Agosto Dourado: profissionais do CSSJD orientam sobre o ‘alimento de ouro’, o leite materno

Da Redação 

O leite materno é um dos alimentos mais ricos em butriendo mundo e por isso tem um mês inteiro dedicado a ele. O “Agosto Dourado” foi criado com objetivo de conscientizar a população sobre a importância do leite materno para o desenvolvimento sadio de bebês e crianças. Por isso, nas maternidades do Complexo de Saúde São João de Deus, este importante contato entre mãe e bebê é incentivado já nos primeiros instantes de vida, na chamada “Hora de Ouro”.

Isso fortalece o vínculo afetivo entre os dois, além de ajudar na “descida do leite”. Neste momento, o recém-nascido é colocado pele a pele sobre o tórax e abdômen da mãe. Esse contato logo após o parto faz o bebê se adaptar mais rapidamente à vida fora do útero, promove o vínculo entre ambos e é bom para o estabelecimento da amamentação. Durante esse contato íntimo, a mãe passa para o bebê os microrganismos de sua pele que vão protegê-lo contra infecções. Por isso, deve-se evitar separações desnecessárias entre os dois. Além disso, o leite materno previne a mortalidade infantil, diarreias, desnutrição, infecções respiratórias, distúrbios miofuncionais orofaciais e diminui o risco de alergias, hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade.

A prática de incentivar a amamentação ainda nos primeiros instantes de vida é recomendada mundialmente e não traz benefícios somente para o bebê, mas também para a mãe, como destaca a médica residente em pediatria do CSSJD, Dra. Maria Luzia Cordeiro Almeida.

— O recém-nascido deve ser estimulado a mamar o mais cedo possível, preferencialmente logo após o parto, se a mãe e o bebê estiverem em boas condições e se esse for o desejo da mãe. A sucção da criança faz a mãe produzir e liberar a ocitocina, um hormônio que ajuda na contração do útero, fazendo com que a mãe perca menos sangue após o parto e, consequentemente, tenha menor risco de desenvolver anemia — destacou a residente.

Durante a estadia na maternidade, as famílias contam com o apoio de uma equipe multidisciplinar composta por pediatras, residentes, enfermeiros, técnicos em enfermagem e fonoaudiólogos, que orientam as mães e as auxiliam no ajuste da técnica adequada para facilitar o aleitamento.

— Na consulta antes da alta, verificamos novamente a técnica, orientamos, e se for necessário, internamos o recém-nascido até o aleitamento materno estar bem estabelecido.

Para Maria Luzia, a orientação e o incentivo ao aleitamento são fundamentais e envolvem não só o trabalho dos pediatras, como também de outros profissionais da área da saúde.

— É dever de todos nós incentivarmos e aconselharmos as mães sobre os benefícios inegáveis inerentes à amamentação. Melhorar o acesso ao aconselhamento qualificado para o aleitamento materno pode prolongar a duração deste e traz benefícios para os bebês, famílias e economia. Dados da OMS mostram que o aumento das taxas de aleitamento materno exclusivo poderia salvar a vida de 820 mil crianças a cada ano, gerando US$ 302 bilhões em renda adicional — destacou.

Promovendo a amamentação adequada

Por ser um tema cercado de mitos, ao conversar com a família, a equipe orienta a mãe sobre os benefícios do aleitamento materno, passando confiança e tranquilidade. Após este primeiro contato com o mundo da amamentação, o profissional explica a técnica adequada.

Confira abaixo algumas dicas para tornar este momento único entre a mãe e o bebê:

- Tanto o recém-nascido quanto a mãe devem estar em uma posição confortável;

- O corpo do bebê deve estar inteiramente de frente para a mãe e bem próximo (barriga do bebê voltada para o corpo da mãe);

- O bebê deve estar alinhado, a cabeça e a coluna em linha reta, no mesmo eixo. A boca do bebê deve estar de frente para o bico do peito;

- A mãe deve apoiar com o braço e mão o corpo e o bumbum do bebê. A posição adequada do bebê facilitará a pega e sucção adequadas, evitando rachaduras. A pega estará adequada se a boca do bebê estiver bem aberta, lábios virados para fora, queixo tocando o peito da mãe, auréola mais visível na parte superior que na inferior, bochecha redonda e a língua do bebê deve envolver o bico do peito;

- O bebê deve estar posicionado bem de frente ao peito com o queixo tocando o peito da mãe, para que ele possa abocanhar, ou seja, colocar a maior parte da auréola dentro da boca;

- Antes de iniciar a amamentação, quando o peito estiver muito cheio, a mãe deve realizar uma ordenha manual para amaciar a auréola, como Maria Luzia explica.

— Com os dedos indicador e polegar, a mãe deve espremer as regiões acima e abaixo do limite da aréola para retirar algumas gotas de leite e amaciar o bico.

Mais apoio para as mães e bebês do Centro-Oeste

Prestes a se tornar um dos maiores hospitais de Minas Gerais, o Complexo de Saúde São João de Deus está preparando um espaço especial para as mães e recém-nascidos de toda a região Centro-Oeste: o posto de coleta de leite humano.

Para o coordenador das maternidades do CSSJD, Matheus Lopes, o espaço vem pra sanar uma lacuna que há muitos anos era solicitada pela população da cidade.

— Um posto de coleta é a possibilidade de acesso a um apoio de qualidade para todas as mães que apresentam dificuldades na amamentação, ou para aquelas que têm seus bebês nos cuidados dos profissionais da UTI Neopediátrica e que agora terão um espaço especial somente para elas retirarem seu leite. O espaço também será uma rede para aquelas mamães que desejam doar o seu leite para os bebês da UTI que tanto precisam — destacou.

A obra que tem previsão de entrega para o fim deste ano, foi planejada para assegurar que as famílias possam contar com mais este importante apoio. O posto de coleta do CSSJD contará com uma antessala, ponto de coleta e um espaço especial para o armazenamento do leite.

Para Maria Luzia, a entrega do banco de leite para a população será mais uma importante conquista, afinal, a principal função dos bancos de leite e dos postos de coleta é o apoio e promoção do aleitamento materno.

— Na instituição será coletado o leite excedente das nutrizes que será enviado para pasteurização e distribuído com qualidade certificada. O posto de coleta auxiliará na redução da mortalidade infantil tendo em vista que com o armazenamento do leite e as orientações adequadas para sua retirada, há a possibilidade de doações para àquelas mães que tem dificuldades de amamentar — finalizou a residente em pediatria.

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