, antes de armar o povo, os governos se organizem e combatam o crime organizado. E é justamente pelo fato de o crime ser organizado — e o Estado não ser — que a violência e a criminalidade aumentam. É justamente pelo fato de o Estado estar sucateado e com profissionais desvalorizados que ele perde todos os dias esta guerra, e faz a população refém do tráfico de drogas e da violência. É preciso fazer muita, mas muita coisa, antes de armar o povo. É preciso, dentro deste pacote, um Código Penal duro, severo, que cumpra o seu papel e puna de verdade aquele que cometer um crime no Brasil. Porque, se a ignorância mata, a sensação de impunidade também. E, se tem um país em que compensa ser criminoso, este país é o Brasil. Aqui, bandido tem vez, pois há um código penal que está desatualizado há 35 anos.

Mais uma vez, antes de armar o povo, é preciso que o governo combata os maiores inimigos do povo, que são, além da falta de educação e de severidade das leis, a má distribuição de renda, o desemprego e a falta de oportunidades. Ainda há muito trabalho pela frente. Ainda há muito dever de casa para se fazer. Ainda há muita coisa para se mudar. Mas é preciso começar pelo básico. Com respeito e um propósito a se seguir, porque, antes de tudo, o povo precisa ser representado.

Comentários
×