Ainda hoje

Isso mesmo, a afirmação retrata a situação de pessoas negras no Brasil que, ainda hoje, precisam lutar duramente contra ataques gratuitos e discriminatórios. Só traz mais conforto para quem sofre na pele o problema é que, felizmente, são poucos babacas que insistem em praticar estes crimes. O Dia da Consciência Negra, celebrado ontem, traz à tona um assunto que esteve em evidência nos últimos dias: o caso de injúria racial contra um segurança no clássico entre Cruzeiro e Atlético, no Mineirão. Registro lamentável logo na nossa Minas Gerais, que tem um cultura tão rica envolvendo os afrodescendentes. Que a punição aplicada aos autores se torne exemplo. É o mínimo que se espera.

Exemplo negativo

E o mau exemplo não poderia vir de um local tão apropriado. Da maior Casa Legislativa do País, que representa cada brasileiro, mas há muito deixou  e ser modelo  para o povo ou, talvez, nunca tenha sido. O episódio envolvendo o deputado Coronel Tadeu (PSL/SP) que, em um ato de loucura, arrancou um cartaz em uma exposição sobre racismo na Câmara, na tarde desta terça-feira, 19. Questionado, disse que não se arrependeu porque a Polícia Militar é que foi atacada. Na imagem, um policial de arma na mão e um rapaz negro estendido no chão, com a camisa do Brasil e algemado, com a frase: "O genocídio da população negra". Com certeza nem o mais severo dos militares teria a cabeça tão pequena e uma atitude tão violenta. É apenas o retrato das pessoas que os brasileiros escolhem para representá-los.

 É maravilhosa?

Sim, senhor. Foi o que ele respondeu ao ser questionado após a reação imediata de deputados que o acusaram de racista. Foi quando se defendeu elogiando a exposição e negando qualquer tipo de preconceito. Disse que a mostra é maravilhosa, mas que era inaceitável em meio a tanta foto magnífica se permitir uma agressão contra a Polícia Militar. Como assim? Por acaso havia alguma mentira ali? Não é sabido que os negros sofrem discriminação? Não é só no supermercado, cinema, shoppings e estádios, não, deputado. Não se pode generalizar, mas nas abordagens policiais também. E não adianta sapatear! A verdade não pode doer, e sim alertar.

Vai furar?

Como era comentado e esperado, o presidente Jair Bolsonaro assinou a carta de desfiliação do PSL, partido pelo qual se elegeu. O documento já foi entregue ao partido e à Justiça Eleitoral, abrindo caminho para que ele possa assumir a presidência da sigla que, ao lado de aliados, decidiu fundar, a Aliança pelo Brasil. A reunião para o lançamento do partido está agendada para amanhã em Brasília. E a pergunta que não quer calar é: conseguirá o presidente assinaturas suficientes e furar a fila? A saber, nem todos concordam com a medida do presidente e há dezenas de pedidos esperando por um ok da Justiça Eleitoral.

A criação

A confusão com o PSL começou ainda no mês passado, quando Bolsonaro soube que estava sendo filmado e disse a um apoiador que Bivar estava "queimado". A partir do babado, a situação rapidamente se deteriorou até que Bolsonaro e seus aliados anunciaram a criação do novo partido, apenas na semana passada. Só tem um problema: o presidente não deve ter pensado em governadores, prefeitos e muitos deputados do mesmo partido que o apoiaram Brasil afora. Permanecerão na legenda ou seguem os passos do chefe maior?  Pelo visto, haverá um racha, pois muitos não estão nada satisfeitos.

Próximos

Em Minas Gerais, por exemplo, onde teve apoio maciço, fez prefeitos, vereadores e deputados. O nome de maior destaque é o do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro, alvo de investigações por suspeita de candidaturas laranja. Ele ainda não sinalizou se acompanhará o presidente. Em Divinópolis, o principal representante da sigla é o empresário Fernando Malta, que tem o nome cotado para disputar a Prefeitura no ano que vem. Ele disse à coluna que ainda não se decidiu, mas independente de partido, apoia Jair Bolsonaro. A decisão mostra que Malta tem uma ideologia política e não partidária, o que em minha opinião é a conduta correta.

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