Agora é com eles

 

“Volta o cão arrependido, com suas orelhas tão fartas, com o osso ruído e o rabo entre as patas”. Sim! E quem voltou a ser discutido, e deve voltar para a Câmara de Divinópolis em breve é o aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Ele ressurgiu das cinzas. O Agora trouxe com exclusividade na edição desta terça-feira, 24, que a atualização da planta de valores do IPTU já começava a ser discutida nos bastidores do Executivo e do Legislativo Municipal. De acordo com uma fonte, até reunião o prefeito de Divinópolis, Galileu Machado (MDB) já teria feito com parte dos vereadores no dia 19 de setembro, para discutir o assunto.

Foi mais ou menos assim, na mesma época no ano passado, que essa mesma história começou, e tomou conta das discussões da cidade até o dia 29 de dezembro, quando o Projeto de Lei do Executivo Municipal (PLEM) 057/2017, que aprovava a planta genérica de valores do Município para fins do lançamento do IPTU para o exercício de 2018, foi rejeitado por unanimidade pelos vereadores. Nem um ano se passou da rejeição, e a Prefeitura traz de volta o assunto, que agora é tratado como “equilíbrio social, para que os contribuintes paguem o preço justo, principalmente aquele tem menor poder aquisitivo”.

Mas, tentativa de iludir o contribuinte à parte, pois Galileu quer aumentar o imposto, para consequentemente aumentar sua receita, mais uma vez a cidade está nas mãos dos vereadores. E, como confiar nos mesmos parlamentares que aprovaram a reforma administrativa da Prefeitura, que economiza apenas R$ 1897 por ano dos cofres públicos? Como confiar em vereador que tem irmão nomeado na Prefeitura? Como confiar em vereador que vive tomando “chá das 17h”, no alto na avenida Paraná, em troca de um reparo aqui e outro ali? Os jogos começaram. Foi dada a largada. Mais uma vez o que assusta é o ritmo açodado que o Poder Executivo adotou para um assunto tão sério como este. Ritmo que é adotado sempre que pautas sensíveis tramitam na Câmara.

Ou será que a população já se esqueceu da votação recorde da Reforma Administrativa da Prefeitura, na qual até o Sintram e o Sintemmd foram trapaceados? Na qual em pleno recesso legislativo, uma reunião extraordinária foi marcada, com alguns vereadores viajando, e assim o projeto de lei foi aprovado. Outra pauta polêmica vem aí, e agora é a hora de alguns parlamentares usarem a atualização da planta de valores do IPTU como palanque eleitoral. É tempo de discursos bonitos, cheios de palavras, mas com poucas atitudes em prol do povo. Cheio de beleza, mas pobre em representatividade popular. Em plena crise econômica, em pleno aumento de desemprego, em que a população tira de onde não tem para se manter, o prefeito quer aumentar imposto.

Diminuir cargos que é bom, nada! Fazer uma reforma administrativa que realmente traga economia para o Município, também não! E, tudo isso, bem debaixo do nariz dos vereadores, que deveriam fiscalizar o Executivo, mas insistem em ‘tapar o sol com a peneira’. Fingem que esta função não lhes cabe. E nas mãos destes mesmos parlamentares que o aumento do IPTU vai estar. Agora é com eles!

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