Ameaça planetária. Onde? Quem?

Domingos Sávio Calixto

CREPÚSCULO DA LEI – ANO III – CXXXVII

A atual era das corporações multinacionais e dos monopólios planetários é caracterizada por uma fase do capitalismo resultante da junção entre o capital bancário e o capital industrial, gerando o chamado capitalismo financeiro, também (re)conhecido por imperialismo. Esse nome é decorrente da necessidade deste capitalismo de buscar incessantemente o máximo de expansão possível, valendo-se de quaisquer meios que forem necessários.

A expansão do capital imperialista é decorrente, pois, de sua estrutura de poder que, evidentemente, se projeta necessariamente nas vertentes armamentistas e nas recorrentes técnicas militares de abordagem e ocupação – direta ou indiretamente – de novos territórios e de suas respectivas economias.

Sob esse aspecto, o imperialismo – como etapa superior do capitalismo – prossegue em franca expansão como força de poder, sem se submeter a controle normativo algum. Ao contrário, o imperialismo é quem vai determinar e impor o sistema normativo que melhor se ajuste à sua própria expansão, de tal que sorte que a interferência na política e na economia de países marginais se dará inclusive pela violência, seja com golpes de estado, seja com extermínio de lideranças, seja com guerra híbrida ou lawfare.

Ora, essa é a prática estadunidense por excelência, e daí serem os EUA propagados como “potência imperialista”, no sentido de fazerem por qualquer violência – inclusive intelectual – a exportação do “seu” modo capitalismo pelo planeta afora, nem que para isso tenham que atacar ou invadir, impor sanções ou embargos. Não é por acaso que os EUA possuem quase 900 bases militares espalhadas pelo mundo, inclusive no Brasil.

É por conta disso que o imperialismo busca a totalidade, pois conta com um “braço” fortemente armado. Mas não se trata apenas dos EUA. Países como França, Inglaterra e Alemanha também se ajustam dentro do grande sistema imperialista que busca explorar, enriquecer e continuar explorando, transformando os países periféricos em verdadeiras “fazendas” de extrativismo da necessária matéria prima, tudo longe do conhecimento e das tecnologias de progresso próprio.

Por mais surreal que possa aparecer, o imperialismo, como ameaça mundial, é quem determina quais são as “ameaças mundiais”, por conta de sua vasta rede de produção de verdades – think tanks – que vão desde o cinema até o noticiário falseado, como quando governos passados iniciaram a construção da hidrelétrica de Belo Monte, com o objetivo de tornar a energia elétrica mais barata e acessível, as forças do capital se levantaram contra, inclusive  utilizando-se do discurso raso de “proteção às terras indígenas” por seus “intelectuais”.  Essas mesmas forças, hoje no governo, responsáveis pelo genocídio indígena e crimes ambientais em proporções de biossegurança planetária, “entregaram” a ELETROBRAS ao capitalismo financeiro.

É nesse sentido que a China é o alvo dos EUA. A China é o maior “negociador” do planeta. A política externa chinesa é refratária a esse tipo de imperialismo na medida em que ela não impõe regras de expansão, não tem bases militares espalhadas pelo planeta, não patrocina e nem financia golpes de estado, não promove ataques bélicos contra “terroristas”, não impõe embargos desumanos a outras nações. Sequer jogou bomba atômica em país algum. A política econômica da China é consistente pelo fato de ela aceitar negociar com qualquer outro país que a reconheça em suas dimensões de estado. Daí ela negociar tanto com Irã ou Israel, Arábia Saudita ou Vietnã, Coreia do Norte ou Alemanha e até mesmo os EUA, incomodando, portanto, a ordem imperialista ocidental – a qual ainda apela para o tal “comunismo” que quase todos repetem sem saber o que é, ou mesmo se existe para além de sua vertente utópica.

Se existe alguma “ameaça” planetária, ela só pode ser atribuída ao imperialismo capitaneado pelos EUA. Aliás, não existe nenhuma política externa no mundo que não tenha causado danos tão graves ao Brasil como a política americana, inclusive constatada nos tempos atuais com sua efetiva participação no golpe de estado de 2016. O Brasil sofre hoje, e ainda sofrerá mais, as consequências desse imperialismo, facilmente percebido no retorno da fome e da pobreza, da inflação, do desemprego, da falta de autoestima do povo e da falta de vergonha na cara dos seus governantes.



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