Amigos da onça

Augusto Fidelis 

Antigamente, as pessoas eram mais sinceras, mais amigas e, consequentemente, mais altruístas. Bem, talvez porque ainda não existissem as redes sociais. Na atualidade a coisa está feia. O Facebook é uma rede em que, inicialmente, as pessoas deveriam parecer felizes e ali, no livro da sua face, receber os merecidos elogios por terem se cuidado, realizado seus sonhos. O WhatsApp deveria encurtar distância e tornar as pessoas mais próximas, mais amigas. Com o mesmo propósito, outras redes estão aí à disposição.

Mas o que se vê nessas redes é policiamento ideológico, a inveja destrutiva de pessoas que pareciam amigas, mas que apenas aguardam a oportunidade para mostrar quanto ódio armazenam no coração. Às vezes, são pessoas que já tiveram espaço na sociedade, até ditavam regras, mas hoje estão no ocaso, ignoradas pela mídia e perderam até mesmo as suas rodinhas. Discordar com fúria da postagem dos outros, que parecem estar em melhor situação, é a forma encontrada para mostrar que estão vivas, que o sarcófago ainda não foi fechado. 

Padre Fábio de Melo esclarece a situação dessa gente: “A inveja é um pecado capital porque é pior que a cobiça. O invejoso não deseja o que é do outro, deseja apenas que o outro não tenha o tem. Que seja o que é”. Para completar este raciocínio, recorremos a Francis Iacone: “O invejoso só se sente bem quando todos seus conhecidos se encontram em situação igual ou pior à que ele se encontra”. Porém, salienta Tiago Brunet: “O pior castigo do invejo é ver que ele perdeu tempo te invejando, e ele mesmo não viveu nada dos seus sonhos.”

O invejoso, aparentemente, é amigo da gente, mas o é também da onça. Por qualquer motivo, o sujeito deixa o amigo entregue à própria sorte e se alinha à “dentuça”. Esses desnaturados precisam ouvir Tobias (4,16-17.19-20): “Não faças a ninguém o que não queres que te façam. Dá do teu pão aos que têm fome, e de tuas roupas aos que estão nus. Busca conselho de pessoas sensatas. Bendize o Senhor em todas as circunstância, pede-lhe que dirija teus caminhos e que cheguem a bom termo todas as tuas veredas e teus projetos”.

Fazendo caro à palavra sagrada, Platão é enfático: “Buscando o bem de nossos semelhantes encontramos o nosso”. A gente costuma ficar chocado com certas atitudes, mas, seja como for, o melhor é manter altivez, independentemente do desatino alheio, e deixar que o tempo faça a cobrança da conta dos que perdem tempo tentando destruir a reputação alheia. Oscar Wilde sabe bem como são essas coisas: “A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre”.

augustofidelis1@gmail.com

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