Ano letivo da rede estadual começa com greve

Da Redação

O ano letivo na rede estadual ainda nem começou e uma greve já está pronta para ser iniciada pelos profissionais da educação. Professores e funcionários das escolas estaduais de Minas Gerais decidiram, em assembleia realizada nesta quarta-feira, 5, entrar em greve por tempo indeterminado, a partir da próxima terça-feira, 11, dia seguinte ao início das aulas.

A assembleia da categoria foi realizada pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), no pátio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). De acordo com o sindicato, os servidores reivindicam o pagamento do piso salarial profissional nacional, a quitação do 13º salário do ano passado e o fim das políticas que, conforme os profissionais, têm dificultado o acesso à educação pública em Minas e gerado desemprego.  Segundo a coordenadora do Sind-UTE, Denise Romano, 22%  dos funcionários da Educação ainda não receberam o 13º salário.

— Nós já temos um ano de reuniões com a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão de Minas Gerais (Seplag). Foram quatro reuniões em 2019, uma em 2020, e não há proposta apresentada pelo governo para cumprir o piso dos trabalhadores para a carreira — explica a coordenadora. 

Os profissionais reclamaram ainda do sistema de matrícula pela internet implementado em Minas Gerais. De acordo com o Sind-UTE, a plataforma acabou prejudicando famílias, pois o sistema de zoneamento não foi respeitado.

— Uma criança com escola na rua onde mora indo para outro município, aluno regular indo para curso noturno, mesmo sem ter idade — alegou.

Divinópolis

Conforme informou a diretora de Comunicação do Sind-Ute de Divinópolis, Maria Catarina Laborê, o sindicato está cumprindo o cronograma da greve na cidade e ainda não é possível especificar quantas escolas vão aderir ao movimento.

— Nós estamos visitando as escolas, discutindo o assunto. Estamos trabalhando na construção da greve. Só no dia 12 de fevereiro poderemos dizer quantas escolas aderiram à greve —explica.

Assembleias

Ainda segundo Catarina, Maria Catarina, será realizada, no dia 13 de fevereiro, uma assembleia municipal para discutir vários assuntos da categoria. No dia seguinte, ocorrerá uma nova assembleia estadual para decidir os rumos do movimento. 

Estado

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) informou que o diálogo com os representantes sindicais está aberto, falou sobre o processo de matrícula e afirmou que o salário pago para os professores atualmente atende à legislação nacional. 

— A SEE respeita o direito constitucional de greve dos servidores da Educação do Estado e reitera que tem mantido um diálogo franco e aberto com representantes sindicais. Várias agendas foram realizadas, ao longo de 2019, com os representantes das entidades sindicais e do Governo do Estado nas quais assuntos da área da Educação foram debatidos. A SEE reforça que os canais de diálogos continuarão abertos para que as reivindicações da categoria possam ser apresentadas e discutidas — informou a secretaria.

Sobre o processo de matrícula, a SEE informou que está inaugurando neste ano o processo informatizado de matrícula escolar para os alunos oriundos de outras redes ou que desejam mudar de escola.

— Esse procedimento, já utilizado na maioria dos estados brasileiros, vem gerando maior transparência nos critérios de alocação nas escolas de maior procura. Importante destacar que 97% dos alunos que realizaram a pré-matrícula foram encaminhados para uma, entre as três primeiras opções de escolas informadas no ato da pré-matrícula. Pela primeira vez, as famílias puderam indicar até dez unidades de ensino de sua preferência — finalizou.

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