Ano novo, velhos problemas

Ano novo, velhos problemas 

Entra ano e sai ano e, mais uma vez, os brasileiros veem e/ou sentem na pele a fúria da natureza. O ano é novo, mas os problemas são os mesmos que assolam o povo há décadas. Como todos sabem, o Brasil é um país tropical. O fim e o início de ano são sinônimos de chuvas. E, claro, como todos também sabem, o Brasil é um país sem infraestrutura. Justamente por isso, ano após ano, as notícias são as mesmas. “Chuva castiga cidade”; “Milhares de pessoas estão desabrigadas e desalojadas”; “Pessoas morrem por causa das chuvas”... Diante disso uma coisa é fato: as chuvas, ao mesmo tempo em que trazem benefícios, são um verdadeiro pesadelo. 

A sensação que se tem é que, para os representantes do povo, esta situação é benéfica para um dos lados, e que resolver este problema não é algo que está nos planos. Tudo isso é justificável naquela velha frase – citada no editorial de ontem – do ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso (FHC): “o povo brasileiro esquece muito rápido”. Sim! Agora, enquanto a situação está caótica, famílias estão desabrigadas, pessoas estão morrendo, casas estão sendo invadidas e levadas pelas águas, todos cobram, todos vão para as redes sociais reivindicar, cada um com um texto mais bonito que o outro. Na próxima semana, quando o tempo “abrir” e estabilizar, pronto, tudo é esquecido, para que no fim do ano recomece. 

Investir em infraestrutura realmente nunca foi o forte do país. Por aqui, o povo quer apenas asfalto – que por sinal é levado embora junto com as primeiras chuvas. Um asfalto “passado” na porta de casa e a população já está satisfeita. Afinal, para quê infraestrutura? Por aqui vale aquele velho ditado “é mais fácil remediar do que prevenir”. Prevenção não existe, e não existirá tão cedo, pois, por mais que seja triste dizer isso, é deste tipo de situação que os políticos brasileiros tiram votos. Resolver um problema, solucionar uma questão que assola o Brasil há anos não dá votos. É melhor visitar vítimas, dar cestas básicas, ajudar, mobilizar campanhas, do que trabalhar para que isso não volte a se repetir. 

É triste, mas esta é a realidade brasileira. Além de ser o país da impunidade, aqui é a nação da hipocrisia, pois os mesmos que hoje cobram posicionamentos dos governantes são os que semana que vem já se esqueceram do caos vivido. Ano novo e velhos problemas para serem enfrentados. Por aqui essa frase só é bonita no “papel”, nas redes sociais, pois os brasileiros estão longe, mas muito longe de serem a mudança que querem ver no país. Na próxima semana, tudo já terá sido esquecido. Sem fiscalização, sem investimento, tudo voltará a acontecer no fim de 2022. E, no fim de tudo, é apenas a lei da ação e reação mostrando que é mais real do que se pode imaginar. Sem ação, consequentemente, não tem reação.

 

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