Ah, o poder!

Eleitores e políticos travaram nos últimos tempos, uma briga – que parece estar longe de terminar – pelo poder. De acordo com o dicionário, poder significa: possuir força física ou moral; ter influência, valimento. Na briga travada na última década, o único interesse de ambas as partes é possuir força moral e ter influência. Por mais que nas últimas eleições, tanto de 2016 quanto de 2018, os eleitores tenham mostrado o seu poder, essa briga ainda não tem um vencedor declarado. É verdade que o comportamento do eleitor está mudando e ele está muito mais exigente do que na década passada, mas é fato também que não pode-se fazer muito com tanto poder, quando não se sabe cobrar e muito menos quando e como.

Desde que nos entendemos por gente, escutamos aquelas velhas ladainhas: “político é tudo igual”, “futebol, política e religião não se discute”, “ah, mas eu pago os meus impostos”, “só aparece aqui na porta da minha casa de quatro em quatro anos, deixa vir aqui para pedir voto”. Nunca nos interessamos, discutimos e sequer tentamos entender o que é política, qual o papel dos políticos e como funciona o poder público. Por um lado, é até compreensível, afinal, entender tudo isso é muito mais difícil do que se imagina. Apenas quem está há anos no setor é que entende do assunto, ou quem estuda e se dedica de verdade a entender. Fora esses casos, seria muito mais fácil nos resignarmos ao nosso papel de “papagaios de pirata”, ou melhor, de apenas repetirmos os discursos que foram feitos por nossos avós, pais e que crescemos ouvindo.

Seria muito mais fácil, se não tivesse acontecido o “boom” das redes sociais, que possibilitou um infinito de informações para os cidadãos. Se antes não tínhamos como cobrar, expor e exigir explicações, sem sombra de dúvidas as redes sociais estão aí para que possamos fazer tudo isto. Ah, seria maravilhoso. Sim, seria, se lá atrás nós tivéssemos nos preocupado em entender política, o papel dos políticos e o poder público. Seria perfeito se não tivéssemos apenas nos resignado em repetir os discursos de nossos pais e avós. Bom, diz o ditado que “quem nunca comeu mel se lambuza” e é verdade. Apesar de não estarmos preparados para a era digital, nos lambuzamos com ela. Cobramos posturas de nossos políticos, exigimos deles, e, quando achávamos que estávamos no controle da situação, eles viraram a mesa e mostraram que somos apenas iniciantes.

Começou a circular por aí nesta semana, um pedido ao prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, para que ele não gastasse dinheiro público com a realização do Carnaval – que já se tornou referência em todo o Brasil – e que a verba fosse investida em Saúde e Educação. Mas o que os meros iniciantes não sabiam é que, além de a Prefeitura de BH não gastar nem um centavo com a folia, a comemoração gera arrecadação e alta para a cidade. Para sermos mais exatos, em 2019, o carnaval de BH movimentou mais de R$ 700 milhões no município. Com isso, vale ou não a pena pararmos para pensar se estamos usando o nosso poder da forma certa? Não vale a pena estudar um pouquinho sobre política, políticos e poder público para opinarmos e distribuir a rodo por aí? Ou quem sabe, virarmos o jogo?

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