Ainda existe Natal

 

Meu querido leitor, minha estimada leitora: neste Natal, tão logo anoiteça, talvez chova, talvez não. Caso chova, se você não tiver ânimo para sair, fiquemos em casa e recebamos os familiares, os amigos. “A amizade verdadeira sorri na alegria, consola na tristeza, alivia na dor e se eterna em Deus”, dá testemunho J. Calvet. Portanto, é justo prepararmos o nosso assado e degluti-lo junto com os nossos entes queridos, em meio a manifestações de alegria, pois, afinal, é Natal.

Mas, à meia noite, cheguemos à janela para vermos a estrela de Belém multiplicada em milhares de luzes, pousadas nas fachadas dos prédios, das casas, nas árvores, como vaga-lumes nas noites escuras. Se chover, aquela chuva fina e constante, deixemos a nossa imaginação vagar até o polo norte. Não percamos a oportunidade de esquiarmos na neve dos nossos sonhos. Ao longe, ouviremos uma música que tocará a nossa alma e uma saudade baterá ao peito, lembranças de tempos que não voltam mais. Mas não se pode perder a esperança, porque assim disse Nabor Fernandes: “O tempo se incumbe de trazer e depositar em nossas mãos o fruto da semente que plantamos em nossos dias”.

Se chover, é possível que muitos prefiram se insular em suas casas, sozinhos ou acompanhados, temerosos de que as visitas lhes tirem o sossego e a intimidade do lar. A modernidade não deu ao ser humano a liberdade almejada, não o fez mais feliz, não respondeu a tantas perguntas que lhe inquietam o espírito. E a pós-modernidade torna as pessoas cada vez mais individualistas e insensíveis aos dramas alheios, embora assistamos a lampejos de solidariedade.

Neste Natal, porém, talvez não chova. Se não chover, convido-o a caminhar pelas ruas e praças, em meio à multidão frenética, em busca de algo, que pode ser o presente para quem amamos, a atenção de um amigo, o carinho de um grande amor ou simplesmente fugir da solidão. Em meio ao vaivém, redobremos a atenção. Pode ser que entre os milhares de rostos desconhecidos, três chamem a atenção. Podem ser os rostos de Gaspar Belchior e Baltazar à procura do menino Jesus. Caminhemos com eles para Belém, porque assim diz F. Anselmo: “O homem não é um ser errante entre o céu e a terra, mas uma criatura de Deus em marcha para a eternidade”.

E ao Menino, o que vamos dar? A exemplo dos Magos, ofereçamo-lo ouro, para que realce sua realeza perante o povo; ofereçamo-lo incenso, para que sua divindade inebrie a nossa alma e nos cumule de bênçãos; ofereçamo-lo também a mirra, para lembrar aos incrédulos o sacrifício do nosso Cristo em prol da humanidade. Não há dúvidas que essa noite será muito feliz, porque, eis que no ar, com chuva ou sem chuva, virão cantar os anjos do céu. Então, meus amores, feliz Natal!  

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