Ainda não é o fim

Editorial 

Divinópolis voltou mais uma vez para a onda verde dentro do plano do Governo do Estado, Minas Consciente. O que isso significa? A população, o comércio e outros segmentos terão mais flexibilidade, como a volta de shows em bares ‒ seguindo o horário de funcionamento, que também foi flexibilizado ‒, do funcionamento do comércio aos sábados, das 9h às 13h, a realização de eventos, festas e congêneres, desde que a lotação do local não seja superior a 50% da capacidade máxima de ocupação prevista no alvará de funcionamento ou no Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, com limitação máxima a 250 pessoas, e a – polêmica – autorização da volta às aulas. Apesar de ainda não ser a notícia que todos queriam dar e receber, pois a contaminação da covid-19 continua e o vírus ainda existe, o fato de a cidade ir para a  onda verde já dá um certo alívio. 

Porém, o que muitos não podem esquecer é que o avanço não significa o fim da pandemia. Os cuidados devem ser tomados, e agora a responsabilidade é ainda maior, pois está nas mãos da população a permanência nesta onda e, consequentemente, a economia local também. Muitos não devem saber, mas a situação de cada cidade e região é avaliada semanalmente pelo Comitê Extraordinário Covid-19, do Governo de  Minas. Caso Divinópolis volte para um nível de contágio acelerado, o município pode retornar para a onda amarela e mais uma vez ter restrições impostas. Talvez, nunca na história moderna, o homem tenha sido testado como agora, ou melhor, a sua capacidade de responsabilidade e de defender a sua espécie. Sim! É tudo muito simples e fácil. Se relaxar no uso da máscara, da higiene pessoal e abusar da “flexibilidade”, a cidade volta para a onda amarela ou vermelha, e atitudes de uma, duas pessoas refletirão no coletivo. 

Ao mesmo tempo em que é simples, é também complexo, pois o ser humano nunca esteve tão individualista quanto nos últimos tempos. Os governos têm trabalhado incansavelmente desde março, quando foi determinado o isolamento social. Inúmeras cobranças e protestos foram feitos. De um lado os chamados “pró-vida”, e do outro os “pró-trabalho”. Um cabo guerra formou-se em meio a algo novo, em meio a um vírus de alta letalidade. Foi necessário muito esforço para se chegar a um consenso que ajudasse o brasileiro a não morrer de fome, a não superlotar os hospitais, e que o mínimo de vidas fossem perdidas pelo coronavírus. Tudo exigiu muito de todos! E ainda exige muito trabalho de um lado e muita compreensão de outro, mas o principal ainda é o senso de coletividade. 

Um ser humano nunca precisou tanto de outro como agora. A pandemia não acabou. A onda verde não significa vacina. E, para que o “plano” ‒ retomar a economia, não superlotar hospitais e preservar o máximo de vidas ‒ continue dando certo, será necessária muita empatia, responsabilidade e perseverança. Aquela frase: “nada é mais forte do que todos nós juntos” nunca fez tanto sentido, pois essa onda ainda não é o fim da pandemia. O trabalho continua, de ambos os lados, e parece estar só começando. 

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